Tenho lido e ouvido inúmeros argumentos a favor e contra a demissão de Lopes da Mota do seu cargo no Eurojust.
Sem que se adiantem as conclusões de um processo disciplinar que vai agora começar e por muito que seja verdade que não há motivos formais para que Lopes da Mota seja suspenso, é óbvio que o facto de se manter em funções afecta a imagem do governo, muito especialmente a do Primeiro-ministro.
Fui daquelas que não acreditou na existência de pressões. Pense-se o que se pensar da robustez psicológica dos magistrados, parece-me indesmentível que as conversas de Lopes da Mota com os seus colegas parecem ter sido mais do que meras trocas de opiniões.
É claro que será o processo disciplinar que deverá apurar se essas conversas e essas pressões teriam intenções ilegítimas. Mas o facto de se ter avançado para um processo significa que há fortes indícios de que há matéria para procedimento disciplinar. E mais importante e significativo, caso tenha havido pressões ilegítimas, se elas foram sugeridas por alguém do governo ou do PS. Até hoje é mesmo a mais grave suspeita que pende sobre Sócrates. Porque se se prova que as pressões foram encomendadas, podemos legitimamente perguntar porquê, por quem e porque razão.
Devemos deixar que a justiça funcione. Mas até para o próprio Lopes da Mota a atitude mais digna seria a demissão até que tudo se esclarecesse. Tal como Dias Loureiro arrasta com ele o Presidente da República, Lopes da Mota trás atrelado o Primeiro-ministro.
Esperemos que o inquérito seja rápido e credível. Doa a quem doer.