25 março 2009

"Cat among the pigeons"

 



 


Desta vez vou responder a um desafio sobre a verdade da mentira, que me foi feito pela Donagata, agradecendo-lhe também um cristalino prémio que decidiu conceder-me.


 


Tenho que descobrir em que é que a Donagata mentiu, e por três vezes, ronronando e rindo como só ela sabe.




Adoro conduzir mas tenho imensa falta de orientação. – acho que não lhe falta orientação, Donagata.

Fui ameaçada de prisão numa viagem de avião. – conheço algumas aventuras da Donagata pelos ares, mas esta escapou-me.

Adoro chá. – eu diria que era mais café.


 


Cabe-me agora mentir bem e acertar também, para que não se distingam as três inverdades, como algumas pessoas dizem e que aqui estão misturadas, esparrelas para os próximos desafiados cairem.



  • Não gosto de me levantar cedo.

  • Adoro pezinhos de coentrada.

  • Leio vários livros ao mesmo tempo.

  • Adormeço quase sempre a ver televisão.

  • Gosto muito de ir ao ginásio.

  • Tenho a vida cheia de compromissos.

  • O cabeleireiro é um dos meus vícios.

  • Não consigo fixar alguns nomes de pessoas ou lugares.

  • Perco-me dentro do meu local de trabalho.


Quanto ao prémio de cristal, após agradecimento emocionado, passo-o reverenciando outros blogues, bem mais merecedores do que eu, e que deverão responder a este (in)verdadeiro desafio: Garfadas on line, thesoundofsilence, Hora de Almoço, Grama a Grama, bonstempos hein!?.


 



 


 

Anúncios e liberdade (2)

 


Tal como o anúncio da Antena 1, o anúncio modificado pelo Bloco de Esquerda (via Arrastão) não tem graça e é estúpido, além de apelar ao proteccionismo económico e à xenofobia.


 


Pois é, podemos ver significados ocultos e pouco próprios em tudo o que entendermos. Por isso é que é bom haver liberdade de expressão e cada um dizer o que quer e interpretar o que ouve como lhe apetece.


 


Ou também devemos censurar esta nova versão?

24 março 2009

Eutanásia

 


Não é possível confundir a existência de cuidados paliativos com a defesa ou a existência legal de eutanásia ou de suicídio assistido.


 


Em primeiro lugar é preciso distinguir entre eutanásia activa, prática em que se usam meios que aceleram a morte de um doente incurável, de uma forma controlada e assistida, de forma a abreviar o sofrimento e a preservar a sua dignidade, de eutanásia passiva, em que apenas se deixam de usar os métodos que permitem prolongar a vida a um doente nas mesmas condições.


 


O suicídio assistido é diferente pois o doente, a seu pedido e não conseguindo ele próprio praticar suicídio, conta com a ajuda de alguém para o fazer.


 


Os cuidados paliativos baseiam-se no conceito de ortotanásia, tentando que os doentes tenham uma morte o mais natural possível, permitindo a evolução da doença, com suporte médico, de enfermagem, de assistência social e psicológico.


 


As palavras do Bastonário Pedro Nunes, reduzindo o debate destes temas a uma questão de poupança de muita massa é inaceitável e não é sério. Tal como na questão da despenalização da IVG, estes temas devem ser discutidos na nossa sociedade como o foi noutros países, sem que tenha sido a poupança do orçamento do estado a razão da discussão.


 


Todos os dias nos enfrentamos com dilemas morais e éticos em que nos interrogamos se vale a pena o prolongamento da vida de alguém a todo o custo (distanásia). Muitas vezes me pergunto se eu quereria um fim de vida totalmente dependente de medicamentos, dos cuidados de outros, em sofrimento, de uma morte longa e cruel ainda em vida. A minha resposta é inequivocamente não.


 


Quem defende a possibilidade de uma pessoa decidir se, quando e como quer morrer, não faz dela uma assassina em massa. A possibilidade de abreviar o sofrimento inevitável a alguém não é condenável, podendo até revestir-se de contornos desesperados e quase heróicos.


 


Reduzir estes sentimentos e estas perplexidades à poupança de massa não tem nome.

 

23 março 2009

Jade Goody (2)

 


Jade Goody morreu. Cancro do colo do útero, fatal, numa mulher de 27 anos.


 


Ouvi hoje de manhã que Jade Goody tinha sido devorada pela televisão. Fiquei a pensar nisto. Tudo se passa na televisão. Somos levados a admitir que se não foi notícia, não aconteceu.


 


Discute-se a política da crise, a crise da economia, os segredos bancários, as polícias secretas, os erros dos árbitros. Chora-se por perdão, grita-se de indignação, ri-se de pura ironia. Expõe-se a pobreza, a miséria, a ignorância, a cupidez, a ignomínia, o oportunismo, o desespero, o corpo, a saúde, a doença. Tudo público, tudo para ser visto, vasculhado, violado pelos olhares, pelos comentários, pelos juízes.


 


Mas o que devorou Jade Goody não foi a televisão nem os media. Acho até que ela soube lidar com eles, independentemente do juízo moral, do arrepio ou da complacência que possamos ter, do significado filosófico, do asco, da pena, Jade Goody tirou partido da degradação e da fome de bisbilhotice, ganhando muito dinheiro com isso.


 


O que devorou Jade Goody foi um cancro no colo do útero, que pode ser evitado e diagnosticado com um simples exame citológico. Ainda por cima no Reino Unido, um dos primeiros países a organizarem um programa de rastreio na população feminina (entre 1998 e 2008 houve uma diminuição do número de mortes, considerando todas as idades, de 1.077 para 756 - cerca de 30% menos; 3,5 para 2,3 mortes por 100.000).


 


Que fique este alerta e esta lembrança: o rastreio é a melhor solução para que não haja mulheres de 27 anos a morrerem de cancro do colo do útero.


 


Jade Goody foi usada e usou os media em seu benefício. Digamos que foi um negócio. Estranho e triste negócio, mas negócio.

 



 

21 março 2009

Naquele dia

 


 


poema de Manuel Alegre


pintura de Giacomo Balla


 


Havia dentro das palavras


multidões a correr em cada imagem


praças cheias de versos e versos cheios de


gente. Havia uma rua pela página acima


e folhas e folhas pela rua. Havia o teu rosto


na cidade. Ou talvez a cidade no teu rosto.


Havia naquele dia o que


se via e não se via. E só se ouvia


o que não se


ouvia.


Era uma surda obsessiva


litania. Ou talvez


poesia.


 


 

Próximo Provedor de Justiça

Gostava de perceber exactamente porque é que o PSD não aprova que Jorge Miranda seja o próximo Provedor de Justiça. Apenas porque não foi o PSD que o sugeriu?

Anúncios e liberdade (1)

Não costumo ouvir a Antena 1. É muito aborrecida mesmo. Por isso só vi o anúncio de que se fala na blogosfera.


 


Fico espantada com a polémica que se levantou. Realmente o anúncio é muito estúpido, não tem graça. Mas é um anúncio, imaginado e realizado por uma agência de publicidade. Vamos suspeitar que foi José Sócrates, ou alguém por ele, que o encomendou? Haja paciência.


 


Também não costumo ver a TVI. É tudo aquilo que eu abomino nos pseudojornalismo pseudoinformativo. Ao contrário de Manuela Moura Guedes, eu acho que o jornalismo deve ser informativo, se necessário incómodo. Mas não o contrário, ou seja só é jornalismo se for incómodo, agressivo, histriónico e anti-governo.


 


Ou seja: neste momento a liberdade está ameaçada e a democracia nas vascas da agonia quando há campanhas publicitárias que sugerem que os cidadãos odeiam as manifestações e quando a ERC afirma que vai investigar as queixas contra o jornal da TVI.


 


A liberdade da imprensa mede-se pela quantidade de vitupérios que se dizem contra o governo, o PS e Sócrates, em particular, atingindo e levando por arrasto tudo o que se lhe chegue, ainda que de leve.


 


Estranha concepção de democracia.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...