04 dezembro 2008

Vírus









Estamos rodeados de vírus por todo lado. Este deixou-me sem fala e sem ânimo. Dantes quando estávamos doentes ficávamos na cama a tentar ler e a dormir. Agora ficamos na cama e navegamos na internet.


 


Felizmente o vírus não me afectou os dedinhos.


 


03 dezembro 2008

A vitória da FENPROF e a derrota da Escola Pública

Não sei se a greve dos professores foi a maior de sempre mas foi seguramente a maior de que tenho memória e foi uma retumbante vitória da FENPROF. Basta ver que até o Ministério dá valores de adesão de 60%. Inegável.


 


Dito isto, e dito que è impressionante que Valter Lemos desvalorize esta histórica greve afirmando que apenas 30% das escolas fecharam, espero sinceramente que a Ministra e o governo não cedam.


 


Caso isso aconteça será uma retumbante derrota da escola pública e uma total demissão do dever do estado – o primar pela qualidade do ensino e pela qualificação dos seus profissionais, coisa que a FENPROF tem demonstrado à saciedade que é a mínima das suas preocupações.


 


Quantidade não é sinónimo de qualidade, portanto a histórica adesão não dá razão a quem a não tem. É obrigatório não ceder e implementar o modelo de avaliação do desempenho, melhorando-o naquilo que for necessário melhorar e adaptando-o à realidade de cada escola.


 


 


Adenda: um mail chamou-me a atenção de que eu não podia passar a mensagem de que todos os professores pertencem à FENPROF. Tem razão, não pertencem. Assim como acredito que a adesão à greve teve motivos variados para vários professores. Mas o que não podemos negar é que a FENPROF é o rosto mais visível e o motor desta contestação. Por isso me refiro à FENPROF. Mérito de Mário Nogueira, a verdade é essa.

02 dezembro 2008

Uma questão de imagens

Não consta que eu perceba algo de finanças. Mas gostava de perceber como é que o BPP, banco pequeno que geria fortunas, não era bem um banco onde as pessoas abrem contas para receber os ordenados, pagar as prestações da casa, as contas da água e da luz, etc., tem tanta importância para a imagem externa do país, tem tanta importância sistémica.


 


Pois a imagem interna que deu do país é que me preocupa, mesmo para consumo interno.


 


01 dezembro 2008

Dúvida


(Erato Tsouvala: lovers)


 


Se te amasse como me perguntas

sem tempo nem lume para mais

que não fosse o infinito abraço com que te olho

se te amasse mesmo que menos

que a dúvida com que olhas esse amor

líquido como o amor que de ti quero

se te amasse o suficiente

para que não perguntasses se te amo

seria certo que te não amava

tão profundamente como te amo.

Gracias a la Vida

 



(Violeta Parra)


 


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio dos luceros que cuando los abro

perfecto distingo lo negro del blanco

y en el alto cielo su fondo estrellado

y en las multitudes el hombre que yo amo.


 


Gracias a la Vida, que me ha dado tanto

me ha dado el oido que en todo su ancho

graba noche y dia grillos y canarios

martillos, turbinas, ladridos, chubascos

y la voz tan tierna de mi bien amado.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado el sonido y el abedecedario

con él las palabras que pienso y declaro

madre amigo hermano y luz alumbrando,

la ruta del alma del que estoy amando.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la marcha de mis pies cansados

con ellos anduve ciudades y charcos,

playas y desiertos montañas y llanos

y la casa tuya, tu calle y tu patio.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me dio el corazón que agita su marco

cuando miro el fruto del cerebro humano,

cuando miro el bueno tan lejos del malo,

cuando miro el fondo de tus ojos claros.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto

me ha dado la risa y me ha dado el llanto,

así yo distingo dicha de quebranto

los dos materiales que forman mi canto

y el canto de ustedes que es el mismo canto

y el canto de todos que es mi propio canto.


 


Gracias a la Vida que me ha dado tanto.

 


 


Da refundação das esquerdas

Quando se fala da refundação das esquerdas convém perceber de que esquerdas estamos a falar.



  1. Se das esquerdas protagonizadas por grupos de cidadãos que não se revêem nos partidos políticos já existentes, como por exemplo o MIC, formado na sequência do resultado de Manuel Alegre nas últimas eleições presidenciais.

  2. Se das esquerdas protagonizadas pelos partidos considerados à esquerda do PS, ou seja, PCP e BE.

  3. Se das esquerdas protagonizadas pela discussão dentro das várias facções do PS.

  4. Se de todos estes movimentos em conjunto.


Analisando uma a uma estas hipóteses:



  1. Os grupos de cidadãos são uma mais valia na discussão política, porque aproximam as pessoas que não têm nem querem ter filiação partidária, da actividade política e da intervenção pública, o que abre a sociedade a novas formas de discussão e de intervenção. O problema é que estes movimentos tendem a agregar-se em volta de pessoas e não por comungarem um conjunto de princípios e valores, de uma determinada ideologia. Por isso estes grupos são importantes para a defesa de determinadas causas mas dificilmente poderão disputar eleições com vista ao exercício de poder. Acresce o perigo da “fulanização” e de um populismo perigoso.

  2. O BE e o PCP têm demonstrado, infelizmente, a sua natureza totalmente anti-poder e arcaica, com o entrincheiramento dos comunistas num beco próximo dos fundamentalistas religiosos, em que a defesa de regimes ditatoriais como o de Cuba ainda está na agenda do dia. O PCP continua com a mesma retórica desde há 30 anos, se não mais, colocando-se cada vez mais à parte do leque da discussão da esquerda moderna e amante da liberdade. O BE tem protagonizado o que de melhor existe no populismo demagógico, tendo-se especializado em ser o simétrico de Paulo Portas.

  3. Os vários movimentos de esquerda dentro do próprio PS têm tido pouca visibilidade, primeiro porque é muito difícil levantar a voz contra as teses oficiais de Sócrates, e a colagem ao poder é uma das constantes da vida dos partidos apoiantes dos governos, principalmente em épocas de maiorias absolutas. Só assim se entende a abulia de Alberto Martins, o relógio de repetição de Augusto Santos Silva, o ventriloquismo de Vitalino Canas, para citar só alguns, e a tentativa de calar vozes incómodas como a de Ana Gomes, por exemplo. Por outro lado se os próprios militantes do PS, como Manuel Alegre, abdicam de discutir e de fazer ouvir a sua voz dentro do próprio partido, demitem-se de um indispensável e saudável contra-poder. Esperemos os resultados de movimentos que se formaram como a Corrente de Opinião Socialista e a Res Publica.

  4. A conjugação de todos estes movimentos é impossível, pelos desmentidos e ataques sucessivos que se fazem uns aos outros. O frentismo de esquerda seria tudo, mesmo que existisse, menos uma renovação das esquerdas.


Sendo assim estou muito céptica em relação a este fenómeno. No entanto a contribuição de grupos de opinião dentro e fora do PS, com pessoas que aceitem as regras da democracia e que estejam dispostas a participar no exercício responsável do poder seria desejável, se não mesmo indispensável para a renovação do debate ideológico em Portugal.


 


É claro que a crise à direita ainda é pior, pois o afastamento da esfera do poder tem sido funesta. Mas também aí seria indispensável a discussão e a renovação das direitas.


 


Embora compreenda que a política e as concessões sejam o cerne da governabilidade, é preciso não esquecer que tem que haver uma ideia, ou várias ideias que estejam na base da concretização das acções governativas e/ou das alternativas da oposição democrática.


 


E temos assistido a um paupérrimo debate de ideias, de alternativas, de políticas e de projectos de concretização das mesmas. À esquerda e à direita. Este seria o momento ideal para um enorme e aceso debate de ideias, visto que a crise financeira, a redefinição dos papéis dos estados na economia e na política social, a modificação do paradigma do trabalho com um aumento enorme do desemprego e a consequente e previsível instabilidade nas nossas sociedades ocidentais, com as imigrações e o regresso dos fundamentalismos religiosos, tudo pede exasperadamente para se repensarem atitudes e se descobrirem novas soluções.

30 novembro 2008

Os vôos que nunca existiram

Desde há vários anos que Ana Gomes se vem batendo para que haja uma investigação sobre os vôos da CIA, ilegais, que terão transportado prisioneiros até Guantánamo.


 


Foi atacada por várias pessoas, entre as quais miliantes do PS e membros do governo, que sempre negaram o conhecimento da existência de tais voos.


 


Ana Gomes pode ter uma forma muito histriónica de se expressar, mas tem a grande virtude de não deixar que os seus princípios sejam menos importantes que pretensos interesses de estado.


 


Hoje o jornal El País traz a reprodução de um documento que demonstra que, desde 2002, o governo de Aznar não só foi informado como lhe foi pedida colaboração. O jornal afirma ainda que outros países da mesma área também terão sido informados.


 


Durão Barroso não sabia de nada? O governo socialista também não tomou conhecimento disto? Gostava de saber quais vão ser as razões que agora vão ser invocadas par se justificar o injustificável.


 


Ana Gomes deve manter-se na União Europeia. Com ela podemos confiar que não recua e que honra o seu mandato.


 



 


Nota: Ver também a notícia do Público online e o post Afinal, sabiam!


 


Actualização: Ana Gomes e governo na TSF, hoje.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...