23 novembro 2008

Lágrimas Negras

 


 



 


Letra e música de Miguel Matamoros


Cantam Diego el Cigala & Bebo Valdés


 


Aunque tu

me has dejado en el abandono

aunque ya

se han muerto todas mis ilusiones.


 


En vez de despedirme

con Justo encono

en mis sueños te colmo

en mis sueños te colmo

de bendiciones.


 


Sufro la inmensa pena de tu extravio

lloro el dolor profundo

de tu partida

y lloro sin que sepas

que el llanto mio

tiene lagrimas negras

tiene lagrimas negras

como mi vida.


 


Tu me quieres dejar

yo no puedo vivir

contigo me voy mi negra

aunque me cueste el morir


 


Tu me quieres dejar

yo no quiero sufrir

contigo me voy mi santa

aunque me cueste el morir.

Andar de bicicleta

As alternativas em relação ao transporte individual com o uso de bicicletas é muito interessante, se o andar de bicicleta fizer parte dos hábitos culturais dos povos e das pessoas, o que tem a ver inevitavelmente com a geografia do terreno.


 


É engraçado compararmos, quando viajamos pela Europa, os locais onde se anda de bicicleta, desde muito pequeno a adulto jovem ou velho, o facto de se utilizarem as bicicletas como transporte e até como veículo de encontros amorosos, com as imagens que temos de filmes que se reportam aos anos de 1940 e 1950, por exemplo nos filmes europeus que retratam a II Grande Guerra ou o pós guerra.


 


Os locais em que a bicicleta servia como meio de transporte habitual são os mesmos de hoje, talvez um pouco mais alargados nuns sítios e menos noutros, porque o acesso ao automóvel e a consciencialização ecológica se modificaram.


 


Mas em cidades com grandes desníveis de terreno nunca houve, mesmo quando não existiam carros, uma grande profusão de bicicletas. Talvez em Lisboa, um exemplo flagrante, fosse mais fácil e rentável investir em bons, frequentes e pouco poluentes transportes públicos, como eléctricos de maior velocidade, tróleis e metro.


 


Verdade seja dita isso dentro da cidade de Lisboa já há uma boa oferta de transportes públicos. O problema está na ligação entre as periferias e as grandes cidades. Aí sim faltam investimentos em alternativas credíveis, confortáveis, fáceis de usar, mais rápidas e mais económicas que os automóveis. E na zona da grande Lisboa, por muitos minutos verdes, consciências ecológicas e estilos de vida saudável não serão as bicicletas a resolver o problema.


 


A vida que as marca

Rituais diários que marcadores biológicos não estudados associaram à mulher.


 


Rituais diários que gerações culturais de homens dominadores e desdenhosos que sempre associaram as mulheres a seres submissos, manipuladores e diabólicos.


 


Rituais tão fora de moda que já voltaram à moda.


 


Rituais de gestos mecânicos, não valorizados, não quantificados, não remunerados que atiram a mulher para as franjas de trabalhos não reconhecidamente pesados.


 


Rituais que obrigam a mulher a estar presa aos seus próprios medos.


 


A violência contra as mulheres é quase um não acontecimento.


 



(foto de Rodrigo Cabrita; Dn - 22/11/2008)

22 novembro 2008

Nada

 



(pintura de Vieira da Silva: le rayon bleu)


 


A criança na face enrugada

boca lambuzada de anos

olhos cansados de saber.


 


Já não salta o mundo

pela corda da ansiedade

escreve nos passos vagarosos

a ciência da espera

o alento da ternura

do nada.

I can't give you anything but love, baby

 



 


I can't give you anything but love, baby.

That's the only thing I've plenty of, baby.

Dream a while. Scheme a while.

We're sure to find,

Happiness, and I guess

all those things you've always pined for.


 


Gee I'd like to see you looking swell, baby

Diamond bracelets Woolworth's doesn't sell, baby.

till that lucky day you know darn well, baby.

I can't give you anything but love.


 


Gee I'd like to see you looking swell, baby

Diamond bracelets Woolworth's doesn't sell, baby.

till that lucky day you know darn well, baby.

I can't give you anything but love.


 


 



(Sarah Vaughn)

Comentários imoderados

Decidi reverter a moderação dos comentários. Não gosto que os comentários não sejam publicados de imediato, que não possam gerar de imediato controvérsia e discussão. É mesmo para isso que eles servem.


 


Por isso, em vez da moderação, eliminarei, pura e simplesmente, aqueles que achar indecorosos e insultuosos, que não acrescentem nem tenham nada de interessante a dizer.


 


Quem não gostar tem uma solução muito simples: não vem cá.

Abanar estruturas

Quando se tem ideias sobre como fazer as coisas, qual o caminho a seguir, sobre algumas regras básicas e inquebráveis, independentemente das turbulências que possam acontecer, fica-se sempre espantado com as pedras que se levantam e que rolam pelas encostas dos acontecimentos, esmagando folhas, arrastando detritos e levantando poeira.


 


Será que os caminhos ficam mais visíveis e desimpedidos? O que nos leva a continua e obsessivamente tentar alinhar o desalinhado, tentar viver coerentemente e fazer o que sempre se pensou como certo, na altura em que se tem oportunidade para tal?


 


No entanto as dúvidas sobram e quase esmagam as certezas. Não há segurança que resista às dificuldades e depois perguntamo-nos – será que as razões não são essas, as premissas estão erradas, a visão se distorceu?


 


Como vislumbrar a claridade no meio translúcido e nas cortinas que se vão interpondo entre a ideia e a realidade? Será melhor manter a estrutura com receio que o movimento a altere, a perigue, ou mesmo a destrua?


 


Ou será que a estrutura não tem condições para se aguentar e que desabará, a qualquer instante, sobre as cabeças de quem se abriga dentro dela?


 



(pintura de Robert Goodman: tornado)

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...