26 outubro 2008

Philippe Jaroussky

 



 


Vedro con mio diletto - Vivaldi

Amel Brahim

 



Villa Lobos - Bachiana nº 5

Abstracção


(aguarela de Peter Doig: Driftwood)


 


Sigo a asa do pássaro

da raiz à abstracção

da distância às nuvens

sigo o tempo que bebe

os olhos que planam

para além da vertigem.


 


Sigo a asa do pássaro

o grito surdo da alma

que inicia a viagem.

O álibi

A crise financeira e a consequente crise económica estão a servir de álibi para todas as forças sociais, à esquerda e à direita.


 


O PS desculpa-se com a crise financeira para justificar o não cumprimento de metas que se tinha imposto na legislatura. Por muito que o contexto internacional seja mais desfavorável que o que se previa há 3 anos, isso não desculpa tudo, como é óbvio.


 


O PSD usa a crise financeira para justificar a sua opinião recente (porque quando estava no governo era diferente) em relação à suspensão das obras públicas, que já vinha sustentando praticamente desde que é oposição.


 


Mas também a CCP usa a crise financeira para pedir uma renegociação do aumento do ordenado mínimo nacional, estimado para €450! É absolutamente escandaloso estarmos a discutir o aumento do salário mínimo que é vergonhosamente insuficiente para viver.


 


A crise não pode justificar pedidos de aumentos salariais mínimos de 3,5%, por muito que nos penalize a perda do poder de compra que, continuamente, os mesmos sofrem. Mas o que não pode mesmo estar em causa é a aproximação do valor dos ordenados mais baixos, nomeadamente do salário mínimo, a um valor minimamente razoável. E mesmo os €500 previstos para 2011 é muitíssimo pouco!


 


Não se percebe este tipo de raciocínio. Ou seja, percebe-se, mas é revoltante. A crise e a pobreza não se resolvem à custa do regresso do trabalho de escravo.

25 outubro 2008

Cinzento


(desenho de Jorge Queiroz: sem título, 2003)


 


Encontro partículas de cinzento em pensamento

ao afastar os olhos do interior

e não sei distingui-las das pedras

que vou colocando no muro

a pouco e pouco escondendo

os olhos que procuro.

Vício


(desenho de Jorge Queiroz: sem título, 2000)


 


Só me resta alisar o papel

descolorir as letras

reciclar esta dor

doce e fina quase vício

com que alimento os dias.

A inevitabilidade das revoluções

Ouvimos todos os dias alguém dizer, a propósito de tudo e de nada, que é preciso reformar os serviços públicos, a saúde, a justiça, a administração central e local, a educação.



Com a resistência à mudança inerente ao ser humano, com os interesses, hábitos, procedimentos e atitudes instaladas durante décadas, mesmo que teoricamente se seja a favor da reforma, muito se faz ou tudo se faz para que ela não aconteça.



Mas as reformas são praticamente impossíveis. Até porque o desejo de reformar, após tantos obstáculos e recuos, deixa de existir, e o promotor da reforma transforma-se rapidamente em mais um pouco estimado compincha da resistência passiva.



Por isso tenho chegado à conclusão que, na maior parte das circunstâncias, é preciso que haja rupturas com o que era, para ser possível passar a ser diferente. Rupturas que implicam dor, radicalidade de actuação, que dividem profundamente em vez de uniren em consenso.



Assim, à medida que o tempo passa e eu vou envelhecendo, acredito cada vez mais que é a revolução que imprime mudanças, esperança e motivação.


 



(pintura de Jenny Keith-Hughes: polite revolution)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...