11 outubro 2008

Ana Gomes

É muito engraçado ouvir os sisudos falar de Ana Gomes, da incendiária e tonta, revolucionária e estridente Ana Gomes. Eu própria já o fiz.


 


Mas aí está o escândalo de Guantanamo, as tibiezas do governo, as meias palavras, o varrer para baixo do tapete.


 


Parabéns à esdrúxula Ana Gomes, que demonstra à evidência que, apesar de se ter institucionalizado que as comissões, direcções de órgãos políticos, de associações de pendor corporativista ou outro existem para arrastar, adiar e não resolver, há sempre algumas pessoas que não se conformam, mesmo correndo o risco de serem ridicularizadas pela sua verticalidade.


 


Coerência? Há muitos tipos de coerência e aquela que reconhece que erra e volta atrás mas que luta por ideias é nobre, mesmo que os sisudos declarem o contrário. Inclusivé eu mesma.


 


Da crise

A crise está para durar. De repente, parece que todos tomaram consciência de que o consumismo desenfreado e sem objectivo é pernicioso. De repente descobrem-se virtudes e deveres no Estado insuspeitados para determinados pensadores políticos. De repente tomou-se consciência de que a economia deve estar ao serviço da política e não o contrário.


 


É verdade que sem crédito fácil e a baixos juros, uma multidão de pessoas não teria tido acesso a determinados bens que hoje consideramos indispensáveis a uma vida condigna.


 


Teremos que reequacionar o que é indispensável a uma vida condigna. As nossas prioridades deverão voltar-se outra vez para a essência e reconhecer o efémero, o superficial, o excesso.


 


Politicamente pode aproveitar-se este momento de crise para debater as funções do Estado, para que serve, que serviços deve assegurar, com deve ser o cimento que ampara a dignidade dos cidadãos.


 


Também convinha reequacionar o que se entende por União Europeia. Quem faz parte da dita? Quem elegeu o G4, o G8, qualquer G? Porque não há ainda uma declaração conjunta dos órgãos institucionais europeus, porque não há garantias para todos os países, assumidas pelo BCE?

Grau zero reeditado


 


 


É difícil, se não mesmo impossível, fazer pior que os deputados do PS, nomeadamente o seu grupo parlamentar, mais especificamente Alberto Martins.


 


As voltas e reviravoltas de uma opinião que é e não é, que não mas que sim, a triste figura de quem não percebe o ridículo em que faz cair a dignidade da própria Assembleia, faz corar de vergonha.


 


Por estas e por outras é que há um grande afastamento entre os cidadãos e os seus representantes, cujo estatuto de enguia é repugnante.


 


Valha-nos ainda Manuel Alegre. Felizmente, a ele ninguém o cala.

08 outubro 2008

O hábito

A falta de nível de Zita Seabra  RTPN, agora, desvalorizando as medidas do governo, dizendo que devemos copiar os governos europeus mas depois sem dizer quais, é de uma inacreditável aridez.


 


Na verdade parece que ninguém sabe exactamente o que fazer. A nós, apreensivos cidadãos do mundo, temos medo que nos falte o dinheiro para a nossa vidinha quotidiana, não percebemos nada da bolsa, de activos ou de crashs, e apenas nos perguntamos se deveríamos reeditar os colchões com mealheiros.


 


Uma coisa eu aprendi com o filme "It's a Wonderful Life" de Frank Capra. Não devemos ir a correr levantar o dinheiro do banco, em pânico, como se não houvesse outra solução. De resto continuemos, dia a dia, tentando não descompensar porque até com este medo a gente se há-de habituar.

Acordar


(pintura de Snadi Miot: awakening)


 


Hoje lembrei-me nitidamente

do que faltou desses dias

em que sonhávamos o mundo

até que o mundo

nos acordou.

07 outubro 2008

Bancarrota

Hoje ouvi várias vezes o tom perplexo e preocupado de uma colega:


- O Zapatero disse que a Espanha entrou em recessão!


 


à qual respondi as mesmas vezes com o mesmo tom preocupado e perplexo:


- E a Islândia está à beira da bancarrota!


 


05 outubro 2008

República Portuguesa


 


Mais uma cerimónia de comemoração da implantação da República, com muito menos pompa e circunstância da evocação do Regicídio. Estamos em tempos de branqueamento e de revivalismo, menorizando uns actos revolucionários e enaltecendo outros.


 


Tudo isto tem muito pouco a ver com rigor e objectividade históricas, aproveitando-se as várias efemérides para recados e mensagens políticas, neste momento dos sectores mais conservadores da sociedade que, com a cambalhota dos capitalismos desenfreados e da entronização do Mercado, entidade tão ausente e abstracta com o etéreo mas que tem servido de justificação para enormes e pesados despedimentos colectivos quando as empresas deixam de ter lucros milionários, parecem encontrar-se sem norte nem rumo.


 


Mais uma vez o nosso Presidente Cavaco Silva dissertou sobre a crise e a verdade, sobre a fibra dos portugueses e a ética republicana. Nada de original, motivante ou galvanizador de qualquer vontade.


 


Vamos vivendo o dia a dia, recuperando a ideologia da poupança, da redução do consumismo e do Estado como regulador e benfazejo, mesmo para os que passaram as últimas décadas a exigir que tudo seja entregue à regulação do mercado e à sacrossanta e caridosa sociedade civil.


 


Mas o nosso Presidente, tão cinzento, monocórdico, igual a si próprio, prepara-se para liderar a oposição a Sócrates e à maioria socialista. À frente do PSD já se colocou a sua pupila dilecta, que pede audiências urgentes para saber a opinião da Excelentíssima Primeira Figura sobre a independência do Kosovo!


 


O que vale é mesmo tudo, até esse submundo blogosférico em que nos movemos, todos os dias bafejada com o sopro da higienização que vem dos lados do Abrupto e de mais alguns assépticos como ele, que se transformam em damas sofisticadas e de nariz sensível quando à sua volta tudo tem aspecto lamacento.


 


Felizmente, e ao contrário dos monárquicos, temos periodicamente oportunidade de mudar e escolher outro Presidente.


 


Viva a República!

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...