14 agosto 2008

Justiça

Se a população não sentir que as forças de segurança actuam rápida e eficientemente, defendendo os cidadãos dos roubos, das armas, dos reféns, das ameaças, poderão ser tentadas a fazer justiça pelas próprias mãos. Aí sim, deixa de haver condições para que se faça justiça.


 


A PSP e a GNR não estão acima da lei e a sua actuação deverá sempre ser escrutinada. Mas não se confundam as forças de um estado democrático cuja função é manter a ordem pública e pugnar pela segurança dos cidadãos com irresponsabilidade e banditismo de estado.


 


Espero que as circunstâncias que levaram à morte de uma criança numa cena de tiros com a polícia sejam totalmente esclarecidas. Para que os cidadãos possam confiar, mesmo quando é inevitável a morte de alguém. E é essa inevitabilidade que deve ser esclarecida. Assim como a presença e uma criança num carro que participava num assalto, a acreditar no que os jornais dizem. Também isso deveria ser evitável. Inaceitável é, decerto.

Esperar

Algumas vezes precisamos de dizer qualquer coisa, de mostrar algumas amolgadelas interiores, de expulsar algumas tristezas que correm o perigo de se incrustarem e infectarem a vontade de as ultrapassar. Mas não há palavras nem imagens suficientes. Apenas esperar que o tempo melhore.

09 agosto 2008

Guerra

E enquanto nos distraímos com os jogos olímpicos, na Geórgia e na Ossétia do Sul há guerra. Mortos, feridos, refugiados, escombros, tudo a que infelizmente nos vamos habituando.


 


O Presidente Bush fala do cimo do seu descrédito e da sua incapacidade para influenciar ou moderar seja o que for. Putin passeia-se e manda.


 


Beijing 2008

Talvez estes jogos sirvam a abertura da China aos valores da defesa dos direitos humanos, à democracia, para a abolição da pena de morte, da tortura, do desprezo pela vida, tal como os entendemos na nossa sociedade.


 


 


Talvez estes jogos sirvam para que a sociedade ocidental perceba que a China é muitíssimo mais que isso.


 


Segurança

A morte entra-nos pelos olhos. Poderiam ser os nossos irmãos, as nossas mães, os nossos filhos. A ameaçar e a ser ameaçados, carrascos ou vítimas.


 


Como lidar com a vida o drama que se desenvolve em tempo real, como ajuizar dos sentimentos de quem é próximo, já que nos sentimos todos próximos?


 


Escolher entre os assaltantes e os reféns. Não deveria ser preciso escolher, pedir, exigir que tenha que se escolher.


 


Mas é para isso que há polícia de segurança pública, para que a segurança seja assegurada. De ladrões também, mas já que teve que se escolher, ainda bem que, pelo menos foi possível salvar as vítimas.


 


E por isso se morre

 


(Pintura de Kazuya Akimoto: dying blue)


 


E por isso se morre

esquecendo uma porta

que se entreabre

desviando um olhar

que se procura

lambendo uma gota

que se oferece

mesmo quando sobram

mundos isolados de corais

mesmo quando sobram

gestos desajustados imortais.

06 agosto 2008

Desequilíbrio

A ventoinha e o computador, antagonizados e ligados, um venta e esfria os braços, outro pesa e aquece as pernas. Equilíbrio instável entre o passado e a modernidade, a era mecânica e a era digital.


 


A televisão fala à minha frente e ouvem-se abafadamente uns ruídos agressivos que se escapam pelas frestas da porta do quarto do filho.


 


Mas que mundo esquizofrénico e barulhento em que nos habituamos a viver. E todos nós, naturalmente, com os sentidos continuamente estimulados por esta cacofonia de sons e imagens, totalmente alheados e entregues ao nosso corpo, olhos no visor e dedos no teclado, queimamos células e horas.

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...