27 julho 2008

Intermitências (2)

Afinal o bar não é de irlandeses mas sim de ingleses (perto de Cambridge). É claro que se impunha mudar para gin tónico.


 


A água está gelada, o sol queima e a areia teima em pegar-se ao corpo besuntado de protector solar, factor 50+, por causa da pele de lula e das alergias. Enfim, o santo sacrifício da praia.


 


Hoje estou numa esplanada de um hotel na qual tenho acesso livre à internet. A acompanhar um cantor com uma parafernália de sons e batuques, perigosamente parecido com o Tony Silva. Há pares que dançam.


 


Extraordinárias são as coisas idiotas que se inventam para gastar estupidamente dinheiro, como uma espécie de triciclos automáticos, onde se colocam as crianças, artilhadas com capacetes, cotoveleiras e joelheiras, ou uma espécie de veículo movido a 4 pedais, para pedalarem os papás com as criancinhas refasteladas à frente e atrás.


 


Penso que o sol amolece o cérebro.


 


A todos os que têm comentado agradeço e peço desculpa por não ter respondido. Espero ansiosamente pelo "apita o comboio".


 


Boas férias e bom trabalho.


 



(pintura de Harold Greenhill: Summer holiday 1950)

24 julho 2008

Intermitências (1)

Por estes dias estou pouco contactável, nas profundezas do mar e da areia sem rede disponível, tendo que beber vários vodkas laranja no bar dos irlandeses, para conseguir ver mails e blogues.


 


Uma boa cura de tecnologia. Pelo menos tenho lido que me farto.


 


Vou passando, sempre que puder.

21 julho 2008

Silêncio

 



(pintura de Joe Lima: Stillness in the Afternoon)


 


Respiro o silêncio

neste lugar sem fundo

sem fim.

Aguardo o vento

neste silêncio imenso

dentro de mim.

O deboche, segundo João César da Neves

(...) A profecia realizou-se. Em nome da modernidade caiu-se na pornografia em massa, na promoção do aborto, divórcio, deboche e perversão, no descalabro da educação, solidariedade e castidade, no horror da traição, solidão, depressão, suicídio.


 


A sociedade ocidental, no meio da prosperidade, debate-se com terríveis problemas, da sida ao insucesso escolar e à decadência populacional, que advêm desta suposta revolução sexual. (...)


 


 


Não consigo perceber o que é que tem a ver o uso da pílula com o insucesso escolar...

Estala o verniz

Podemos ser todos a favor dos pobres e dos oprimidos, da igualdade e da solidariedade, da partilha, do amor, da paz e de todos os sentimentos nobres de que nos lembrarmos, que constituem o verniz da civilização ocidental, estando ainda geneticamente incorporado em raros e excepcionais exemplares.


 


Mas o que temos presenciado, em exigências, vitimizações, manifestações e ultimatos de grupos, pertencentes a minorias étnicas, raças, religiões, corporações profissionais ou outras formas de associação de pessoas com traços comuns, físicos, culturais, laborais ou ideológicos, faz estalar o verniz a uma velocidade assustadora, deixando transparecer o fundo animal e troglodita da maioria da espécie.


 


Não é mais possível em nome dos valores universais de convívio e respeito sociais aguentar a arrogância de quem se pensa merecedor de direitos sem perceber que tem que cumprir deveres e aceitar responsabilidades.


 


Não é mais possível assistir impavidamente ao atropelo dos direitos de todos os outros cidadãos, da Quinta da Fonte e de todas as quintas, fontes, estradas, pousios, praias, ermos, casarios, condomínios privados, abrigos sociais ou hotéis de muitos dias e noites existentes por esse país fora, assistir à chantagem de algumas famílias de ciganos da Quinta da Fonte que, para além de ocuparem espaço público como se fosse sua propriedade, fazem ultimatos ao governo para que lhes dêem casas onde entenderem, ameaçando com concentrações nacionais.

19 julho 2008

A metamorfose das plantas dos pés


poema de Catarina Nunes de Almeida


A metamorfose das plantas dos pés


 


Um pedaço de pão na boca e mastigo os campos.

Reconheço a linha do meu ventre

céu folhas e lagos subterrâneos

sem nunca ter medido a sombra dos frutos.


Neste canteiro branco no meio de cobertores

o corpo tem o peso da tua semente.

18 julho 2008

Notável

Não se pode justificar tudo pela necessidade de pragmatismo. O nosso primeiro-ministro ofendeu as democracias com tão rasgados elogios a José Eduardo dos Santos e ao notável trabalho que tem feito.


 


Há limites para tudo.


 



 

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...