Podemos ser todos a favor dos pobres e dos oprimidos, da igualdade e da solidariedade, da partilha, do amor, da paz e de todos os sentimentos nobres de que nos lembrarmos, que constituem o verniz da civilização ocidental, estando ainda geneticamente incorporado em raros e excepcionais exemplares.
Mas o que temos presenciado, em exigências, vitimizações, manifestações e ultimatos de grupos, pertencentes a minorias étnicas, raças, religiões, corporações profissionais ou outras formas de associação de pessoas com traços comuns, físicos, culturais, laborais ou ideológicos, faz estalar o verniz a uma velocidade assustadora, deixando transparecer o fundo animal e troglodita da maioria da espécie.
Não é mais possível em nome dos valores universais de convívio e respeito sociais aguentar a arrogância de quem se pensa merecedor de direitos sem perceber que tem que cumprir deveres e aceitar responsabilidades.
Não é mais possível assistir impavidamente ao atropelo dos direitos de todos os outros cidadãos, da Quinta da Fonte e de todas as quintas, fontes, estradas, pousios, praias, ermos, casarios, condomínios privados, abrigos sociais ou hotéis de muitos dias e noites existentes por esse país fora, assistir à chantagem de algumas famílias de ciganos da Quinta da Fonte que, para além de ocuparem espaço público como se fosse sua propriedade, fazem ultimatos ao governo para que lhes dêem casas onde entenderem, ameaçando com concentrações nacionais.