18 junho 2008

Directiva de retorno

Não é esta a Europa que eu quero.

Que Europa queremos?

O resultado do referendo ao Tratado de Lisboa tem sido muito comentado por várias pessoas, entre as quais Luís Naves, do Corta-fitas, que sempre se debruçou seriamente sobre a construção da nova Europa.


 


Do seu último post sobre o assunto, tenho a comentar que:


 


(...) Com as actuais instituições, a Europa não irá a lado nenhum, porque não funciona. Tentei explicar com um exemplo que devia ser clássico: no tratado de Nice, o trio composto por Lituânia, Bulgária e Portugal tem os mesmos votos que a Alemanha no Conselho Europeu, o órgão máximo. Isto é IRREALISTA; no novo tratado, o equilíbrio de poder favorece a Alemanha, pois esta tem 82 milhões de habitantes, contra os 22 milhões do trio anteriormente referido. A regra da população é a mais democrática e permitirá que a máquina tenha ambição. (...)


 


O argumento do número de habitantes em vez do número de países, para se avaliar da democraticidade e dos equilíbrios de poder, esquece que a União Europeia não é um país nem um Estado soberano. Ou seja, são os Estados independentes que devem ser colocados em pé de igualdade e não a soma dos habitantes de cada país.


 


(...) No tratado de Lisboa é sobretudo importante o novo equilíbrio de poder entre Estados (que repõe o domínio dos grandes existente antes do alargamento) e a expansão das decisões por maioria qualificada. Em resumo, a UE terá maior facilidade em legislar e o equilíbrio de poder é definido segundo o critério da dimensão populacional. (...)


 


Mais uma vez o critério da maioria populacional. Por outro lado as decisões por maioria qualificada de número de Estados, com tão grande número de Estados, pode ser facilitdora.


 


(...) Todos manifestam a mesma desconfiança em relação a governos que negociaram o tratado e a mesma ideia (a meu ver errada) de que só um referendo é democrático. (...)


 


A desconfiança existe e tem razão de ser. Em primeiro lugar é tão democrática a ratificação no Parlamento como em referendo. O que já não é democrático é a não realização de referendo pelo receio da rejeição, já não falando na quebra de promessas eleitorais. Não houve qualquer cuidado em tentar fazer campanha a favor da bondade deste tratado, mas houve todas as cautelas para evitar os referendos. Isso é que me parece pouco democraático.


 


(...) Esta é uma concepção de Europa muito específica, uma gigantesca zona de comércio livre com o mínimo de órgãos e políticas comuns. (...)


 


E será que os cidadãos europeus querem ou sentem necessidade de ter uma Europa diferente? Já alguém se deu ao trabalho de os convencer que o aprofundamento político é melhor que a manutenção de uma gigantesca zona de comércio?


 


(...) Na minha opinião, esta é a discussão que interessa ter. Que Europa queremos. (...)

 


Concordo totalmente. Mas essa é a discussão que nenhum patido político quer ter. E é isso que faz com que as opiniões públicas desconfiem destes tratados.


 



 

Provas de aferição

Não há dúvida que a melhoria nos resultados das provas de aferição de Matemática e Língua Portuguesa dos 4º e 6º anos são um pouco suspeitas, levando rapidamente à conclusão de diminuição acentuada da exigência.


 


No entanto, se analisarmos os resultados por níveis, de E (o pior) para A (o melhor), os resultados podem ter outra leitura.


 


Na Língua Portuguesa:


 


 



 


 


   


 


 


Na Matemática:


 


 


 


 



       


 


Enfim, as curvas estão mais ou menos na mesma. Estou com Nuno Crato: os resultados do PISA são mais fidedignos e de 2003 a 2006 não houve quaisquer alterações (em Matemática, pelo menos).

15 junho 2008

Foi mau

Podíamos ter continuado sem parar, não valia a pena.


 


 


Foi mau, de facto foi.

Terceira jornada

Próxima estação


 



 

Em linha recta


(pintura de Pamela Miller: Aqua origins 2)


 


 


Em linha recta

contornamos esquinas

colidimos a cada segundo

com a realidade das curvas

para o sonho dos poemas

das flores das cidades

dos abraços da vida

sem desvios.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...