06 abril 2008

Rigor na avaliação


 


Já aqui defendi, mais de uma vez, que o governo deveria fazer uma avaliação séria do seu desempenho, pois uma coisa é prometer medidas, outra muito diferente é implementá-las e outra ainda é avaliar a repercussão das mesmas. Infelizmente temo que a avaliação seja feita com as premissas de Vitalino Canas.


 


Mas não deveria ser apenas o governo a ser submetido a avaliação do desempenho. Os partidos da oposição, os sindicatos e outras forças vivas da sociedade  civil também o deveriam fazer. Com o mesmo rigor com que a exigem, e bem, ao governo.

Que continuem as reformas


 


Vale a pena ouvir e ler a entrevista de Ana Jorge, Ministra da Saúde, à TSF e ao DN. Nomeadamente sobre a reforma do SNS, a requalificação dos Serviços de Urgência, com ênfase no "problema" de Anadia, e sobre a reforma dos cuidados primários e continuados de saúde.


 


Exactamente o mesmo que Correia de Campos, apenas com outro estilo. Pelos vistos o estilo pode marcar uma diferença. O que muda não é a política, com excepção das parcerias público-privadas , mas os seus protagonistas.


 


Se as reformas avançarem, então José Sócrates tinha razão. Correia de Campos não se mostrou hábil na sua função, tenho que o reconhecer.


 


Fico muito satisfeita com o que se diz nesta entrevista e espero que o clima de descompressão se mantenha. Espero que a Ministra alie a sua serenidade à sua determinação.


 


Também há uma frase interessante no meio da entrevista: Se houve viragem à esquerda não foi minha.

05 abril 2008

Dissidente e outras coisas mais


 


Lê-se a correr, de fio a pavio, e fica-se à espera da continuação. Uma história que tem de tudo, muito bem contada.

Agonias

Há realmente muitos assuntos agoniantes, em termos políticos, sociais, económicos e o mais que nos lembrarmos. Mas há aspectos que chegam a ser embaraçosos de tão humilhantes. E que tal esta agonia, Dr. Luís Filipe Menezes?

Guerra civil

Ainda ninguém sabe que Pinto da Costa decretou o início da guerra civil, entre os fundadores de Portugal e os centralistas?

Tapetes

Enrolo tapetes mas não sei por que porta entrar. Ou que porta abrir. Se fizer colecção de cabelos talvez previna os cinzentos, mais que os brancos.
Deveriam ser logo brancos, sem rituais de passagem por cinzento ou outras cores baças e imóveis.

Dia eterno e invencível, aquele em que não encontramos certezas, aconchegos chá morno e silêncio cúmplice. Lá fora as folhas rodopiam antes de nos bater na cara. É melhor cá dentro, antes que a porta se abra, atrás da porta bem fechada.

Enrolo os tapetes e sento-me sem decidir qual deve permanecer com as marcas de quem por cá passou.


 


30 março 2008

Alteração da hora


 


Talvez a razão primeira tenha sido a alteração da hora. Quando me levantei, lentamente porque devemos honrar as manhãs de Domingo, já eram quase horas de almoçar.

Ou seja, o meu dia precipitou-se em direcção à recuperação das funcionalidades horárias, mas sem tempo de o fazer. Tudo transladado para mais tarde, o café da manhã sem jornais, o almoço tardio sem café, a peregrinação semanal ao supermercado à velocidade da luz, arranquei com o TomTom totalmente preparado para a Rua do Açúcar, no Poço do Bispo, para assistir à penúltima representação de Lisboa Invisível, no Teatro Meridional.

Mas não contei com os maus augúrios astrais, com as ventanias em sentido contrário, e muito menos com as obras na zona ribeirinha de Lisboa, por alturas do Rossio, que levou a grandes enchentes de carros parados preguiçosamente em filas descomunais, com o TomTom desesperadamente a dizer-me para virar aqui e acolá, com as ruas fechadas e os Polícias a desviarem para círculos viciosos e concentrados de autocarros.

É claro que já não fui a tempo. Desliguei o TomTom e regressei a casa, onde cheguei mais de uma hora depois de ter partido.



Pelo caminho, enquanto irritadamente esperava nas filas, fui olhando e reparando que todos os cafés daquela zona da Baixa estão fechados, num Domingo, e que as ruas estão desertas de pessoas a pé, pois os turistas estão dentro dos autocarros panorâmicos.

O tão falado comércio tradicional não se adapta aos novos tempos e por isso morre. E morre também o centro de Lisboa.


 


Enfim, não se pode dizer que tenha sido uma bela tarde dominical.

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...