12 julho 2007

Obrigatório

A gente tem-se uns aos outros e mais nada - José Luís Peixoto
(4 a 29 de Julho - Teatro Meridional - quarta a domingo, às 22 horas - Rua do Açúcar, Poço do Bispo)

Matemática

As notas nos exames de Matemática do 9º ano foram catastróficas.

Não era possível esperar que um ano, por muito boa vontade e por muitos programas de incentivo e de recuperação que se fizessem, fosse suficiente para se ver qualquer diferença, em qualquer ano de exames.

A Ministra da Educação não teve o discernimento de não embandeirar em arco com a ligeira melhoria nos exames do 12º ano. Esperemos que tenha o discernimento de não desistir, de aprofundar e motivar ainda mais os professores, os alunos e os pais para o trabalho, fazendo uma criteriosa análise do que correu bem e do que correu mal.

É com esforço, trabalho e verdade, sem demagogias facilitadoras nem alarmistas, que se pode avançar um pouco mais.

A educação de qualidade deve ser um paradigma do serviço público.

Tudo e nada

Tenho livros que se abrem
letras que se procuram
olhos de outros
que apregoam sinos
ecos vorazes
que abanam rumos.

Tenho árvores à espera
de frutos doces
que caem fortes
e maduros.

Tenho tudo
e tudo me falta.

(pintura de Jonn Herschend: Nothing is Where I left it)

Vermelho e negro

Depois do último post, estas cores são as apropriadas.

(socialista, republicana, anti clerical, facção Manuel Alegre, herdeira da facção do saudoso Raul Rego)

(pintura de Paul Brent: Red Cityscape)



  • Adenda: afinal ficou azul, vermelho e negro...

A Concordata

Muito se tem falado indignadamente, e tomando as dores da Igreja Católica, que se ofendeu com o Estado na figura do Primeiro-Ministro, por não perceber atitudes do governo que não estão em consonância com o espírito abnegado da Santa Madre Igreja, no que respeita ao seu estatuto enquanto defensora dos fracos, dos pobres e dos oprimidos, pois até se revolta contra o clima de medo e a prepotência destes socialistas maioritários.

No entanto, se quisermos saber exactamente quais as razões da zanga não percebemos, pois há apenas vagas referências a diminuição de apoios nos ATLs, ao não reconhecimento do grande papel da Universidade Católica no ensino superior do país, ao direito constitucional de se ser apoiado religiosamente nos hospitais e nas casernas.

Sempre me intrigou que num país em que há uma Constituição que diz:

  • Artigo 13.º
    (Princípio da igualdade)
    1. Todos os cidadãos têm a mesma dignidade social e são iguais perante a lei.
    2. Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual. (...)

E há uma lei de liberdade religiosa que também diz:

  • Artigo 2.º - Princípio da igualdade
    1 — Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, perseguido, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever por causa das suas convicções ou prática religiosa.
    2 — O Estado não discriminará nenhuma igreja ou comunidade religiosa relativamente às outras.
    Artigo 3.º - Princípio da separação
    As igrejas e demais comunidades religiosas estão separadas do Estado e são livres na sua organização e no exercício das suas funções e do culto.
    Artigo 4.º - Princípio da não confessionalidade do Estado
    1 — O Estado não adopta qualquer religião nem se pronuncia sobre questões religiosas.
    2 — Nos actos oficiais e no protocolo de Estado será respeitado o princípio da não confessionalidade.
    3 — O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes religiosas.
    4 — O ensino público não será confessional. (...)

E depois há uma Concordata, que diz, por exemplo:

  • Artigo 19
    1. A República Portuguesa, no âmbito da liberdade religiosa e do dever de o Estado cooperar com os pais na educação dos filhos, garante as condições necessárias para assegurar, nos termos do direito português, o ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior, sem qualquer forma de discriminação.
    2. A frequência do ensino da religião e moral católicas nos estabelecimentos de ensino público não superior depende de declaração do interessado, quando para tanto tenha capacidade legal, dos pais ou do seu representante legal. (...)

E as outras religiões? E os ateus? E os agnósticos? Será que o governo se vai penitenciar?

Quem não tem que fazer...


...faz colheres.

(Stuart King: sycamore spoons)

11 julho 2007

Sem interesse nenhum

Não percebo a bonomia (com raras excepções) com que o livro de João Ramos de Almeida (Eleições viciadas? – O frágil destino dos votos – Autárquicas de 2001 em Lisboa.). Não li o livro mas, a julgar pelo que li na blogosfera e ouvi a Marcelo Rebelo de Sousa (no último domingo), parece ter havido engenharias eleitorais, que terão permitido alterar o resultado das eleições, insinuando-se que haveria estrategas da noite que saberiam, se não teriam mesmo provocado, as tais engenharias.

E todos acham isso normal? Onde estão os pedidos de esclarecimentos, investigações, inquéritos, acusações e contra acusações?

Provavelmente isto também não é muito importante, assim como não deve ser importante limpar as listas eleitorais. Não deve interessar mesmo nada.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...