16 maio 2007

De perto

Nesta distância de te amar
olhos na memória dos teus
mãos que procuram as tuas
em gestos banalizados
o vinho no copo de tão natural
a partilha do pão do riso do sal
de todo este tempo
a qualquer distância
de te amar.

(pintura de Marc Chagall: Wedding)

15 maio 2007

Outras paragens


Nos próximos dias estarei mergulhada noutras paragens, noutra língua, noutras ciências.

Pode ser que consiga vir aqui espreitar, de fugida.

Fitas



De facto já percebi as razões que levaram à colocação de parras em frente ao sexo das figuras nuas, fossem elas estátuas ou pinturas. O fundamentalismo e o politicamente correcto, a hipocrisia e a idiotice, que já levou a substituir o cigarro de Lucky Luke por uma palhinha, estão em alta e em perigoso avanço!

Intercalares na governação


José Sócrates resolveu o problema. Substituiu António Costa por Rui Pereira, uma pessoa com prestígio e uma imagem de competência e rigor, embora me pareça no mínimo estranho abandonar-se um cargo que se ocupou há apenas um mês...

Por outro lado, se for verdade que Luís Amado será o número dois do governo, também parece ser uma boa escolha.

Mas o peso político de António Costa e a existência de um ser pensante com valor intrínseco próprio ao lado de Sócrates pode ter-se perdido. E é um luxo a que o país e o próprio primeiro-ministro não se podem dar. O deserto e a aridez aumentam em torno dele. Vai ficando cada vez mais rodeado de aparelho e aparelhistas.

Para Lisboa é uma boa notícia. Helena Roseta teve, para já, esse mérito. A marcação das eleições para dia 1 de Julho inviabilizam, na prática, candidaturas independentes. É um gesto de uma democraticidade muito duvidosa. Mas será que Helena Roseta ainda tem espaço político para se defender em eleições? A hipótese de coligação à esquerda é impossível, até pela indisponibilidade dos próprios partido comunista e bloquistas.

Mas se Helena Roseta tiver uma boa lista, constituída por pessoas credíveis e com vontade de trabalhar, pode fazer alguma mossa ao PS.

Considero o aparecimento de candidaturas independentes um bálsamo. Mais uma vez o PS e, mais precisamente Sócrates, meteram os pés pelas mãos. A solução que arranjaram é de peso, mas de um enorme risco para o país.

Quanto ao PSD, até faz pena. Palavra que faz pena!

11 maio 2007

Mourão

Das casas
o branco

e o verde
dos jardins

Diz-me
o que darias

por um pássaro
assim

(poema de João Pedro Mésseder; pintura de F Lobo: Alentejo)

Sócrates na câmara (escura?)

Acordei hoje com o Rádio Clube Português e a bombástica notícia da iminente candidatura de António Costa à Câmara lisboeta. Luís Osório assegurou que tinha informações seguras de que António Costa já tinha aceite, analisando satisfeito que o PS queria mesmo ganhar as eleições.

À medida que o dia foi avançando a notícia diluiu-se, nos jornais on-line nada se diz, discute-se nalguns bogues a sageza da decisão de Sócrates, avançam-se nomes como Silva Pereira para a substituição de António Costa mas, na verdade, fica-se com a suspeita de que esta foi uma manobra de diversão lançada, talvez, por alguns sectores dentro do PS, e que nada está confirmado.

Ganhar a Câmara de Lisboa no meio da legislatura é muito importante para o PS, principalmente porque estas eleições têm sempre uma dimensão nacional.

Mas há o risco de as perder, mesmo com António Costa. O que significaria uma aposta muito forte, perdida, com custos elevadíssimos também no governo que, irremediavelmente, teria que ser remodelado.

Silva Pereira não tem a dimensão política de António Costa. Não me parece nada bem que seja esta a solução de Sócrates. A não ser que esteja desesperado, e o desespero nunca foi bom conselheiro.

Adenda: Não é verdade que a notícia não esteja nos jornais on-line, pelo menos agora. Tanto o Expresso, como o Jornal de Notícias, como o Público, como o Sol, referem a hipótese de António Costa.

10 maio 2007

A arrogância da quietude

Escritos de luz invadem a sombra, mais prodigiosos do que meteoros.
A alta cidade irreconhecível avança sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, contemplo os ambiciosos e desejo entendê-los.
O seu dia é ávido como o laço no ar.
A sua noite é a trégua da ira no ferro, pronto a acometer.
Falam de humanidade.
A minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma penúria.
Falam de pátria.
A minha pátria é um palpitar de guitarra, uns retratos e uma velha espada, a prece clara do salgueiral ao entardecer.
O tempo vive-me.
Mais silencioso do que a minha sombra, cruzo o tumulto da sua exaltada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã.
O meu nome é alguém e qualquer um.
Caminho com lentidão, como quem vem de tão longe que não tem esperança de chegar.


(poema de Jorge Luis Borges)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...