11 maio 2007

Mourão

Das casas
o branco

e o verde
dos jardins

Diz-me
o que darias

por um pássaro
assim

(poema de João Pedro Mésseder; pintura de F Lobo: Alentejo)

Sócrates na câmara (escura?)

Acordei hoje com o Rádio Clube Português e a bombástica notícia da iminente candidatura de António Costa à Câmara lisboeta. Luís Osório assegurou que tinha informações seguras de que António Costa já tinha aceite, analisando satisfeito que o PS queria mesmo ganhar as eleições.

À medida que o dia foi avançando a notícia diluiu-se, nos jornais on-line nada se diz, discute-se nalguns bogues a sageza da decisão de Sócrates, avançam-se nomes como Silva Pereira para a substituição de António Costa mas, na verdade, fica-se com a suspeita de que esta foi uma manobra de diversão lançada, talvez, por alguns sectores dentro do PS, e que nada está confirmado.

Ganhar a Câmara de Lisboa no meio da legislatura é muito importante para o PS, principalmente porque estas eleições têm sempre uma dimensão nacional.

Mas há o risco de as perder, mesmo com António Costa. O que significaria uma aposta muito forte, perdida, com custos elevadíssimos também no governo que, irremediavelmente, teria que ser remodelado.

Silva Pereira não tem a dimensão política de António Costa. Não me parece nada bem que seja esta a solução de Sócrates. A não ser que esteja desesperado, e o desespero nunca foi bom conselheiro.

Adenda: Não é verdade que a notícia não esteja nos jornais on-line, pelo menos agora. Tanto o Expresso, como o Jornal de Notícias, como o Público, como o Sol, referem a hipótese de António Costa.

10 maio 2007

A arrogância da quietude

Escritos de luz invadem a sombra, mais prodigiosos do que meteoros.
A alta cidade irreconhecível avança sobre o campo.
Seguro da minha vida e da minha morte, contemplo os ambiciosos e desejo entendê-los.
O seu dia é ávido como o laço no ar.
A sua noite é a trégua da ira no ferro, pronto a acometer.
Falam de humanidade.
A minha humanidade está em sentir que somos vozes de uma mesma penúria.
Falam de pátria.
A minha pátria é um palpitar de guitarra, uns retratos e uma velha espada, a prece clara do salgueiral ao entardecer.
O tempo vive-me.
Mais silencioso do que a minha sombra, cruzo o tumulto da sua exaltada cobiça.
Eles são imprescindíveis, únicos, merecedores do amanhã.
O meu nome é alguém e qualquer um.
Caminho com lentidão, como quem vem de tão longe que não tem esperança de chegar.


(poema de Jorge Luis Borges)

09 maio 2007

E agora, Lisboa!

Helena Roseta desistiu do PS. É natural, muitos de nós estamos a desistir do PS, mesmo os que não são militantes.

Tudo o que se tem passado na Câmara de Lisboa é uma vergonha para todos os partidos. Não se pode conceber que o calculismo político, os arranjinhos, as cobardias e o aparelhismo tolham desta forma a governação da capital do país.

É bom e meritório que ainda existam pessoas que estejam dispostas a lutar pelas suas ideias, que tenham ambição de participar porque acreditam nelas e nas suas propostas, à margem do emperramento partidário.

Seria muitíssimo bom que se gerassem grupos de cidadãos que se mobilizassem e apoiassem essas pessoas. A tal sociedade civil de que tanto se fala e que tão pouco se vê.

António Barreto, no seu último e excelente programa da série Portugal, Um Retrato Social, falou da administração pública, da falta de produtividade de toda a administração pública, da corrupção, do poder autárquico, dos interesses que se movem e se entrecruzam, dos que se sentem donos nos vários sectores da administração, da promoção do partidarismo e da falta de importância do mérito e da competência.

Mas não é obrigatório, não é preciso que assim seja. Há que perceber e que intuir que a administração pública é para servir o público, que os serviços existem para servir a população e não as classes profissionais que integram os vários sectores, que é possível fazer mais e melhor.

Os nossos governantes deveriam ser os primeiros a pensar no bem comum.

O PS e, especificamente, José Sócrates, têm uma enorme responsabilidade nesta trapalhada.
Quem é a figura que se prestará a concorrer como cabeça de lista? António José Seguro, João Soares, Manuel Maria Carrilho, Ana Gomes, Sérgio Sousa Pinto, António Vitorino (o eterno), Edite Estrela, Vitalino Canas, Maria de Belém? Quem será a misteriosa arma secreta?

E porque não Helena Roseta, enquanto ainda era militante do PS? Porque não tem currículo, peso político, porque é uma não alinhada?

Espero que haja outras pessoas a avançarem como independentes para as eleições intercalares em Lisboa, pessoas com vontade de trabalhar, que discutam as várias opções, as ideias que cada uma tem para a cidade, por exemplo Maria José Nogueira Pinto.

É tempo de abanar o status quo. E além disso, era muito mais interessante!

08 maio 2007

Em França

As eleições francesas foram uma demonstração de participação cívica e de vivência democrática, com 16,23% de abstenção. Houve uma campanha viva, digladiaram-se argumentos e ideias de esquerda e de direita. Foi uma campanha ideológica.

Os franceses decidiram votar em Sarkozy; ele ganhou as eleições, Ségolene perdeu-as. Os apoiantes de Ségolene deverão aceitar os resultados naturalmente, como esperariam que os apoiantes de Sarkozy os aceitassem, caso se tivesse passado o contrário.

Nada justifica as manifestações violentas, o terrorismo urbano, a delinquência mascarada de actividade política. Isto não é luta política.

Gostaria de ver e ouvir a esquerda condenar vivamente o recrudescimento da violência, após as eleições, gostaria que a esquerda se demarcasse totalmente destes atentados à segurança das populações, à própria essência do ideal democrático.

07 maio 2007

Volver

Yo adivino el parpadeo
de las luces que a lo lejos van
marcando mi retorno
son las mismas que alumbraron
con sus palidos reflejos
hondas horas de dolor
y aunque no quize el regreso
siempre se vuelve a su primer amor
la quieta calle, donde el eco dijo
tuya es mi vida, tuyo es mi querer
bajo el burlon, mirar de las estrellas
que con indiferencia, hoy me ven volver

Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombras te busca y te nombra
Vivir con el alma aferrada a un dulce recuerdo
que no ha de volver.

Tengo miedo el encuentro con el pasado
que vuelve a enfrentarse con mi vida
tengo miedo de las noches que pobladas
de recuerdos encadenan mi sufrir
pero el viajero que huye,
tarde o temprano detiene su andar
mas el olvido que todo destruye
haya matado mi vieja ilusion
Cual escondida la esperanza humilde
es toda la fortuna de mi corazon.

Volver con la frente marchita
las nieves del tiempo, platearon mi sien
sentir que es un soplo la vida,
que 20 años no es nada
que febril la mirada
errante en la sombras te busca y te nombra
Vivir con el alma aferrada a un dulce recuerdo
que no ha de volver.

(Estrella Morente)

Lisboa a votos?


Finalmente?
Será que é verdade?
E de todos os órgãos camarários?
Ou são só intenções?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...