05 maio 2007

Voltar

Estiquei todos os músculos, até ao limite do possível, após horas e horas de sono, encaracolado e profundo. Amanhã é dia de retomar viagens, caminhadas, físicas de quilómetros, mentais à velocidade da luz. Retemperar.

Para tanto não preciso de mais que dos braços que me esperavam, da cumplicidade de quem me quer. A vida é feita de partidas e gestos dolorosos, mas os reencontros reavivam a chama, movem mundos e abrem mares, que nos deixam voltar.

01 maio 2007

Granito

Gasto nos ombros
as forças tensas
do tempo a passar
por dentro de mim.

Com esforço inevitável
espreito hesito
na dor de continuar.
Estendo as mãos
em asas
pesadas como granito.
Ergo o corpo
ensaio o grito
preparo-me para voar.


(escultura de John Bernard Flannagan: The Early Bird)

O 1º de Maio

Comemorei o dia do trabalhador a trabalhar. Porque precisava, porque tinha que ser. Durante o caminho fui ouvindo várias frases desgarradas, várias considerações sobre o sindicalismo e os sindicalistas, sobre a relação entre os patrões e os empregados.

Desde que me lembro, o 1º de Maio enche-se de manifestações cuidadosamente programadas para lutar politicamente contra os governos, quaisquer que eles sejam. E desde que me lembro, os oradores são praticamente os mesmos, as frases praticamente as mesmas, as faixas, os cartazes, as palavras de ordem, os lamentos e as promessas de luta, tudo igual.

O mundo mudou e muda todos os dias. O problema do trabalho, ou mais precisamente da ausência dele, é dos maiores desafios que se colocam à sociedade que vamos construindo. O paradigma do trabalho para toda a vida acabou, há milhares de pessoas a quem é negado esse direito.

Para quem tem emprego, a insegurança dos postos de trabalho é cada vez maior e o uso que as entidades patronais fazem dessa insegurança é cada vez mais preocupante.

Tal como no início do movimento sindical, a mobilização dos trabalhadores em volta de associações que os protejam e os defendam é hoje uma necessidade avassaladora.

Mas não nestes sindicatos que avaliam a sociedade com os olhos de há 30 anos, não com estes sindicalistas que não conhecem o trabalho, as suas condições, a sua competitividade, a sua falta de ética, porque efectivamente são funcionários administrativos no seu próprio sindicato.

Rigor e a exigência devem ser a bandeira de quem diz defender os trabalhadores, a formação, a competitividade, os bons resultados, a exaltação do mérito. Só assim podem exigir exactamente o mesmo das direcções das empresas, dos directores dos serviços, dos patrões, dos ministros, dos governos.

Os sindicatos devem ser associações que dialoguem com seriedade e com verdade com os representantes do poder instituído, para que impeçam e denunciem as arbitrariedades que vão sendo cometidas, sem respeito nem preocupação pelo futuro das empresas e de quem lá trabalha.

É necessário um movimento sindical renovado, que defenda verdadeiramente o trabalho e lute por condições dignas numa sociedade em que as regras da solidariedade se vão esquecendo, e em que a lei parece estar sempre do lado do mais forte.

29 abril 2007

28 abril 2007

A Curva

Alguém tem de aparecer naquela curva
mesmo que se não saiba o que é depois
se estrada larga ou morte ou água turva
se solidão ou um a ser já dois

A vida toda em sonho a esperar sempre
naquela curva não importa quem
alguém que diga o quê e saia ou entre
ainda que depois não mais ninguém.

Alguém há-de aparecer alguém que aponte
quem sabe se um aquém ou se um além
ou nada mais senão o horizonte
daquela curva onde se espera alguém.


[poema de Manuel Alegre (Doze Naus); pintura de Oswaldo Barahona: Vías y Cruces]

Subliminar

Ao ouvir o Expresso da Meia-Noite, onde Ricardo Costa cada vez opina mais e ouve menos, Luís Delgado chamou a atenção para a falta de conhecimento que Almerindo Marques tinha de empresas de comunicação, quando foi para a RTP, em resposta à indignação de Ricardo Costa pela abusiva (segundo ele) comparação entre Pina Moura, que não sabe nada do assunto, e Pinto Balsemão, que sempre foi jornalista. Também houve alguém, já não me lembro quem, que recordou o facto de, noutros países, haver alinhamentos editoriais políticos e ideológicos, o que não retirava credibilidade e rigor à informação. Ao que Ricardo Costa (outra vez ele) contrapôs que o que era importante era o controle económico das empresas de comunicação.

Pois, eu também acho, o controle económico é que é muito importante. Mas a TVI é uma estação privada, controlada por uma empresa privada, e quem não gostar, não vê!

Ou será que o governo, José Sócrates, ou mesmo o PSOE, vão obrigar os portugueses a ver a TVI e a acreditar piamente em tudo o que ela disser?

Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa vai de mal a pior. Todos falam do PSD e de Carmona Rodrigues que, sem dúvida, deveriam perceber que as eleições intercalares são inevitáveis.

Mas o que esperam os partidos da oposição? Porque não assumem eles o papel de precipitar a ida a votos?

O PS não tem candidato (ele é tão secreto que não deve existir!); qual é a desculpa dos outros?

Pois é, as eleições até parece que não caem bem a ninguém. A governação da cidade de Lisboa é mesmo o que menos importa!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...