Tenho-me abstido de tecer considerações sobre o que se vai passando na área da saúde. Não porque me tenha desinteressado mas porque, quando me sinto a ficar obcecada por um determinado assunto, gosto de parar, ouvir e ler o que outros pensam. Há alguns excelentes blogues sobre este tema, com opiniões com que eu concordo, outras de que discordo, mas que me dão sempre novas perspectivas e abordagens diferentes das diversas polémicas que vão surgindo.
Uma das razões do meu silêncio é o facto de, cada vez com mais estupefacção e maior preocupação, estar a tentar descortinar qual a política de saúde que este ministro e este governo querem seguir.
Em geral tenho estado de acordo com a tentativa de reorganização do SNS, com a reestruturação dos serviços de urgência, a concentração de recursos, a tentativa de melhorar a eficácia dos serviços.
No entanto não percebo algumas situações que parecem recuos, depois deixam de parecer, depois mudam, enfim, manobras de distracção versus percurso errático do ministro.
O recuo na definição das incompatibilidades entre o público e o privado é, quanto a mim, um erro clamoroso e que o ministro vai pagar muito caro. Pelo contrário deveria, de uma vez por todas, assumir a total separação entre o público e o privado, fomentando uma verdadeira complementaridade e competição saudáveis. Querer agradar a gregos e a troianos, ensaiando entradas de leão para depois ter saídas de sendeiro, é o que parece ser a sua estratégia.
Relativamente aos acordos com os diversos municípios, no que diz respeito à reorganização dos serviços de urgência, após a publicação de alguns desses acordos em Fevereiro, só no passado dia 13 (que me tenha dado conta) foram publicados outros protocolos entre o ministério e vários municípios (ainda não tive tempo de os analisar cuidadosamente). Mas o que se está a passar com o Hospital de Curry Cabral?
Outro assunto muito interessante, e objecto de um artigo publicado já há uns meses (Setembro de 2006) no Portal da Saúde, é o do alargamento dos horários de funcionamento dos hospitais, para aumentar o número de consultas externas devido à enorme lista de espera das mesmas.
O alargamento dos horários nos hospitais, agora a ser implementados, mais do que um instrumento de redução das listas de espera para consultas (aliás é muito questionável se essas consultas deveriam ser feitas em hospitais ou se deveriam ser feitas em centros de saúde com consultas de especialidade, ou nas modernas USF), deveria ser um meio para aumentar a produtividade de todos os serviços e rentabilizar espaços, equipamentos e meios humanos.
Para que haja blocos operatórios, consultas externas, laboratórios de patologia, anatomia patológica e imagem, enfim, todo um hospital a funcionar das 8:00 às 20:00h, são necessários médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, secretários de unidade e auxiliares de acção médica em horários desfasados, por turnos, e de tal forma que haja algumas horas em que todos os elementos dos serviços estejam presentes, para se manter uma coesão dentro dos serviços e dentro do próprio hospital e para se mater a formação pré e pós graduada.
Parece que, afinal, o objectivo não é propriamente esse, até porque o aumento de cirurgias aumenta a despesa hospitalar, o que está proibido. Por outro lado, para manter um hospital a funcionar a tempo inteiro, são necessários mais profissionais, o que também está proibido.
Ou seja, o objectivo final é garantir a presença de médicos até às 20:00, para deixar de pagar horas extra a quem assegura atendimento urgente nas enfermarias (para além dos serviços de urgências gerais, abertos ao exterior).
Estas medidas de poupança pura e simples, mascaradas de medidas importantes e de fundo, entristecem e desmotivam os profissionais, e descredibilizam o governo. Se não é essa a intenção do ministério da saúde, então talvez não fosse má ideia o ministro precisar as suas orientações e verificar a forma como estão a ser entendidas e cumpridas.
Uma das razões do meu silêncio é o facto de, cada vez com mais estupefacção e maior preocupação, estar a tentar descortinar qual a política de saúde que este ministro e este governo querem seguir.
Em geral tenho estado de acordo com a tentativa de reorganização do SNS, com a reestruturação dos serviços de urgência, a concentração de recursos, a tentativa de melhorar a eficácia dos serviços.
No entanto não percebo algumas situações que parecem recuos, depois deixam de parecer, depois mudam, enfim, manobras de distracção versus percurso errático do ministro.
O recuo na definição das incompatibilidades entre o público e o privado é, quanto a mim, um erro clamoroso e que o ministro vai pagar muito caro. Pelo contrário deveria, de uma vez por todas, assumir a total separação entre o público e o privado, fomentando uma verdadeira complementaridade e competição saudáveis. Querer agradar a gregos e a troianos, ensaiando entradas de leão para depois ter saídas de sendeiro, é o que parece ser a sua estratégia.
Relativamente aos acordos com os diversos municípios, no que diz respeito à reorganização dos serviços de urgência, após a publicação de alguns desses acordos em Fevereiro, só no passado dia 13 (que me tenha dado conta) foram publicados outros protocolos entre o ministério e vários municípios (ainda não tive tempo de os analisar cuidadosamente). Mas o que se está a passar com o Hospital de Curry Cabral?
Outro assunto muito interessante, e objecto de um artigo publicado já há uns meses (Setembro de 2006) no Portal da Saúde, é o do alargamento dos horários de funcionamento dos hospitais, para aumentar o número de consultas externas devido à enorme lista de espera das mesmas.
O alargamento dos horários nos hospitais, agora a ser implementados, mais do que um instrumento de redução das listas de espera para consultas (aliás é muito questionável se essas consultas deveriam ser feitas em hospitais ou se deveriam ser feitas em centros de saúde com consultas de especialidade, ou nas modernas USF), deveria ser um meio para aumentar a produtividade de todos os serviços e rentabilizar espaços, equipamentos e meios humanos.
Para que haja blocos operatórios, consultas externas, laboratórios de patologia, anatomia patológica e imagem, enfim, todo um hospital a funcionar das 8:00 às 20:00h, são necessários médicos, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, secretários de unidade e auxiliares de acção médica em horários desfasados, por turnos, e de tal forma que haja algumas horas em que todos os elementos dos serviços estejam presentes, para se manter uma coesão dentro dos serviços e dentro do próprio hospital e para se mater a formação pré e pós graduada.
Parece que, afinal, o objectivo não é propriamente esse, até porque o aumento de cirurgias aumenta a despesa hospitalar, o que está proibido. Por outro lado, para manter um hospital a funcionar a tempo inteiro, são necessários mais profissionais, o que também está proibido.
Ou seja, o objectivo final é garantir a presença de médicos até às 20:00, para deixar de pagar horas extra a quem assegura atendimento urgente nas enfermarias (para além dos serviços de urgências gerais, abertos ao exterior).
Estas medidas de poupança pura e simples, mascaradas de medidas importantes e de fundo, entristecem e desmotivam os profissionais, e descredibilizam o governo. Se não é essa a intenção do ministério da saúde, então talvez não fosse má ideia o ministro precisar as suas orientações e verificar a forma como estão a ser entendidas e cumpridas.




