20 abril 2007

Meritocracia

Ontem terá sido aprovada, em Conselho de Ministros, a proposta de lei que institui o sistema integrado de gestão e avaliação do desempenho na Administração Pública.

Pelo que noticia o JN online, há quotas para avaliação dos desempenhos, pretendendo-se assim acabar com o sistema totalmente iníquo de não premiar o esforço e o trabalho de quem, efectivamente, o faz.

Sou totalmente a favor de um sistema de remuneração e progressão nas carreiras que dependa do valor individual e do esforço integrado para a valorização do colectivo, que cada trabalhador desenvolva, adaptado às funções que desempenha.

Para que isso seja possível, terá que haver transparência nos critérios de avaliação e, mais importante, tem que haver confiança no avaliador, por parte de quem é avaliado.

Infelizmente, temo que a uma iniquidade se sigam outras. A forma como a maioria das chefias são nomeadas e, mais importante, a forma como se mantém a confiança dos nomeados, está, na maioria dos casos, inquinada por compadrios, troca de favores e abuso de poder.

Qual o sistema de avaliação das próprias chefias? Que garantia de equidade e imparcialidade têm os trabalhadores na hora da sua avaliação? A quem se poderão dirigir se sentirem que estão a ser marginalizados por causas distantes das estritamente profissionais?

É essencial que a avaliação das chefias tenha um componente não negligenciável de uma avaliação a 360 graus, ou seja, os dirigentes serem avaliados pelos trabalhadores. Caso essa possibilidade não seja acautelada, com a cada vez menor segurança de emprego, assistiremos a prepotências crescentes, corrupção de pacotilha e abuso da parte dos empregadores.

Estamos quase a comemorar 33 anos da revolução de Abril. Nunca haverá vivência plena dos ideais de Abril sem que se cumpra o D de Desenvolvimento. E a liberdade não pode ser manietada pelos pequenos ditadores que se sentem reis nos seus pequenos quintais públicos, com a impunidade a que hoje se assiste.

Avaliemos sim, com critério, com rigor, com competência, a começar por quem dirige.

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