19 janeiro 2007

Excomunhão

De vez em quando, é preciso um toque de humor, irrealidade e anacronismo de que só alguns são capazes, e nunca nos decepcionam!

Desilusão

A esperança que se apossou de muitos de nós ao ver este governo assumir posições incómodas e a tomar medidas duras, mas que se impunham, nomeadamente na tentativa de servir o interesse público em vez do interesse de algumas corporações, que finalmente iríamos ter um governo que faria a diferença, está a decrescer à velocidade da luz.

A credibilidade do governo está todos os dias a perder-se. Os voos da CIA e a total e incompreensível ausência de respostas do governo, aliado à campanha anti Ana Gomes, as dúvidas do Tribunal de Contas relativamente aos resultados de 2005, os lamentáveis episódios em tudo o que envolve a protecção de menores, desde as equipas de diagnóstico e acompanhamento até às decisões judiciais, os processos que são muito aplaudidos, muito comentados para depois se esvaziarem e morrerem, os avanços de leão e as saídas de sendeiro do Ministro da Saúde, com orgulhos inapropriados por tremendo erros políticos e afirmações sorridentes que desmentem outras afirmações não menos sorridentes feitas anteriormente.

Qual é o rumo deste governo? O que pretende? Qual o alcance do silêncio mal gerido, ou de ensaios mediáticos e grandiloquentes?

É a desilusão cíclica e repetida que afasta a tão proclamada sociedade civil da intervenção, da cidadania e da política.

Mas esta desilusão dói mais quando é causada por aqueles que pensávamos partilharem as nossas ideias.

Não sou uma mulher de fé. Mas agora só me resta... acreditar.

18 janeiro 2007

Pátria

Soube da definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
as linhas que no mapa da memória
a mestra palmatória
desenhou.

Hoje
sei apenas gostar
duma nesga de terra
debruada de mar.


(poema de Miguel Torga; pintura de Paula Rego: a dança)

17 janeiro 2007

Ofertas originalíssimas

Nestes tempos maravilhosos da explosão tecnológica, em que já podemos squenciar o nosso próprio DNA, único e transmissível à nossa descendência, já há quem faça negócio a vender ideias para ofertas: T-sirts estampadas com a foto da nossa dupla hélice, quadros com a sequenciação fotografada ou pintada, colares de DNA, efim, é só dar asas à imaginação!

O Vírus que se fala (2)

É claro que a descoberta de uma vacina que impeça a infecção persistente pelos vários tipos de VPHar significaria o fim das lesões pré cancerosas e dos cancros associados a estes vírus.

Mas as coisas são ligeiramente mais complicadas. É verdade que cerca de 75% das lesões pré cancerosas e cancros estão associadas aos VPHar tipos 16 e 18. Mas os restantes 25% estão associados a outros tipos virais.

Para complicar um pouco mais também se sabe que os tipos virais têm distribuições geográficas diferentes: os tipos mais frequentes no continente americano são diferentes dos mais frequentes na Europa Central, que são diferentes dos da Europa de Leste, que são diferentes dos de África, que são diferentes dos da Ásia. Em Portugal, que é um país com grande mistura populacional, com gentes de todas as áreas geográficas, e com grande mistura de populações, não se sabe bem quais são os tipos mais frequentes.

A vacina que está comercializada é tetravalente, o que significa que é activa para 4 tipos virais: 2 VPHbr (6 e 11) e 2 VPHar (16 e 18). Até agora não se demonstrou que essa vacina fosse activa para outros tipos virais, estando a ser desenvolvidas vacinas com mais de 4 tipos de VPH.

Ou seja, a eficácia da vacinação nas raparigas, administrada antes da puberdade, só será demonstrada dentro de 15, 20 anos. Se não se sabe quais os tipos de VPH mais frequentes na população portuguesa, esta vacina pode ser mais ou menos eficaz.

É preciso ter a noção que a vacina não deve substituir os programas de rastreio de cancro do colo do útero, por análises às células ou por determinação da existência ou não de VPHar, pois pode estar a criar-se uma falsa noção de quem for vacinado está 100% seguro de não ter (aquele) cancro.

Por isso se entende a cautela dos serviços de saúde na ponderação da inclusão desta vacina no Plano Nacional de Vacinação.

para mais informação:



O Vírus de que se fala (1)

Já que se fala de HPV, gostaria de juntar o seguinte:

O Human Papilloma Vírus (HPV) ou, em português, Vírus do Papiloma Humano (VPH), é responsável por vários tipos de lesões verrucosas na pele (verrugas vulgares) e na mucosas (da boca, da laringe, do esófago, dos órgãos genitais – pénis, colo do útero, vagina), ânus, etc. (condilomas). Este vírus propaga-se por contacto directo (as verrugas multiplicam-se pela pele, habitualmente por contágio feito com as mãos do próprio, os condilomas nos órgãos genitais propagam-se por intermédio de contactos sexuais).

Há muitos tipos de VPH, ou seja, os que causam as verrugas na pele são diferentes dos que causam condilomas. Numa enorme percentagem de casos, embora as pessoas possam ser infectadas pelo vírus, o seu sistema imunitário fá-lo desaparecer rapidamente (clearence viral) e não chegam a desenvolver quaisquer lesões.

Isto é verdade para todas as infecções, nomeadamente as dos órgãos genitais. Assim, durante a vida sexual das mulheres e dos homens, há inúmeras infecções por VPH que são resolvidas sem qualquer problema.

Vários tipos de VPH estão associados ao desenvolvimento de lesões benignas – VPH de baixo risco (VPHbr), enquanto outros tipos estão associados ao desenvolvimento de lesões pré cancerosas e de cancros – VPH de alto risco (VPHar), neste momento já identificados 14. Estas infecções são muitíssimo frequentes, estimando-se que as mulheres entre os 25 e os 50 anos tenham 80% de probabilidade de ser infectadas por VPHar.

Estudos feitos em várias áreas geográficas demonstraram que, para que haja desenvolvimento de lesões pré cancerosas, é necessário que haja uma infecção viral persistente, o que acontece em cerca de 20% das infecções em mulheres com menos de 25 anos e em 50% de infecções em mulheres com mais de 50 anos.

Ou seja, apenas 6 a 11% das mulheres que tenham infecção persistente por VPHar desenvolvem lesões pré cancerosas, e destas apenas uma em cada mil mulheres (1/1000) terá um cancro.

Tudo isto para concluir que, embora todos os cancros do colo do útero (um dos cancros frequentes em mulheres) estejam associados a infecção por VPHar, ter infecção por VPHar só numa pequena percentagem de casos significa ter lesões pré cancerosas e, ainda em menor percentagem, cancro.

14 janeiro 2007

Nós, pessoas

As pessoas não são boas nem más. São pessoas.

Têm mais dúvidas que certezas quando, repentinamente, se questionam sobre assuntos em que nunca se detiveram a pensar. Assuntos que correm nas margens das suas vidas e que só as incomodam em raras ocasiões, todas súbitas, desastrosas, misteriosas, dolorosas, que as deixam momentaneamente desequilibradas.

Nos enormes intervalos em que vivem as vidas pesadas ou leves, sofridas ou alegres, iguais a tantas e todas as outras vidas que conhecem, sabem surdamente que esses assuntos são de evitar.

Não somos bons nem maus. Somos. Todos.


(pintura de Jose Garcia: people)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...