19 janeiro 2007

Desilusão

A esperança que se apossou de muitos de nós ao ver este governo assumir posições incómodas e a tomar medidas duras, mas que se impunham, nomeadamente na tentativa de servir o interesse público em vez do interesse de algumas corporações, que finalmente iríamos ter um governo que faria a diferença, está a decrescer à velocidade da luz.

A credibilidade do governo está todos os dias a perder-se. Os voos da CIA e a total e incompreensível ausência de respostas do governo, aliado à campanha anti Ana Gomes, as dúvidas do Tribunal de Contas relativamente aos resultados de 2005, os lamentáveis episódios em tudo o que envolve a protecção de menores, desde as equipas de diagnóstico e acompanhamento até às decisões judiciais, os processos que são muito aplaudidos, muito comentados para depois se esvaziarem e morrerem, os avanços de leão e as saídas de sendeiro do Ministro da Saúde, com orgulhos inapropriados por tremendo erros políticos e afirmações sorridentes que desmentem outras afirmações não menos sorridentes feitas anteriormente.

Qual é o rumo deste governo? O que pretende? Qual o alcance do silêncio mal gerido, ou de ensaios mediáticos e grandiloquentes?

É a desilusão cíclica e repetida que afasta a tão proclamada sociedade civil da intervenção, da cidadania e da política.

Mas esta desilusão dói mais quando é causada por aqueles que pensávamos partilharem as nossas ideias.

Não sou uma mulher de fé. Mas agora só me resta... acreditar.

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