É claro que a descoberta de uma vacina que impeça a infecção persistente pelos vários tipos de VPHar significaria o fim das lesões pré cancerosas e dos cancros associados a estes vírus.Mas as coisas são ligeiramente mais complicadas. É verdade que cerca de 75% das lesões pré cancerosas e cancros estão associadas aos VPHar tipos 16 e 18. Mas os restantes 25% estão associados a outros tipos virais.
Para complicar um pouco mais também se sabe que os tipos virais têm distribuições geográficas diferentes: os tipos mais frequentes no continente americano são diferentes dos mais frequentes na Europa Central, que são diferentes dos da Europa de Leste, que são diferentes dos de África, que são diferentes dos da Ásia. Em Portugal, que é um país com grande mistura populacional, com gentes de todas as áreas geográficas, e com grande mistura de populações, não se sabe bem quais são os tipos mais frequentes.
A vacina que está comercializada é tetravalente, o que significa que é activa para 4 tipos virais: 2 VPHbr (6 e 11) e 2 VPHar (16 e 18). Até agora não se demonstrou que essa vacina fosse activa para outros tipos virais, estando a ser desenvolvidas vacinas com mais de 4 tipos de VPH.
Ou seja, a eficácia da vacinação nas raparigas, administrada antes da puberdade, só será demonstrada dentro de 15, 20 anos. Se não se sabe quais os tipos de VPH mais frequentes na população portuguesa, esta vacina pode ser mais ou menos eficaz.
É preciso ter a noção que a vacina não deve substituir os programas de rastreio de cancro do colo do útero, por análises às células ou por determinação da existência ou não de VPHar, pois pode estar a criar-se uma falsa noção de quem for vacinado está 100% seguro de não ter (aquele) cancro.
Por isso se entende a cautela dos serviços de saúde na ponderação da inclusão desta vacina no Plano Nacional de Vacinação.
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