Ao ouvir o cd de Fernando Lopes Graça, no meu escritório de paredes brancas, sinto-me numa catedral, com o mesmo fervor que sentem os verdadeiros crentes. Há uma religiosidade, um ascetismo, uma simplicidade, um rigor monástico, uma pureza de visionários, um sentido missionário naqueles versos, naquele piano incisivo, naquelas vozes heróicas, que me faz estremecer, socialista, republicana, anti clerical que sou.A liturgia da solidariedade, do hino à esperança, da apologia a uma sociedade de homens novos, mais livres, mais fraternos, mais justos, a certeza da verdade, da vitória no combate, os versículos que comandam, os coros que seguem com entusiasmo crescente, um autêntico ritual de fé, absolutamente arrebatador e comovedor.
JORNADA
Solo
Não fiques para trás, ó companheiro,
é de aço esta fúria que nos leva.
Pra não te perderes no nevoeiro,
segues os nossos corações na treva.
Coro
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.
Solo
Aqueles que se percam no caminho,
que importa! Chegarão no nosso brado.
Porque nenhum de nós anda sozinho,
e até mortos vão a nosso lado.
Coro
Vozes ao alto!
Vozes ao alto!
Unidos como os dedos da mão
havemos de chegar ao fim da estrada,
ao sol desta canção.
(poema de José Gomes Ferreira; música de Fernando Lopes Graça - Canções Heróicas, Canções Regionais Portuguesas - Coro da Acadmia de Música Fernando Gomes e Olga Prats - EMI-Valentim de Carvalho, Música, Lda, 1995)




