Não há dúvida que há sectores da nossa sociedade e da nossa economia que se consideram intocáveis.Quando surgiram as primeiras notícias sobre um eventual aumento de carga fiscal para o sector bancário, previsto no Orçamento de Estado (OE) de 2007, João Salgueiro fez ver ao governo e ao país, não por estas palavras mas com este aviso, que a banca sabe bem como contornar a lei para que os impostos lhe sejam mais leves, o que lhe ficou bastante mal, para não dizer que foram umas declarações arrogantes e de “chico-espertice” que não se esperavam de alguém com a responsabilidade de João Salgueiro.
Nestes últimos anos, com o advento da tão conhecida e estafada crise, a vida não tem sido fácil para uma grande parte da população, principalmente da conhecida classe média, onde se engloba o tão pesado, ineficaz e gastador funcionalismo público.
Nunca ouvi João Salgueiro acusar Sócrates de arrogância e de peronismo, quando este afirma que é necessário reduzir, redimensionar e reorganizar o estado, quando se preparam medidas que vão facilitar os despedimentos na função pública, quando houve congelamento dos salários e da progressão automática nas carreiras, quando afronta professores, sindicatos, médicos, farmacêuticos, juízes e outras corporações, independentemente da justeza ou da injustiça da afronta.
Mas quando se pretende uma aproximação mais que justificada entre os encargos fiscais da banca e os dos outros contribuintes, mais uma vez João Salgueiro vem a público, denunciar as manobras estratégicas e pouco aceitáveis (para ele) deste governo.
Mesmo que seja um gesto simbólico, a justiça fiscal é um dos elementos mais importantes na credibilidade de qualquer governo que tenha necessidade de impor restrições às populações. Ainda por cima em sectores que estão tudo menos deficitários, não é aceitável que não se exija exactamente o mesmo esforço que se exige a todos os outros cidadãos.




