16 outubro 2006

A Bíblia

A Bíblia é um livro fundamental para compreender a nossa cultura, independentemente de sermos ou não crentes. Histórias, lendas, mitos ou a palavra de Deus, são páginas de servidão e louvor, de escravidão e libertação, de mal e de bem, de patriarcas e matriarcas, de mulheres submissas e heroínas, de grandes líderes e homens de leis, de sábios, de erotismo e ódio. Estão lá os nossos temores e as nossas redenções, a história do povo escolhido, com que todos nos misturamos e identificamos, do Messias, dos sacrifícios, dos mártires, dos anjos e dos demónios que os assistem.

O Círculo de Leitores e a Assírio & Alvim editaram uma versão da Bíblia, baseada na tradução efectuada por João Ferreira Annes d’Almeida (séc. XVII), que terá sido o primeiro a traduzir os textos bíblicos para o português, pelo menos o Novo Testamento e o Antigo, até ao livro de Ezequiel. José Tolentino Mendonça é o Teólogo que introduz o texto e Ilda David a artista que o ilustra.

Estou muito curiosa quanto ao resultado.


[Ilda David: exposição com José Tolentino Mendonça (poemas): tábuas de pedra]

14 outubro 2006

Imensidão


A imensidão da espera
quando aguardo
que me esperes,
que me guardes
quando queres
que te queira.

Nessa lentidão demora
a nossa hora.

(Pintura de Sara Nadeau: waiting)

Pedido de esclarecimento

Gostaria que António Costa esclarecesse: Se o resultado for pelo "não" mas não for vinculativo [participação eleitoral abaixo dos 50 por cento], o PS legislará à mesma?

É que, mais uma vez, o PS só está a equacionar a hipótese do resultado do referendo ser favorável à despenalização do aborto, mesmo que a afluência seja inferior a 50%. E se o resultado for o mesmo que no último referendo? Que fará o PS? Vai manter tudo como está?

Gostaria que o PS assumisse uma posição clara.

Na minha opinião, não se deve aceitar o resultado do referendo como vinculativo, qualquer que ele seja, se houver uma participação inferior a 50%. Isso significará que os cidadãos não se interessam pelo assunto, ou acham que é a assembleia que o deve resolver.

Cinema

Na Fundação Calouste Gulbenkian vai iniciar-se, a 4 de Novembro, o ciclo de cinema: Como o cinema era belo – 50 filmes clássicos, com How green was my valley, de John Ford.

Lembro-me de ter visto na Gulbenkian, noutro ciclo de cinema, The birds, do Alfred Hitchcock, e Alien, de Ridley Scott. A sala totalmente às escuras, o som a um nível suportável e o medo…

A bilheteira só abre a 20 deste mês. Já estou na fila on-line...

(Imagem do filme The River, de Jean Renoir, 1951)

A Paz

Ouvimos, com muita frequência, intelectuais, políticos, sociólogos, economistas, cientistas, falarem da sociedade civil e do papel indispensável que têm na intervenção cívica.

Ouvimos, com muita frequência, admoestações a quem tenta remar contra a corrente, a quem tem idealismo e perseverança, com a famosa frase: não podemos mudar o mundo.

Ouvimos, com muita frequência, falar da inevitabilidade do mercado e das suas regras, da inevitabilidade da deslocalização do trabalho para países onde a pobreza é tal que qualquer migalha distribuída às populações (que continuam a ser exploradas em prol do aumento da riqueza dos impérios empresariais, ou dos impérios bancários, que se fundem e refundem até restar um ou dois milionários) é louvada e disputada pelos seus governantes.

Ouvimos, com muita frequência, piedosas prédicas a favor da caridade, habitualmente associada a uma qualquer fé, mais da cristã na nossa Europa desenvolvida, que exorta os bons cidadãos a dar aos que menos têm, impondo-lhes imediatamente uma dívida de gratidão, da qual ficam eternamente dependentes.

Muhammad Yunus demonstrou que quem tem do dinheiro uma noção utilitária de distribuição a quem dele precisa, que a erradicação da pobreza está nas mãos de todos e de cada um, que a dignidade do ser humano está dependente do tratamento igualitário, não olhando às posses, à cor e à religião, que a inteligência, força, vontade, idealismo e realização pessoal podem estar na modificação de pequenos factores que façam, de facto, a diferença, que a paz se conquista todos os dias, que é possível mudar o mundo.

12 outubro 2006

Floresta negra


Não sei como aqui cheguei, por caminhos direitos, claros, desimpedidos, não sei como desemboquei neste labirinto.

À volta árvores enormes e sussurrantes, fios de luz filtrada, como o ar que asfixia, como a água que falta.

Avanço por tortos, escuros e silenciosos corredores. Não sei onde vou chegar, se há algum lugar aonde ir.

Vou caminhando até me habituar a ver para lá do medo.

Mãos

Quero-te
à mão de semear
e de colher
de dar
e de receber
de largar
e de prender
sem querer saber
qual das mãos escolher.

Quero-te
à mão
mas não quero
que à mão
venhas comer
mesmo sabendo-te
incapaz de morder.

(poema de Pedro Neves; pintura de Deidre Scherer: two hands joined)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...