06 setembro 2006

O ano das decisivas decisões

De vez em quando podemos orgulhar-nos de qualquer coisa, nomeadamente de sermos um dos países europeus com menor taxa de mortalidade materna e infantil. Não tenho dúvidas que a existência e implementação nas últimas 3 décadas de um Serviço Nacional de Saúde (SNS) foi determinante na obtenção destes indicadores.

Segundo o Diário Económico está pronto o relatório sobre a sustentabilidade financeira do SNS. Até Outubro Correia de Campos irá pensar, em Outubro serão divulgadas as conclusões. Mas as conclusões preliminares apontam para um possível aumento de impostos (pelo menos de forma indirecta com a diferenciação das taxas moderadoras), excluindo como possíveis outras soluções (limitação da cobertura do SNS, por exemplo).

Este governo socialista tem nas mãos um dilema: a possibilidade de manter a universalidade do acesso à saúde, na vertente do estado como garante dessa obrigação, assumindo frontalmente a necessidade da limitação do crescimento da despesa, ou proclamar a incapacidade de se sustentar um SNS, incentivando a criação de planos de saúde privados alternativos (seguros de saúde, por exemplo).

Não é fácil para qualquer governo, muito menos para um governo socialista.

Os relatórios com os diagnósticos e as terapêuticas estão na mesa. O que falta agora é uma decisão política. É a ideologia que determina a forma como são distribuídos (ou concentrados) os recursos (neste caso escassos) da comunidade.

A António Arnault devemos a existência de um SNS. A Correia de Campos…

05 setembro 2006

Ética

O Atestado Médico é um documento oficial, que compromete a honra de quem o passa justificando as faltas ao trabalho ou declarando as condições de saúde de uma determinada pessoa.

O facto de se solicitar aos médicos (peritos em avaliar o estado de saúde ou de doença) a avaliação da capacidade ou incapacidade para se prestar um determinado serviço, ou a justificação para faltar ao trabalho por um determinado período de tempo, reconhece implicitamente a relação de confiança da comunidade, ou do estado, com esses profissionais.

Se o médico tem obrigações para os doentes, decorrentes da sua perícia, da sua actividade profissional e da sua ética de conduta, não tem menos obrigações perante a sua comunidade, precisamente pelos mesmos motivos: perícia, actividade profissional e ética de conduta.

A proliferação de solicitações à apresentação dos referidos atestados é enorme e disparatada, facilitadora de uma atitude menos rigorosa (dos doentes e dos médicos). Esta atitude menos exigente mina a relação médico doente, pois o respeito por determinados valores é universal, mesmo que não observados.

Compete a todos os profissionais zelar pela ética na sua profissão, preservando os valores e as atitudes que a dignificam e que são a base da confiança que merecem. Por isso e para isso há que cumprir sempre, penalizando os prevaricadores.

  • CÓDIGO DEONTOLÓGICO
  • Título II - O Médico ao Serviço do Doente
  • Artigo 75.º (Proibição de atestado de complacência)
  • É considerada falta deontológica o facto de o Médico emitir atestados de complacência ou relatórios tendenciosos sobre o estudo de saúde de qualquer pessoa.

04 setembro 2006

Al Cabo

Al cabo

Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdade nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.

(Amalia Bautista)

Mateus - o caso

Este é o caso que vai fazer história, talvez por isto Sócrates caia em desgraça, ou então continua em graça, porque tem muito mais graça o CASO MATEUS. Por pouco engraçado que seja.

Com graça e muito mais, o post de A. Teixeira sobre casos tão desgraçados como este.

03 setembro 2006

Pa(c)tos em marcha


Não há memória de rentrée política sem sugestões de pactos de regime, ou acordos entre governo e oposição. Desde a justiça, à economia, saúde e educação, já se propuseram acordos e pactos alargadíssimos e importantíssimos, sem os quais nenhuma reforma será possível!

Outro must são as marchas, corridas, maratonas, passeios e caminhadas em prol de qualquer grande e generosa ideia: o Bloco de Esquerda, que parece já ter perdido a capacidade de encantar os media, está a marchar pelo emprego! Talvez melhore as perspectivas de trabalho temporário dos massagistas e praticantes de podologia...

A falta de imaginação e de ideias a sério é confrangedora.

No entretanto, o PS prepara-se para desertificar tudo o que está à volta de Sócrates, reforçando o poder unipessoal e moldando o partido à sua imagem e semelhança, com os costumeiros yes-men, como Vitalino Canas, Pedro Silva Pereira e a inevitável inteligência parda de António Vitorino.

Luar


Em noites de solidão e cio
desenho ombros
húmidos de suor e estio,
com seda e escombros
derretemos lua e vazio.

(Pintura de Bernard Hoyes: moonlight spiritual)

02 setembro 2006

Irrelevâncias

Sempre me intrigaram os critérios editoriais dos jornais, muito pelo que escolhem ser notícia, mas também pela unanimidade e homogeneidade dessas escolhas.

Habitualmente no Diário de Notícias e no Público as notícias de capa são as mesmas, os desenvolvimentos semelhantes, enfim, a globalização até já globalizou as cabeças dos jornalistas. Hoje, para meu espanto, nos dois jornais, exactamente com a mesma fotografia, ocupando uma página inteira, um artigo sobre a demanda, pelos incontáveis herdeiros, da herança milionária de um comerciante de nome Manuel Vicente D'Anunciação, que morreu em 1899!!!

É de inquestionável importância a existência, ou não, da fortuna, dos herdeiros, verdadeiros ou falsos, da batalha judicial entre portugueses, brasileiros e ingleses, justificando-se plenamente o espaço e a relevância que dois matutinos de grande tiragem, com fama de seriedade, lhe dedicam.

Muitíssimo menos importante é o facto, noticiado há dois dias e nunca mais mencionado (dada a frivolidade e superficialidade do mesmo, quase a roçar o brejeiro ou mesmo o pornográfico, justificando plenamente a ausência de interesse jornalístico) de a REFER ter anunciado a intenção de rescindir o contrato com a Teixeira Duarte, na sequência do pedido, pela mesma, de prorrogação do prazo de finalização da reabilitação do túnel do Rossio para… 2011!!!

É claro que é uma infeliz coincidência ser a mesma Teixeira Duarte a fazer as obras do metro do Terreiro do Paço!

É claro que são de uma clareza virginal os critérios editoriais que resultam no esquecimento deste assunto irrelevante, nos media e também na blogosfera (com honrosas excepções).

O silêncio é de ouro!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...