Faze que a tua vida seja o que te nega./ A luta é tua: fá-la./ Agora, os sonhos em farrapos, melhor é a luta que pensá-la.// Ergue com o vigor do teu pulso;/ solda-o em aço./ E da tua obra afirma:/ – Sou o que faço. [João José Cochofel]
16 agosto 2006
15 agosto 2006
Cessar fogo
Segundo o jornal “Público”, Hassan Nasrallah disse, num discurso televisivo, que o Hezbollah não é um exército regular e que não combaterá como um exército regular.
Deixemo-nos pois de afirmar hipocritamente que Israel atacou civis no Líbano. É claro que muitos civis morreram, mas muitos dos mortos eram combatentes do Hezbollah, misturados e vivendo no meio da população civil. Podemos não concordar com os métodos que Israel utiliza para defender o seu território, podemos não aceitar que Israel queira, unilateralmente, marcar as suas fronteiras, não reconhecer nem tentar negociar com os representantes do Hamas, eles próprios representantes legítimos dos palestinianos.
O que não podemos é encarar a ofensiva de Israel como se fosse a ofensiva contra um povo inocente, que nada fez para ser atacado. Trata-se da disputa de um território, em que os dois lados clamam pela justeza divina das suas pretensões.
Esperemos que este cessar-fogo se mantenha. Infelizmente, temo que seja efémero. Embora Israel e o Hezbollah o tenham aceite, já se percebeu de um e do outro lado as cautelas no discurso, o que pressupõe que apenas estão a recuperar forças.
Por muito que a comunidade internacional prepare documentos e negoceie nos bastidores, são os contendores que têm que querer a paz. Para tal, a existência de Israel como um estado soberano, com direito à paz, a delimitação de territórios e fronteiras negociadas, em vez da imposição pela força, como tem acontecido da parte de Israel, talvez pudessem abrir uma nesga de esperança.
Deixemo-nos pois de afirmar hipocritamente que Israel atacou civis no Líbano. É claro que muitos civis morreram, mas muitos dos mortos eram combatentes do Hezbollah, misturados e vivendo no meio da população civil. Podemos não concordar com os métodos que Israel utiliza para defender o seu território, podemos não aceitar que Israel queira, unilateralmente, marcar as suas fronteiras, não reconhecer nem tentar negociar com os representantes do Hamas, eles próprios representantes legítimos dos palestinianos.
O que não podemos é encarar a ofensiva de Israel como se fosse a ofensiva contra um povo inocente, que nada fez para ser atacado. Trata-se da disputa de um território, em que os dois lados clamam pela justeza divina das suas pretensões.
Esperemos que este cessar-fogo se mantenha. Infelizmente, temo que seja efémero. Embora Israel e o Hezbollah o tenham aceite, já se percebeu de um e do outro lado as cautelas no discurso, o que pressupõe que apenas estão a recuperar forças.
Por muito que a comunidade internacional prepare documentos e negoceie nos bastidores, são os contendores que têm que querer a paz. Para tal, a existência de Israel como um estado soberano, com direito à paz, a delimitação de territórios e fronteiras negociadas, em vez da imposição pela força, como tem acontecido da parte de Israel, talvez pudessem abrir uma nesga de esperança.
13 agosto 2006
Progresso
A escravidão e a discriminação sexuais, nas nossas tão livres e ricas sociedades ocidentais, são uma consequência do incentivo ao consumo. Assim inventam-se novas necessidades e novos parâmetros de comportamentos, que chegam a atingir as raias do grotesco.Li no DN (não está disponível on-line) que a moda dos saltos altos está a dar brado nos USA. Quando estou a dizer altos estou a falar (ou a reportagem falava) de saltos de 15 cm!
Para além "dos tornozelos finos, das pernas longas, das ancas firmes e das costas ligeiramente arqueadas" (segundo a mesma notícia), há também os pés doridíssimos, os calos, os joanetes, as dores nas costas e a impossibilidade de andar ou estar de pé por mais de 10 minutos seguidos, nada que não seja ultrapassável pela eterna capacidade de sacrifício feminino (é preciso sofrer para ser bela).
Mas pior do que isso é o facto das mulheres (aliás dos seres humanos e outros animais), por muito milionárias que sejam, terem pés com 5 dedos, numa forma mais ou menos rectangular, formados por ossos, cartilagens, articulações com limitações de movimentos, músculos, nervos, vasos sanguíneos e tecido adiposo, que formam almofadas plantares escassas, pele e unhas.
Pequenos detalhes! Já há médicos (aqueles que gostam de citar o código deontológico e que, por princípio, pelo menos não devem fazer mal) que, a troco de muito dinheiro, cortam ossos, insuflam com alguns produtos miraculosos as plantas dos pés, para criar uma zona de amortecimento maior e mais espessa, enfim, fazem da podologia uma escultura, para se poderem vender mais sapatos de altíssimo e elegantíssimo salto.
Só gostava que me explicassem em que é que isto é diferente do costume bárbaro e desumano de ligar os pés às mulheres chinesas, desde muito jovens, para que elas ficassem com pés elegantes. Mesmo que isso significasse uma vida dolorosa e periclitante, de pobres estátuas deitadas.
12 agosto 2006
Cacos
Narciso

Ao folhear a alta velocidade a revista que sai com o DN aos sábados, li os títulos referentes a uma reportagem sobre Fátima Lopes (a estilista). Afirma, entre outras coisas, que só veste roupas, calça sapatos, usa jóias e malas, apenas desenhadas por ela. E que os próprios móveis são também por ela desenhados.
Fiquei a pensar naquilo. Como suspeito que Fátima Lopes não tenha dificuldades monetárias, ou seja, deve poder adquirir o que quer e quando quer, aquelas afirmações significam que só lhe apetece comprar aquilo que ela faz.
Será que, por muito que as peças de vestuário, calçado, acessórios, jóias e mobiliário dela sejam fantásticas, e é maravilhoso ser-se tão versátil, será que não há no mundo desenhadores de moda e de decoração que lhe agradem? Será que a sua imaginação e criatividade a preenchem, só por si?
Não consigo imaginar-me a viver rodeada por mim própria e pelas minhas criaturas, por muito que me agrade criá-las. A contemplação de si próprio, como Narciso, tem muitas facetas, é enganadora e muitíssimo limitadora. Surpreendem-me as pessoas que se envolvem em redomas, ainda por cima construídas à sua imagem e semelhança.
(pintura de Pier Paolo Pasolini: Narciso)
Fiquei a pensar naquilo. Como suspeito que Fátima Lopes não tenha dificuldades monetárias, ou seja, deve poder adquirir o que quer e quando quer, aquelas afirmações significam que só lhe apetece comprar aquilo que ela faz.
Será que, por muito que as peças de vestuário, calçado, acessórios, jóias e mobiliário dela sejam fantásticas, e é maravilhoso ser-se tão versátil, será que não há no mundo desenhadores de moda e de decoração que lhe agradem? Será que a sua imaginação e criatividade a preenchem, só por si?
Não consigo imaginar-me a viver rodeada por mim própria e pelas minhas criaturas, por muito que me agrade criá-las. A contemplação de si próprio, como Narciso, tem muitas facetas, é enganadora e muitíssimo limitadora. Surpreendem-me as pessoas que se envolvem em redomas, ainda por cima construídas à sua imagem e semelhança.
(pintura de Pier Paolo Pasolini: Narciso)
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