18 julho 2006

Metamorfoses


Por este andar, Vítor Constâncio começa a parecer-se perigosamente com Santana Lopes. A retoma cada vez mais anunciada por eles, mas nós não vemos nada!

Será que Vítor Constâncio não precisa de mudar de lentes? As dele devem ser de aumentar!

17 julho 2006

Sem fronteiras


Por aqui vamo-nos entretendo com o calor, os exames, as férias, os incêndios. Levando a nossa vidinha, mais ou menos inha, lendo e vendo imagens de destruição a que já nos habituámos.

A banalização do terror e da violência deixa-nos quase indiferentes ao horror de se viver permanentemente ameaçado, fisicamente ameaçado.

Dentro das nossas casas com ventoinhas ou ar condicionado, persianas e cortinas, água canalizada e frigoríficos, é-nos totalmente impossível a abstracção do que será um bairro estilhaçado, a família e os vizinhos mortos, escombros em vez de ruas, sem padaria para comprar pão, sem cama para dormir, sem casa de banho, sem água, sem medicamentos.

À mesa de jantar estremecemos com as imagens, enquanto bebemos uma coca-cola, aplaudimos as declarações dos representantes dos governos, com ar condoído e preocupado, sem nos apercebermos das mães a quem morreram filhos, dos filhos a quem morreram mães, das vítimas desta e de outras guerras, das bombas e dos fanatismos, dos crimes em nome de deus, qualquer que ele seja.

A morte não respeita fronteiras e os filhos de Israel têm intestinos, cérebros e mãos como os filhos de Alá, de Jesus, ou dos homens apenas. Têm medo, e choram, amam e odeiam, adoecem e nascem da mesma forma, têm o sangue da mesma cor e a vida a uma distância de milisegundos de uma bala, de uma pedra, de uma bomba.

(Des)Informar

Vamos habituando os olhos a ler reportagens enviesadas, supostamente mostrando todos os ângulos da questão mas, mais ou menos subtilmente, manipulando, omitindo, dando realce ao que interessa a alguns.

É verdade que os jornalistas são pessoas e, portanto, com toda a legitimidade a defender um ponto de vista, uma ideia, uma fé. Até têm o direito de o fazer em editoriais.

O que já me parece menos claro é que todo um jornal defenda a mesma ideia ou, pelo menos, não publique artigos de opinião, não faça reportagens isentas, não mostre fotografias, não informe.

Vem isto a propósito da informação disponível no Público sobre o recente conflito entre Israel, a Palestina e o Líbano. É absolutamente avassalador o engajamento de José Manuel Fernandes a um dos lados (Israel), de tal forma que títulos, subtítulos e textos estejam compostos com o objectivo de formatar a reacção de quem lê.

Os israelitas matam, os libaneses (ou palestinianos) chacinam. Num dos títulos fala-se da cidade mais tolerante de Israel (Haifa) mas, se lermos o texto, não conseguimos perceber a que tolerância se refere o articulista nem em que critérios se baseia para o afirmar nem, tão pouco, o nome do próprio autor.

Ontem ouvi de passagem, num dos noticiários televisivos, uma intervenção de Zapatero condenando a atitude desmesuradamente bélica de Israel. O Público não se digna, sequer, referir estas declarações.

Melhor que eu, este post demonstra o que quero dizer. De facto ninguém é inocente.

16 julho 2006

Terrorismo de estado


Tenho, e sempre tive, um irresistível fascínio pelos judeus, pela sua diáspora, pelo seu martírio e pela capacidade de sofrer e regenerar que têm.

A sua chegada à Palestina e a fundação de Israel foi dolorosa, para eles e para os palestinianos, que se viram invadidos e espoliados da sua terra.

Nada justifica o terrorismo. Os palestinianos elegeram através de eleições livres, o Hamas. Por muito que doa, são eles, os terroristas, que representam o povo palestiniano.

Depois de declarações inflamadas a afirmar o contrário, o Hamas implicitamente reconheceu o direito à existência de Israel. Quando o mundo parecia respirar de alívio os israelitas, utilizando o pretexto do rapto de 1 soldado, resolveram deitar por terra todas as esperanças e, de uma forma totalmente descabida, desatam a bombardear a faixa de Gaza e agora o Líbano.

Qualquer tentativa de compreensão sobre esta escalada de violência, totalmente protagonizada por Israel, e que pateticamente algumas pessoas tentam justificar, como aconteceu no último “Expresso da meia-noite” (da SIC), é infrutífera.

Israel continua a fazer ouvidos de mercador ao coro internacional que, titubeantemente, o condena. Mas, o que fazer? Israel continua a contar com o apoio incondicional do EUA, naquilo que dizem ser a defesa contra o terrorismo. E como se defendem os palestinianos do terrorismo de estado praticado por Israel?

Politicas

Se António Borges pensa que é assim que se faz caminho para a tão almejada (por si) liderança do PSD, acho que está muito enganado. Ficam-lhe mal estas entrevistas, em que se distancia deselegantemente de Marques Mendes. Já perdeu o barco!

Pelo contrário, Paula Teixeira da Cruz vai tecendo a chegada ao poder e, quanto a mim, lá chegará!

Receita para uma família feliz


Calor, calor, muitíssimo calor. Não apetece fazer nada, muito menos o almoço. Convocam-se todos os membros familiares dispersos pela casa, por mais relutantes que venham, para preparar o cozinhado.

Palavra de ordem: Gaspacho!



  • 8 tomates bem maduros, melhor grandes que pequenos

  • ½ pepino

  • 1 cebola normal

  • ½ pimento verde

  • 1 dente de alho


Descascam-se os tomates, partem-se aos bocados e deitam-se para um copo misturador, ou para um recipiente qualquer onde se possa triturar com varinha mágica, partem-se os restantes legumes da mesma forma (não esquecer de tirar as sementes ao pimento, nem de lavar tudo bem lavado).

Tritura-se tudo bem triturado, papa, juntando água até ficar mais ou menos cremoso, conforme o gosto pessoal. Passa-se o creme por um passador gigante, para tirar os restos de sementes e cascas indesejáveis. Frigorífico ou, se há muita pressa, vários cubos de gelo a substituir a água. Tempera-se como se tempera a salada, com sal (grosso), azeite e vinagre.

Cozem-se ovos (1 por pessoa) e partem-se aos bocadinhos; também se partem aos bocadinhos presunto, cebola, pão, pepino, melão, o que quiserem – é a guarnição.

Serve-se frio numa malga e junta-se uma mistura da guarnição. Come-se e agradece-se aos nossos irmãos ibéricos – OLÉ!

Famílias

Acabei de ler o excelente (como sempre) artigo do Frei Bento Domingues, no Público de hoje, sobre a família, os seus modelos e a sua suposta crise, acabando com uma citação de Laura Ferreira dos Santos, católica e casada há 24 anos com um agnóstico, sem filhos, docente da Universidade do Minho:

  • O meu desejo. Gostava muito que um ou vários dos nossos “dons” bispos casasse, tivesse até um casamento impossível que levasse ao divórcio, que o casal se enchesse de filhos com o mau funcionamento do método das temperaturas, que uma filha “saísse” lésbica, um filho gay e outro transsexual, que uma filha “hetero” abortasse e fosse encarcerada e que uma outra se divorciasse e o pai das crianças não pagasse a pensão. Se, no fim disto tudo, o “dom” anterior não tivesse mudado, ou pelo menos flexibilizado, a sua opinião sobre a família, proporia que fosse estudado pelo António Damásio.

Frei Bento Domingues remata: “Se deixarem as mulheres falar, terão muito que ouvir!”

Brilhante!

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...