15 julho 2006

Avisos

O Sr. Presidente da República, enquanto cumpre zelosamente o seu “roteiro para a inclusão” (quem terá tido a brilhante ideia de pôr Cavaco Silva a condoer-se das criancinhas e das mulheres maltratadas?), vai deixando escapar que o TGV deve ser objecto de GGGRRRAAANNNDDDEEE debate nacional (porque será que me lembro do Jorge Coelho?) sobre o custo/benefício deste projecto.

Muito interessante. Sobretudo porque o Sr. Ministro dos transportes tornou a anunciar o início breve da referida obra...

Calor


Tenho as janelas escancaradas.

Lá fora, junto ao candeeiro da rua, vê-se um leve estremecimento das folhas das árvores.

Nem elas se mexem, para reduzir a produção de calor.


(fotografia de Scott S. De Matteo: street lamp)

14 julho 2006

Exames


Gostava de ouvir a Ministra de Educação, séria e serenamente, explicar as verdadeiras razões da repetição dos exames de Química e Física do 12º ano.

Os maus resultados não podem ser a razão, porque maus resultados também os ouve noutras disciplinas. Assim está a dar-se razão à petição dos encarregados de educação que já clamam por anulação dos exames, possibilidade de repetição dos mesmos na época de Setembro, para todos os alunos e para todas as disciplinas!!! Para além disso, e comparando 2005 com 2006, não me parece que os resultados tenham sido tão assustadoramente diferentes.

Se houve erros nos enunciados das provas de Química e Física, então justifica-se a repetição dos exames apenas naquelas disciplinas. Espero a explicação do ministério, com a respectiva assumpção de responsabilidades e actuação em conformidade.

Mas também gostaria que se olhasse o assunto por outro ângulo: como é possível a enorme discrepância entre as notas dadas durante o ano e as notas conseguidas em exames nacionais? Não será de concluir que as classificações obtidas no final do ano estão super inflacionadas?

Como se compreende que alunos que acabam o ano com notas de 18, 19 e 20 tenham classificações inferiores em 5 valores nas provas de exame? Ou alunos do 9º ano que vão a exame com 4 (escala de 1 a 5) e obtém 2?

Sugiro que o acesso à Universidade seja feito apenas com a nota dos exames às disciplinas específicas. Desconfio muito das médias astronómicas que tantos jovens têm, por exemplo para entrarem em Medicina. Quanto destas médias não é fabricado nas escolas secundárias? Porque não colocar todos os candidatos em pé de igualdade para a admissão à Faculdade?

É essencial que haja exames nacionais para aferir critérios de classificação, avaliar performances de escolas, professores, alunos, manuais e ministério. Sim porque quem faz as provas também tem que ser avaliado. E pela amostra desta época, a classificação também não é brilhante!

Ir sendo (não ser)


Saber gerir as expectativas.

É melhor não querer ser feliz, livre, bela, inteligente, ter uma vida cheia de venturas e de gente boa, tão generosa no dar como no receber.

É melhor saborear um bocadinho de luz, um bocadinho da tua pele, umas flores abertas, um céu clemente. É melhor ir rompendo que romper.

É o que está ao meu alcance, ir vivendo em vez de viver. E talvez ir morrendo em vez de morrer.


(fotografia de Jorge Tutor: nubes)

De férias


Aproveitar os raios de sol, a frescura da penumbra, as horas bem dormidas, os refrescos na esplanada, os livros pela noite fora, a música em concerto, os passeios a pé, as blusas sem mangas, andar descalça, a areia da praia e o mar, o mar, o mar…


(pintura de Isabel Martínez Ferrero (2005): bien estar)

12 julho 2006

Reduziram-se a quatro...

Alguém me saberá explicar porquê o prazo de 5 semanas pedido pelo governo (Sócrates) para o anúncio do fecho da Opel da Azambuja? Qual era a brilhante ideia??? Que por artes mágicas (ou do futebol) as pessoas se esquecessem de mais 1500 desempregados?

Arte


Que nos move, segundo após segundo, compassadamente, rítmica e repetidamente, em direcção ao fim? Que nos motiva, o que há no instante posterior ao de agora, de diferente, de melhor? Que pensamos poder alcançar?

Ou estamos programados, como máquinas cujo fim se desconhece, para ir metabolizando proteínas, gastando e produzindo energia, com efeitos, para nós, desconhecidos?

Que agrupamento de funções fazem com que olhemos e chamemos nomes às coisas, que conjunção de esforços para que transformemos as coisas em utensílios indispensáveis?

Que novas sinapses, que tipo de neurotransmissores, que quantidade de endorfinas fabricamos com a percepção dos outros, ou que os outros fazem estimular em nós a segregação?

Porque aceitamos a decadência progressiva das células, o embranquecimento do cabelo, os partos, a dor dos filhos que crescem, o abandono, o amor, as perdas somativas e inconsequentes e, mesmo assim, todos os dias abrimos os olhos e reiniciamos a indústria de sobreviver?

Que regeneração se opera nos músculos, que ciclo respiratório se mobiliza instantaneamente ao ouvir uma sequência de sons, ao absorver uma paleta de cores, ao viver vidas emprestadas, ao ler sentimentos inventados?

Será a arte que nos faz, uma e outra vez, e sempre, continuar? Em direcção ao absoluto, ao supremo prazer da beleza?

Mudanças

  Las manos Eduardo Kingman Aos poucos vou mudando a casa, vou adaptando o espaço à minha pessoa. Reduzir coisas e coisas e coisas. Clarear,...