04 julho 2006

Férias


Às vezes sinto a espuma das ondas
nos pés, a areia morna que massaja,
o sol em brasa nos meus ombros.

Desejo de mar e de sal,
de carícias bem terrenas
e de divinas ternuras.


(pintura de William Berra: day at the beach)

Reorientar

O objectivo anunciado pelo governo em tentar que 2500 professores que não podem exercer a sua profissão, pelo menos a componente lectiva, de forma definitiva, possam reformular a sua carreira profissional noutros serviços da função pública, parece-me razoável e meritório.

Não acho bem que professores que, por razões de saúde, estejam incapacitados de dar aulas, sejam considerados incapazes. Por isso devem fazer-se todos os esforços para que esses profissionais se integrem nas escolas, noutras componentes que não a lectiva, de apoio a alunos com dificuldades de aprendizagem, de avaliação e orientação de profissionais menos diferenciados, em bibliotecas e clubes, etc.

Mas também compreendo que, como ainda se têm que somar os 3000 professores que também não podem leccionar, mas ainda de uma forma temporária, seja muito complicado encontrar trabalho efectivo, verdadeiro e necessário, para 5500 profissionais!

É claro que a requalificação profissional é imprescindível. Não é possível ao estado ter nos seus quadros 5500 profissionais que não estão capazes para o trabalho que é suposto fazerem. Nos casos em que não é possível a recolocação, parece-me evidente que terá de haver reformas antecipadas.

Espero que se faça o mesmo noutros quadros profissionais do estado, nomeadamente médicos, enfermeiros, polícias, juízes e outros. Os serviços públicos têm que ser redimensionados na exacta medida em que servem os cidadãos, mesmo que esta atitude, em certas circunstâncias, pareça uma desumanidade.

Mais uma vez os sindicatos não estão a servir os seus associados. Deveriam negociar, com realismo e em defesa dos professores, uma recolocação digna, de acordo com as capacidades e currículos individuais, dando aos profissionais a alegria de se sentirem úteis e realizados.

Mais Timor

Mesmo para quem ainda acreditava nas boas intenções de Xanana Gusmão, as notícias que se vão acumulando levam definitivamente à conclusão de que nada do que se passou foi inocente. E se a Austrália é um lobo com pele de cordeiro, ainda podemos admitir a desculpa de estar a defender os seus interesses.

Mas qual é a desculpa de Xanana Gusmão? Definitivamente, uma pedra aqui, outra acolá, tal como Medeiros Ferreira diz no seu artigo do DN, tudo foi movimentado com o objectivo de afastar Mari Alkatiri, primeiro-ministro indicado pelo partido maioritário eleito. Para que Xanana Gusmão assumisse o poder, juntamente com Ramos Horta e a Igreja, que abençoa esta democracia tutelada pela Austrália.

Parece que está a haver alguma dificuldade em formar governo porque Xanana está a impor algumas condições. Não lhe bastava já ter forçado a demissão do governo. Também se ouve Ramos Horta suspirar, temendo que o país não esteja tão cedo preparado para novas eleições…

Há sempre uma altura de cair na real.

02 julho 2006

Democracia e religião


Vários blogues se têm referido à discussão da lei do protocolo do estado, principalmente no que se refere aos lugares dos representantes da Igreja Católica em cerimónias oficiais.

O que, para mim, é extraordinário é que, passados tantos anos desde a implantação da República, depois de tanto se ter lutado pela laicização do estado, ainda não haja uma separação efectiva entre a Igreja e o Estado. Isto é por demais evidente na recente polémica do retirar de símbolos religiosos (cruzes) das escolas públicas, ou mesmo da existência de aulas de religião, mesmo que opcionais, seja qual for a confissão religiosa em causa, também em escolas públicas.

Vem isto a propósito de um excelente texto crítico ao artigo do Prof. Anselmo Borges, no DN de hoje.

Discreta e mansamente, o Prof. Anselmo Borges vai impregnando o leitor da indispensabilidade de reconhecer o cristianismo como um cimento, um molde, um modelo para a democratização das sociedades, esquecendo-se que as democracias são sistemas políticos, em que a presença ou ausência de religião dos seus cidadãos deve ser irrelevante na condução das políticas institucionais. A religião é um assunto privado, do for íntimo de cada cidadão. Não me parece que os anteriores séculos de cristianismo sejam um testemunho de incentivo democrático.

A igualdade entre os homens, tal como pregada por Jesus Cristo, estava para além da religião.
(pintura de Audrey Frank Anastasi: stations of the cross)

in memoriam


QUANDO

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta
Continuará o jardim, o céu e o mar,
E como hoje igualmente hão-de bailar
As quatro estações à minha porta.

Outros em Abril passarão no pomar
Em que eu tantas vezes passei,
Haverá longos poentes sobre o mar,
Outros amarão as coisas que eu amei.

Será o mesmo brilho, a mesma festa,
Será o mesmo jardim à minha porta,
E os cabelos doirados da floresta,
Como se eu não estivesse morta.

(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen; desenho de Arpad Szenes: Sophia)

Como todos os dias, as rotinas são as mesmas. Só o sol falhou, neste domingo de preguiça. Na qualquer superfície em que mentalmente me deito, volto-me para o outro lado, aconchegando virtualmente a manta. Hoje é um dia de memórias.

Quem era aquela mulher franzina, com o porte de uma deusa, tal como elas nos aparecem quando escrevemos poemas?

Quem era aquela musa, cuja voz planava pelos limites da música?

Sílaba a sílaba soletro o seu nome. Um vago murmúrio de ondas mergulha na minha paz.

01 julho 2006

Foi desta!

E foi um grande jogo, do princípio ao fim! Os ingleses jogaram muito bem, o que só dignifica a nossa vitória e a derrota deles. Não houve muita pantufada e o árbitro soube arbitrar.

Ricardo é mesmo o maior!

Parabéns

Através de “Um buraco na sombra” soube do aniversário de um blogue que tem alguns dos mais belos textos da blogosfera, para ler em qualquer domingo. Não posso deixar de o felicitar.

  Erwin de Vris Aguardo. A música varre o tempo amena a brisa que consola. Aguardo a voz de quem se esconde a terra aprisionada ...