26 junho 2006

...e continua!




Depois deste jogo, que venham ingleses, alemães e brasileiros, estamos preparados para tudo! Quem sobreviveu ao jogo, para além dos próprios jogadores, tem um coração de aço.

Não me parece bem culpar o árbitro de todas as patifarias que aconteceram. Quem deu as caneladas, foram os jogadores.

25 junho 2006

Procriação medicamente assistida (parte II)

Voltando ao tema da procriação medicamente assistida, e pegando no facto de não haver dados suficientes para saber se os filhos de casais homossexuais têm mais ou menos problemas que os filhos de casais heterossexuais, ou de pais e mães sós, talvez seja apenas porque a alteração na sociedade seja demasiado recente para que os estudos tenham significado.

Por outro lado, quando se começou a generalizar o divórcio, chegou-se à conclusão de que há formas saudáveis de conviver e formar crianças em ambientes que eram considerados muito prejudiciais.

E quem pode assegurar que o amor, o carinho, a estabilidade emocional e a orientação sexual não são conseguidos independentemente da existência de modelos sexuais de géneros diferentes?

Não será apenas o preconceito que temos em relação ao que é uma família? Família é o conjunto de pessoas que colaboram activamente no crescimento, bem-estar e felicidade de cada um de nós.

E será que o estado tem o direito de legislar sobre o que considera ser uma família? Não será matéria de opção individual?

Decidir ter filhos, assim como decidir não tê-los, pertence à esfera da privacidade individual, mas não deixa de ser um acto social, porque cada um de nós interfere e é membro activo da sociedade. Portanto é uma decisão individual mas de que a sociedade como um todo não se pode alhear.

Mais uma vez, não sou fundamentalista. Talvez as leis devessem assegurar que as crianças, independentemente de quem são os fornecedores de gâmetas, tivessem todas as condições para serem felizes e para se sentirem pertença de quem as cria, de quem as ama, de quem as quer.

Tal como nos avanços científicos e tecnológicos, as mutações e evoluções sociais não devem ser travadas pelo medo do desconhecido. Tal como um organismo vivo que se adapta ao seu meio ambiente, também as sociedades se adaptam e reequilibram após e durante as mudanças.

Bom senso é claro, mas sem preconceitos.

Portugal vs Holanda

Estou totalmente a favor da nossa selecção. Mas se continuam a massacrar-nos quando começar o jogo já nem me apetece vê-lo!

joguem mais,
chutem mais,
corram mais,
menos ais, menos ais, menos ais…

Procriação medicamente assistida (parte I)

Tem vindo a ser discutida legislação sobre Procriação Medicamente Assistida (PMA). Para além dos aspectos técnicos e científicos da inseminação artificial, número de embriões implantados e outros, os aspectos éticos e de concepção filosófica são importantes, pois a lei parece vedar o acesso à PMA aos casais homossexuais e às mulheres sozinhas.

Não tenho uma opinião muito definida sobre este assunto. Em princípio não se percebe porque é que a PMA não deva ser para todas (os) que a quiserem, ainda por cima em tempo de decréscimo da natalidade.

Mas atentemos nas palavras da sigla: se a procriação tem que ser assistida medicamente é porque há um entrave à sua persecução. Ou seja o médico intervém porque há uma razão médica para tal, porque pelos métodos naturais não é possível conseguir a procriação.

Pelo menos enquanto não houver possibilidade de clonagem humana são necessários dois gâmetas, um masculino e outro feminino, para haver um novo ser. Em termos de fortalecimento e de sobrevivência da espécie, a variabilidade genética é uma mais valia da reprodução sexuada. Por isso talvez a clonagem, quando ela for possível, introduza problemas de sobrevivência da nossa espécie, pelo menos tal como agora pensamos nela.

Assim para que haja um filho, uma cria, o que lhe quisermos chamar, é necessária a intervenção de dois indivíduos de sexos diferentes. A PMA deve portanto corrigir o que é defeituoso para que este encontro de células seja possível e eficaz.

Será que se deve admitir que a medicina interfira num processo quando não há razões médicas para tal?

A nossa sociedade está em constante mutação. A família nuclear, pai, mãe, filhos, tem sofrido mudanças na sua composição. Há famílias com vários pais e várias mães, famílias só com um pai ou só com uma mãe e famílias com dois pais e duas mães.

Olhemos para
"A Convenção sobre os Direitos da Criança":
(…)
Artigo 7
1. A criança é registada imediatamente após o nascimento e tem desde o nascimento o direito a um nome, o direito a adquirir uma nacionalidade e, sempre que possível, o direito de conhecer os seus pais e de ser educada por eles. (…)

É verdade que as mulheres e os homens têm direito a querer ter filhos, a amá-los e a educá-los, e não é a orientação sexual de um determinado indivíduo que o impede de ter essas capacidades e esses desejos.

Mas a criança que vai nascer também tem direitos. No estado actual do conhecimento não há dados que nos permitam assegurar que o comportamento futuro de crianças filhas de casais homossexuais possa ser diferente do das crianças filhas de casais heterossexuais. No entanto, e sempre que possível, o modelo emocional, comportamental e social que se tenta providenciar a todas as crianças é aquele que tem uma figura paterna (masculina) e materna (feminina) porque se pensa, pelo menos por enquanto, que é o ambiente mais saudável para a formação de um ser humano.

É difícil ter certezas nestas matérias, e os argumentos de que é melhor ter dois pais ou duas mães do que estar num orfanato são totalmente falaciosos. Neste caso está a escolher-se um mal menor, que não me parece o mais adequado para consagrar na lei.

Dá-me a sensação que a nossa sociedade europeia de países ricos está a transformar os filhos em mais um bem de consumo. Não sou minimamente fundamentalista mas nestas situações tendo a ser conservadora e acho que a cautela legislativa é de elementar bom senso.

24 junho 2006

Aos escritores desconhecidos


Gosto de folhear os livros esquecidos, entalados e comprimidos entre capas vociferantes. Compreendo as suas vozes silenciosas, os seus sorrisos cúmplices, a ligeira textura poeirenta das páginas escondidas, as cores pálidas das letras.

Gosto de os ler vagarosamente, imaginando os autores despertarem do seu doce adormecimento, limpando as lentes dos óculos, esfregando as mãos, dedilhando palavras secretas e pintando os rios em que embarcamos.




(pintura de Gloria Clancy: the artist)

Blogar


A possibilidade de ir expondo, não se sabe bem a quem, opiniões e estados de alma sobre os mais diversos assuntos, transforma os blogues num manancial de estudo para sociologistas e psicanalistas.

Mas uma coisa que não consigo compreender é a falta de urbanidade de alguns bloguistas, que se envolvem em polémicas irritadas, trocando argumentos em linguagem pouco edificante, em que os temas apresentados se esquecem de imediato, ficando apenas espaço para insultos e insinuações desagradáveis.

Também as caixas de comentários são, para mim, um mistério. A propósito de um “post” aparecem comentários, a maior parte deles de anónimos, que não têm nada a ver com o tema do "post", nem para concordar nem para discordar, dizendo "coisas" e comentando outros comentaristas, a maioria das vezes sem graça e de uma forma grosseira, multiplicando-se e reproduzindo-se em catadupa.

Simultaneamente, estes jornais de parede efémeros, rápidos e superficiais, compilam o que de mais generoso temos e o que de pior somos capazes.


(pintura de Vincent Bennett: reading the news)

O tempo



O tempo corre apagando aplicadamente as pegadas da dor, os ruídos graves, os obscuros tijolos com que construímos muros. A névoa adensa-se e sobram apenas alguns sinais luminosos, que nos guiam teimosamente para diante.


(pintura de Picciotto: time)

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...