09 junho 2006

Untitled



Ah a frescura na face de não cumprir um dever!
Faltar é positivamente estar no campo!
Que refúgio o não se poder ter confiança em nós!
Respiro melhor agora que passaram as horas dos encontros.
Faltei a todos, com uma deliberação de desleixo,
fiquei esperando a vontade de ir para lá, que eu saberia que não vinha.
Sou livre, contra a sociedade organizada e vestida.
Estou nu, e mergulho na água da minha imaginação.
É tarde para eu estar em qualquer dos dois pontos onde estaria à mesma hora,
deliberadamente à mesma hora…
Está bem, ficarei aqui sonhando versos e sorrindo em itálico.
É tão engraçada esta parte assistente da vida!
Até não consigo acender o cigarro seguinte… Se é um gesto,
fique com os outros, que me esperam, no desencontro que é a vida.

(poema de Álvaro de Campos; pintura de Luiza Caetano: Fernando Pessoa)

Tempo de folga

Uuufff! O sr. primeiro-ministro deve ter suspirado de alívio. Todo o governo! Finalmente começou o mundial de futebol! E que eles se portem bem e vão, pelo menos, até aos 4ºs de final. É mais um tempinho de folga, dá para fazer mais algumas leis, regulamentar outras, despedir rápida e eficazmente alguns, deixar de lado indicadores menos optimistas.

Até os incêndios serão menos quentes e menos devastadores.

Uuuufff! Balão de oxigénio para 2 a 3 semanas!

A honra perdida

É um engano pensarmos que estamos num estado de direito.

Li hoje, no “Expresso on-line”, uma notícia sobre a conclusão do processo dos atestados falsos, que teriam justificado as faltas de alunos às provas globais. Isto ter-se-á passado em 1999.

Sete anos depois, já os alunos terão entrado nas universidades e, pelo menos alguns deles, já terão acabado os cursos, prova-se que… nada ficou provado.

E tem mesmo que ser assim. Se tivesse ficado provado que os atestados eram falso, qual seria a penalização dos alunos vigaristas? Desfaziam os cursos que entretanto tinham acabado? Davam-nos, já prontinhos, aos que, eventualmente, teriam sido ilegalmente ultrapassados? Já não há nada que possa alterar semelhante situação.

Para não falar dos 70 médicos que atestaram por sua honra que 300 alunos sofriam de stress e ansiedade. Que lhes aconteceu no entretanto? Quem mais vai acreditar neles, seja para o que for? Que é feito da sua honra?

Mas a verdade é que não foi possível demonstrar que não estivessem doentes. Nunca é. Pelo menos neste país, 7 anos depois da alegada doença!

06 junho 2006

Nós


Dobro o joelho lentamente
na volúpia de te tocar,
com a mão em concha
afago-te o ombro,
tacteio-te a discreta
rugosidade da pele.

Supérflua a roupa,
desajeitadamente retirada
com delicadeza e deleite.

Jogamos a ternura do enlace
desapertamos os beijos,
rolamos e atamos de nós
as pernas e os braços que temos.

Amanhã sonharemos.

(escultura de Edward Walsh: lovers)

Genética



Tudo o que escrevo
é a transcrição
de bases alinhadas lado a lado,
duma dupla hélice
de amor e carne
que se abre,
não sei por que ordem
ou por que código secreto,
para ser copiada
e replicada,
repetida e disciplinadamente
até que o infinito
dê por finda
a minha vida.

Seis do Seis de dois mil e Seis


Exactamente!

Se há dias de tudo e mais alguma coisa, o dia do Diabo, Besta, Satã, e todos os outros, por maioria de razão, está perfeitamente bem!

Belo dia para diabolicamente saborear o prazer satânico de preguiçar.


(pintura de William Blake: The Number of the Beast is 666)

Correntes

E que tal uma corrente de e-mails contra mais uma greve entre um feriado e o fim de semana? E que tal uma corrente de sms a favor da verdadeira discussão da verdadeira avaliação dos verdadeiros profissionais?

E que tal uma corrente de indignação pelos péssimos manuais escolares? E um cartaz gigantesco em frente à residência oficial do 1º ministro contra os currricula infantilizados e imbecis? E uma marcha contra a violência nas escolas? E uma marotana a favor dos exames nacionais?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...