17 março 2006

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Guardo silêncios
como quem colecciona gestos habituais
em horas desabitadas.
Corro as cortinas da memória
e sinto vertigens de descobertas
em ciclos perfeitos.

(pintura de: Michael Berry)

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Seguro os dedos sobre a areia,
desenho a voz, solto as palavras.

O abraço é possível,
nos ombros a paz
do olhar indiscreto,
o saber de quem procura.

Fragmentos dispersos
de todos nós.

(fotografia: Hugo Madeira)

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O poema é como um filho
que me cresce nas entranhas,
que me suga e destrói,
que me mata e ressuscita
nesta gestação maldita,
secreta e omnipresente,
espontânea e recorrente,
que renega e acredita
no abismo da alma que sente.

(pintura de Joyce Baron: creation III)

16 março 2006

Outra vez o MIT

Li no Abrupto de ontem uma mensagem de um leitor (João AP Coutinho), que questiona a seriedade e profissionalismo dos media, a propósito do famoso MIT.

Primeiro em 22 de Janeiro e, posteriormente, a 13 de Fevereiro, abordei este assunto, pela estranheza que me causou a grave denúncia pública de boicote de “um ministro” ao maravilhoso acordo com o MIT, feita por José Tavares e afrontando o primeiro-ministro.

Entretanto, entre esclarecimentos irritados e pouco esclarecedores, da parte de José Sócrates e Mariano Gago, e declarações múltiplas dos defensores da coragem de José Tavares, chegou-se a uma apregoada cerimónia no CCB, em que se celebrou o tão falado acordo entre o MIT e o governo português.

Mas, em que consistiu esse acordo? Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, "o governo vai iniciar uma fase de colaboração com o MIT, para identificar e seleccionar programas e instituições portugueses que poderão potenciar as relações bilaterais pretendidas (quase sic.)".

Então e aquele acordo com uma determinada universidade, que estava guardado na gaveta e que sofria o impedimento ministerial, que tão corajosamente José Tavares quis salvar?

Afinal parece que quem tinha razão era Mariano Gago, quando disse que havia contactos preliminares para uma colaboração entre o MIT e o governo, sem contornos ainda definidos, e que poderiam resultar em projectos específicos. Razão parece ter tido o ministro da Ciência por ter mantido negociações com outros institutos de outros países para outros projectos.

Parece que, afinal, outras razões moviam José Tavares, que não a salvação da pátria!

Monopólio

Li com toda a atenção o artigo de opinião de Sérgio Figueiredo, no Jornal de Negócios online, e fiquei a saber o motivo (pelo menos segundo este articulista) pelo qual o BCP lançou uma OPA ao BPI.

Pelo que percebi o BCP quer tornar-se tão grande que não haja ninguém que o possa comprar!

Isto parece um jogo de monopólio puro. A diferença é que naquelas avenidas, casas e hotéis vivem pessoas de carne e osso que, para além de perderem papel (literalmente) perdem o emprego e, no limite, a dignidade.

15 março 2006

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Em dias
de mãos
frias,
de gotas
gordas,
intrusas,
ternuras
de dedos
e beijos,
tremuras
de secretos
desejos.

(pintura de Elena: rain)

Breves notícias (brevíssimas)


No dia 18 de Março (sábado próximo), no Forum Romeu Correia (Almada), às 21:00, inaugura-se a exposição "Fragmentos de Liberdade" - Projecto Quarto Espaço. Parece-me interessante.

Outro assunto - não posso deixar de sugerir que leiam
este post!

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...