22 janeiro 2006

Cavaco Silva: Presidente 2006 - 2011

Está eleito o novo presidente: Cavaco Silva.

Por pouco, por muito pouco (50,6%) poderia ter havido segunda volta. Mas por um voto se ganha, por um voto se perde. Neste caso ganhou Cavaco Silva, perdeu Manuel Alegre.

Todos se esforçam por descortinar acontecimentos futuros ao facto de Manuel Alegre ter ficado em segundo lugar, bem distanciado de Mário Soares. Pela primeira vez, muitos comentadores olharam para a sua candidatura independente como algo de importante no panorama político português.

E é de facto importante. Como disse Inês Pedrosa, foi a demonstração de que há vida para além dos partidos políticos, que um conjunto de cidadãos, por puro civismo, movimentaram esforços e vontades para apoiar um outro cidadão que, por mérito dele próprio, soube galvanizar esses esforços e essas vontades.

Não me parece possível, nem desejável, que se tirem conclusões partidárias da votação em Manuel Alegre, que se candidatou a Presidente da República, não a secretário-geral do PS ou a fundador de outro partido.

Também me parece que José Sócrates deve tirar as suas conclusões. Foi José Sócrates, antes da reunião da comissão política do PS, que decidiu apoiar Mário Soares. Gostava que José Sócrates reconhecesse ter errado na escolha do melhor candidato. De facto, como está demonstrado, Manuel Alegre seria o melhor candidato da esquerda.

Não posso deixar de referir a extrema “deselegância”, como lhe chamou Mário Bettencourt Resendes, ou o gesto anti-democrático, como lhe chamo eu, de Sócrates, ao fazer a sua declaração como secretário-geral do PS em cima da declaração de Manuel Alegre. Não lhe ficou mesmo nada bem!

Outra dúvida que também me assalta: será que Manuel Alegre tinha razão relativamente aos resultados da Eurosondagem? Desde há várias semanas que as sondagens indicavam o segundo lugar para Manuel Alegre, com excepção daquela. Neste momento e no mínimo, é uma empresa bastante desacreditada. Onde estava a DESCOLAGEM de Soares, também vaticinada por Jorge Coelho?

Apesar da homérica derrota. Mário Soares merece o meu respeito. Pelo que foi e pelo que fez por Portugal, mas também pela coragem de levar até ao fim as suas ideias.

Obrigada a Manuel Alegre, pela sua voz inconformada e inconformista, pela sua atitude não alinhada. Continuarei a contar com ele em todos os combates pelos valores da liberdade e da democracia.

À minha maneira, todos os dias continuarei a defender o meu Quadrado, o nosso quadrado.

Todos às urnas!

Vote-se nos velhos, nos novos, nos bonitos, nos feios, nos gordos, nos magros, com ou sem dentes... É preciso é votar!

Todos às urnas!

José Tavares e MIT

Ainda não percebi muito bem o que se passa com o “dossier” MIT.

Repentinamente, para os comuns ouvidores de notícias, o ex-coordenador do plano tecnológico, José Tavares, questiona o primeiro-ministro sobre a eventualidade da vinda do MIT para Portugal estar em causa, devido a divergências, dentro do próprio governo, relativamente às Universidades envolvidas no projecto. Afirmou ainda que havia um ministro (mas não disse qual, não percebo porquê) que se opunha à vinda do MIT para Portugal.

Após a agastada resposta de José Sócrates, muitas dúvidas ficaram no meu espírito.

Qual o objectivo do ex-coordenador do plano tecnológico ao trazer à baila este assunto? Será que, ao falar no projecto em perigo minimizou a possibilidade do mesmo ficar na gaveta, como deve ter acontecido a tantos, apenas por divergências, por vezes pouco abonatórias, entre os protagonistas políticos?

Todos temos a noção de que há alguns assuntos que são melhor tratados na discrição dos gabinetes do que sob os holofotes dos telejornais. Também todos sabemos que antes de se formalizarem acordos, projectos e tratados, há um sem número de contactos informais, cartas, faxes e telefonemas, dos próprios ou de colaboradores, preparando o terreno para a sua concretização posterior.

Será que assim foi o caso? Então qual a motivação de José Tavares? Despeito?

A falta de confiança nos nossos governantes é tanta que nos vêm à cabeça múltiplas possibilidades, nenhuma delas brilhante.

Gostava de ser esclarecida.

Votar sem boicotes


Os boicotes eleitorais são uma prática que se generalizou no nosso país. Todos os motivos são bons para os fazer, desde a ausência de estradas, centros de saúde ou, como parece ter sido o caso desta vez, o suposto esquecimento a que é votada uma Junta de Freguesia (Passos) que não tem a mesma cor política da respectiva Câmara.

Independentemente das razões que assistem a quem boicota (embora não pense que seja este o melhor meio de protestar, negando a própria essência da participação popular), uma coisa é boicotar o acto eleitoral, ou seja, não votar, não fazer parte da mesa, por falta de comparência, outra muito diferente é impedir activamente a abertura das assembleias de voto, destruir boletins, etc.

Estes últimos actos são ilegais. Portanto cabe ao Estado repor a legalidade, através dos corpos que existem para isso: PSP, GNR, etc. Num estado de direito e numa democracia ninguém deve ser impedido de votar. O boicote acontece por vontade própria dos cidadãos e não porque um grupo deles o impõe, recorrendo a meios ilícitos.

O que a mim me espanta é a complacência (ou mesmo conivência) de alguns dos nossos concidadãos e a cobertura mediática que é feita a este tipo de situações. Hoje, logo de manhã, acordei com a TSF a contabilizar os boicotes (sem boicotes nem há eleições que se prezem!) e a perguntar ao Presidente da Junta de Passos se já havia feridos nos confrontos entre os boicotantes e a polícia, mostrando-se este muito penalizado pelo facto de a polícia estar a tentar abrir, à força, a assembleia de voto.

Da mesma forma que a existência de piquetes de greve são atentatórias dos direitos civis dos cidadãos, penso que isto é um atentado aos seus direitos políticos e um atentado à autoridade do estado.

É claro que a autoridade do estado só é legítima se for exercida dentro dos limites da lei, ditados por uma sociedade civilizada. Não pode ser admissível o abuso da força e do poder pelas forças militarizadas, cuja função é primar pela nossa segurança.

Todos temos o direito de querer ou não querer votar, em segurança.

21 janeiro 2006

“À Manhã”

“a gente tem-se uns aos outros e mais nada…”

Um texto de ternura, solidão e carinho, os dois extremos da vida num espaço minimalista, quente e etéreo. Actores verdadeiros, luz e som na medida certa. Pequenos fragmentos estes, que nos reconciliam com a vida.

(Teatro Municipal S. Luiz - Lisboa)

Declaração de voto

Defendo o quadrado. Podia ser o rectângulo ou o círculo, uma qualquer figura geométrica que pudesse desenhar a alma, a nossa alma, lusitana, ibérica ou global, a alma de quem vive na procura da felicidade.

Uma felicidade feita de momentos, de fragmentos de luz, dos sons de algumas frases épicas, ou das palavras murmuradas de quem nos ama. Uma felicidade conquistada todos os dias, um a um, mas com a certeza de que haverá sempre um amanhã, mesmo que já não seja nosso.

Defenderei sempre estes quadrados, em grandes ou pequenos formatos, infinito conjunto como infinitas são as almas.

(pintura de Brittany Branch)

18 janeiro 2006

Untitled


Faltam 4 dias. É preciso votar. Como diz Manuel Alegre, não há vencedores antecipados. Todos devemos participar. As sondagens não são eleições, são apenas isso mesmo, sondagens. Não há nada nem ninguém que substitua o acto de votar. Depois logo se vê!

Amanhã estreia “À Manhã”, o novo trabalho do Teatro Meridional, escrito por José Luís Peixoto, encenado por Miguel Seabra e Natália Luíza, interpretado por Carla Galvão, Carla Maciel, Paula Diogo, Pedro Diogo e Romeu Costa.
O Teatro Meridional habituou-nos a um trabalho original e de grande beleza: “A noite de Molly Bloom”, “Macbeth. Uma Tragédia Ibérica”, “Qfwfq. Uma história do Universo”, “A Varanda do Frangipani”, “Geração W”, para citar apenas os que vi.

Corram todos ao Teatro Municipal de S. Luiz, (sala principal), às 21 horas.

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...