09 dezembro 2005

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Em princípio sou a favor dos exames. Parece-me uma forma de controlar a qualidade do ensino. Penso que, durante algum tempo, o acesso à universidade deveria ser feito através de exames nacionais ou, em alternativa deveria ser feito por cada faculdade. Mais uma razão para não deixar de se fazer avaliação no final do ensino secundário.
Por outro lado sou a favor, como já afirmei, de um controle de qualidade dos livros escolares. É impensável a adopção de livros com erros científicos. No entanto, há que acautelar a possibilidade de um leque alargado de escolhas, para que não se volte ao livro único e oficial.
Não entendo o objectivo de Cavaco Silva ao dizer que é estranho haver falta de confiança com uma maioria absoluta. Isso parece-me ser uma das provas de que a falta de confiança tem razões múltiplas e mais profundas do que a crise económica. Mas o Professor vê tudo à luz da economia.
O ministro Correia de Campos continua a tentar fazer aquilo que, no meu entender, é absolutamente indispensável, ou seja, organizar e aproveitar os recursos humanos de uma maneira equilibrada. É necessário e urgente reorganizar e profissionalizar os serviços de urgência. Mas enquanto não se resolver o problema dos cuidados primários de saúde, podem multiplicar-se médicos, enfermeiros e hospitais, que nunca haverá suficientes. Cerca de 2/3 ou mais das situações atendidas nas urgências não passam de consultas. A falta de médicos, principalmente médicos com formação específica, nos balcões de atendimento, aumenta muitíssimo o recurso a exames complementares de diagnóstico, muitos deles dispensáveis, com o consequente gasto inútil de dinheiro, "entupimento" dos serviços de imagiologia e de patologia clínica, alargamento do tempo de atendimento, etc. Má medicina.
Bom fim de semana!
(pintura de Ki-chang)

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Na quarta feira, dia 30 de Novembro, incluí esta imagem mas não disse que era um dos vitrais da catedral de St. Estevão, na Áustria.

08 dezembro 2005

Bilhete de Identidade



Num país em que parece mal falar da vida privada, a não ser de alguém já morto e com estatuto de pessoa muito importante, Maria Filomena Mónica resolveu analisar o seu percurso de vida nos primeiros 33 anos, assim como da família, amigos e conhecidos.

Ao lermos o livro esquecemos que a vida que é narrada é a da própria autora, tal o distanciamento, o rigor e o sentido crítico com que o faz. Observando-se à lupa, e aos seus pais, irmãos, amigos e amantes, com finíssimo sentido de humor, mostra-nos como se vivia e pensava, em determinados meios sociais e intelectuais, num intervalo de tempo em que se atravessam mudanças no comportamento e na definição dos papéis dos homens e das mulheres. Por outro lado, a pertença a determinadas classes sociais, moldava as expectativas e o caminho que se seguia, transformando os transgressores em pessoas inseguras e com sentimentos de culpa.

Desde as dúvidas e crises existenciais, da religião à decisão de prosseguir estudos, da maternidade aos problemas conjugais, apercebemo-nos de que cada um tem uma vida única e rica, embora as dores e os prazeres, as carências e as necessidades afectivas, o desejo de nos sentirmos amados, sejam universais. Maria Filomena Mónica soube contar a sua vida especial de uma forma que nos dá a sensação de que todas as nossas pequenas vidas o são, e merecem ser contadas.
Gostei muito e espero pela continuação.

07 dezembro 2005

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Olho-te, as mãos
na mesa, o rectângulo
da sombra, o queixo,
a boca que fala,
as palavras.
Olho-te e aprecio o movimento,
as cores, as rugas, as texturas,
como uma estátua.
Olho-te e disseco
as múltiplas moléculas das sinapses
que percorrem o meu cérebro
quando te olho.
Inspiro e ouço a música dos teus gestos.



(pintura de Gracinda Candeias)

05 dezembro 2005

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(pintura de Isabel Laginhas)

Fazemos e desfazemos
as almas
com a mesma certeza
de respirar.
Os gestos repetidos de viver,
na obscura essência
de continuar,
absurda incerteza de perceber,
de amar.





Finalmente, um debate de dois candidatos à presidência, cordato, bem educado, em que os jornalistas tentaram fazer perguntas interessantes, para que os candidatos expusessem as suas ideias. Parabéns à SIC, ao Rodrigues Guedes de Carvalho e ao Ricardo Costa, a Cavaco Silva e a Manuel Alegre.

Mais uma vez, Cavaco Silva demonstrou o seu pendor executivo, tímido e pouco à vontade. Manuel Alegre esteve descontraído e seguro, igual a ele próprio.

Veremos os próximos.

03 dezembro 2005

Sem palavras


A OMS declara que os fumadores passaram a ser persona non grata na sua instituição: deixa de lhes dar emprego e, muito generosamente, ajuda os seus já colaboradores a deixarem esse inqualificável hábito.
Penso que a OMS está a ser pouco ambiciosa. Também devia perguntar quem come no McDonald's, ou quem gosta de um copito de aguardente, ou quem se enfrasca em Valium para dormir. Ou mesmo quem sofre de varizes, mau hálito e seborreia (vulgo ataque de caspa).
Teremos, portanto, a OMS constituída por belos exemplares da raça humana, novos, belos e saudáveis. Só não sei se o belo será louro ou moreno!

02 dezembro 2005

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Independentemente do que cada um pensa sobre a ausência de Manuel Alegre na votação do orçamento, é absolutamente inacreditável a tentativa de assassinato político e de carácter que está a ser feita pelo aparelho do PS. Gostaria de saber se os outros deputados faltosos, do PS e dos outros partidos, também violaram a constituição. O desespero à volta da candidatura de Mário Soares é grande, para que o PS se permita perder a cabeça desta forma. E Sócrates, em vez de se distanciar de tudo isto, ainda faz de madona ofendida. Que tristeza!
A entrevista feita por Judite de Sousa a Manuel Alegre, de que este não se saiu particularmente bem, hesitante e pouco afirmativo, foi mais uma demonstração da mediocridade de muitos entrevistadores e comentadores. Todos criticam a campanha (esta e todas) por falta de debate de ideias, por incapacidade de explanar o que de facto interessa aos eleitores. Mas Judite de Sousa passou cerca de metade da entrevista com os pormenores fofoqueiros sobre a resolução das candidaturas de Manuel Alegre e Mário Soares, quem traiu quem, e o apoio do PS, e quem foi primeiro e quem foi depois. Enfim, tudo ideias muito interessantes, projectos políticos, interpretação de poderes presidenciais! Que tristeza!
Todos criticam os políticos dos "sound-bits". Pois nós temos informação de "sound-bits".
Os episódios de fugas de informação na justiça, de conversas particulares entre políticos escarrapachadas nas primeiras páginas de jornais, através de escutas telefónicas a propósito de processos que não dizem respeito aos escutados, demonstra que, cada vez mais, se assiste à judicialização do estado, com a desculpa da segurança, e ao sequestro do poder político pelo poder judicial. Será isto um estado democrático?

Skoda - o carro musical

Christine Tenho um carro possuidor de autonomia e vontade próprias. Ligado ou desligado. Sem perceber como nem porquê, este meu carro reso...