08 dezembro 2005

Bilhete de Identidade



Num país em que parece mal falar da vida privada, a não ser de alguém já morto e com estatuto de pessoa muito importante, Maria Filomena Mónica resolveu analisar o seu percurso de vida nos primeiros 33 anos, assim como da família, amigos e conhecidos.

Ao lermos o livro esquecemos que a vida que é narrada é a da própria autora, tal o distanciamento, o rigor e o sentido crítico com que o faz. Observando-se à lupa, e aos seus pais, irmãos, amigos e amantes, com finíssimo sentido de humor, mostra-nos como se vivia e pensava, em determinados meios sociais e intelectuais, num intervalo de tempo em que se atravessam mudanças no comportamento e na definição dos papéis dos homens e das mulheres. Por outro lado, a pertença a determinadas classes sociais, moldava as expectativas e o caminho que se seguia, transformando os transgressores em pessoas inseguras e com sentimentos de culpa.

Desde as dúvidas e crises existenciais, da religião à decisão de prosseguir estudos, da maternidade aos problemas conjugais, apercebemo-nos de que cada um tem uma vida única e rica, embora as dores e os prazeres, as carências e as necessidades afectivas, o desejo de nos sentirmos amados, sejam universais. Maria Filomena Mónica soube contar a sua vida especial de uma forma que nos dá a sensação de que todas as nossas pequenas vidas o são, e merecem ser contadas.
Gostei muito e espero pela continuação.

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