29 julho 2019

Um livro

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Um livro


O meu livro


Este livro...


 


Que será lido


E não lido,


Espezinhado,


Roído,


Desfeito aos pedaços


Por mãos de criança...


 


Será mais um livro...


 


Um livro esquecido


Na estante do Tempo?...


 


Aizul

17 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 3

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6.


 


Somareis os vossos braços ao trabalho e às canseiras


Correreis como as formigas pelos matos e carreiras


Calçareis botas de chumbo para ateardes fogueiras


Dormireis amarfanhados nas covas das toupeiras


 


Ficareis no sopé dos montes por escalar


Náufragos retidos nas algas do mar


Secareis de esperança por braçadas de ar


Desistindo da morte que vos há de tentar


in Prosas Bíblicas, Livro 3 (pág.66)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

16 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 2

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5.


 


Gastei os caminhos com os meus passos


soprei as areias de todos os desertos


consumi os olhos com que velei pelas noites


em busca do meu amor ausente.


Talvez um dia no rasto dos meus pés


no eco da minha voz na centelha do meu olhar


se acendam faróis que o guiem ao meu altar.


in Prosas Bíblicas, Livro 2 (pág.51)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

15 julho 2019

Prosas Bíblicas - Livro 1

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6.


 


Na vida que me insuflaste


Faltam-me os dedos da mão


Parelha que não sonhaste


Olhos da minha paixão


 


Falta-me Senhor alento


Suspiro de solidão


Falta-me amor e sustento


Para a minha dimensão


 


Já hoje é o sexto dia


Olho a terra em redor


No sono que me asfixia


Abre-me o corpo sem dor


 


Da minha massa fecunda


Farás a minha metade


Serei aquela que funda


O ventre da humanidade


in Prosas Bíblicas, Livro 1 (pág.18)


(quem estiver interessado pode enviar pedido através de


sofia.l.santos@sapo.pt)

14 julho 2019

13 julho 2019

De volta à cozinha

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Ou mais precisamente de volta às receitas, porque tenho habitado a cozinha como de costume, embora não participe muito da confecção dos alimentos e partilhe ainda menos os meus (in)conseguimentos. Mas hoje resolvi experimentar cuscuz. Na verdade foi mais uma miscelânea de legumes com cuscuz.


 


Comprei sêmola de trigo, integral claro, porque como tudo cada vez mais integral, ou não fosse uma matrona a render-se à ditadura da gastronomia saudável, juntamente com treinos múltiplos e a toda a hora. Bem, pelo menos estou uma matrona mais compacta.


 


Mas não nos dispersemos: parti em meias luas fininhas uma cebola média, 2 dentes de alho, uma mistura de legumes para sopa que encontrei no supermercado, já partidos em tiras (couve lombarda, cenoura e alho francês), coentros, cogumelos, um bocadinho de raiz de gengibre, alguns amendoins e 3 ou 4 tâmaras (sem caroço); deitei tudo no wok - cozinha saudável sem wok nem existe - e temperei com um pouco de azeite, sal, pimenta e pó de caril. Deixei suar ao lume, mexendo sempre para não agarrar com um pouco de vinho branco. Ficou rapidamente pronto.


 


À parte coloquei numa tigela grande o cuscuz (50 g por pessoa), azeite (1 colher de chá por pessoa) e água a ferver com sal (60 ml por pessoa). Depois de repousar cerca de 5 minutos, envolvi bem com um garfo e acrescentei mais uma nica de água a ferver, porque ficou muito seco.


 


E pronto, assim ficou um fenomenal jantar - cuscuz com legumes e cogumelos.

Sem saber


Vasco da Graça Moura & Carlos Paredes


Mísia


 


Sem saber


Porque te amei assim


Porque chorei por mim


 


Sem saber


Com que punhais tu feres


Magoas mais e queres


 


Sem saber


Onde é que estás, nem como


O que te traz sem rumo


 


Sem saber


Se tanto amor devora


Mais do que a dor que chora


 


Sem saber


Se vais mudar, se então


Podes voltar ou não


 


Sem saber


Se em mim mudou a vida


Se em ti ficou perdida


 


Sem saber


Da solidão depois


No coração dos dois


 


Sem saber


Quanto me dóis na voz


Ou se há heróis em nós


 

... que mal soasse a badalada da 1 hora na torre de São Denis...

... entraria por aquela porta!


Não foi o Edmundo a entrar, mas a Lei de Bases da Saúde a ser, finalmente, acordada entre os partidos da Geringonça. Vamos lá a ver se o Seixas sabe as deixas todas, mas suspeito que a promulgação não está, de todo, assegurada.



Por outro lado, tendo sido adiada a discussão e decisão sobre as PPP, parece-me que a nova Lei de Bases dependerá da geometria parlamentar que resultar das eleições legislativas. Mas ainda bem que a Geringonça se conseguiu acertar. É um bom fim de legislatura.


Que, apesar de todas as dúvidas, maus presságios e pesares, conseguiu terminar os 4 anos deixando o País bem melhor do que o encontrou. E não vale a pena tentar desmerecer o muito que fez. Repentinamente, há muita gente a redescobrir o que há muito existe e piora, nos hospitais e restantes serviços públicos. Exige-se, nomeadamente, que uma ministra que iniciou funções em Outubro passado resolva os problemas de toda uma legislatura (Adalberto Campos Fernandes ocupou o cargo durante 3 anos), ou mesmo de décadas.


A Geringonça resultou. Esperemos que o próximo ciclo político seja ainda melhor que este.


Nota: Num filme qualquer, não me lembro qual, dizia-se que O Padrinho tinha a resposta a todos so problemas da humanidade. Entre nós, convenhamos que é O Pai Tirano.

Populismo, racismo e extrema direita na PSP e na GNR (2)

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O que eu gostaria mesmo era de ver alguém do governo, dos partidos que o apoiam ou da oposição, dizerem alto e bom som, como o disse Manuel Frederico, do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (e ao contrário do que afirmou o Director Nacional da PSP), que "O que fragiliza a PSP são as condutas dos polícias porque, afinal, foram condenados."


Falta coragem política para dizer que isto é inaceitável. As Forças de Segurança têm como funções defender a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos.


TÍTULO IX


Administração Pública


Artigo 271.º


(Responsabilidade dos funcionários e agentes)



  1. Os funcionários e agentes do Estado e das demais entidades públicas são responsáveis civil, criminal e disciplinarmente pelas acções ou omissões praticadas no exercício das suas funções e por causa desse exercício de que resulte violação dos direitos ou interesses legalmente protegidos dos cidadãos, não dependendo a acção ou procedimento, em qualquer fase, de autorização hierárquica.

  2. É excluída a responsabilidade do funcionário ou agente que actue no cumprimento de ordens ou instruções emanadas de legítimo superior hierárquico e em matéria de serviço, se previamente delas tiver reclamado ou tiver exigido a sua transmissão ou confirmação por escrito.

  3. Cessa o dever de obediência sempre que o cumprimento das ordens ou instruções implique a prática de qualquer crime.

  4. A lei regula os termos em que o Estado e as demais entidades públicas têm direito de regresso contra os titulares dos seus órgãos, funcionários e agentes.


 


Artigo 272.º


Polícia



  1. A polícia tem por funções defender a legalidade democrática e garantir a segurança interna e os direitos dos cidadãos.

  2. As medidas de polícia são as previstas na lei, não devendo ser utilizadas para além do estritamente necessário.

  3. A prevenção dos crimes, incluindo a dos crimes contra a segurança do Estado, só pode fazer-se com observância das regras gerais sobre polícia e com respeito pelos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos.

  4. A lei fixa o regime das forças de segurança, sendo a organização de cada uma delas única para todo o território nacional.

12 julho 2019

Populismo, racismo e extrema direita na PSP e na GNR

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O Movimento Zero ter-se-á iniciado após vários agentes da PSP terem sido julgados e condenados por agressões na Cova da Moura (em 2015). Não aceitando a sentença, um grupo de agentes da PSP e da GNR ameaçam de não intervenção em bairros problemáticos, para além de outras ameaças de não cumprimento das suas funções. A última manifestação foi hoje, em que protestaram na cerimónia de comemoração dos 152 anos da PSP.


A reivindicação de melhores condições de trabalho e de melhores salários não se podem misturar nunca com o facto de se colocarem acima da lei e de, em vez de denunciarem e combaterem o racismo, a xenofobia e o abuso da força e da autoridade, se reúnem em grupos que acicatam os seus membros a transformarem-se em vítimas daqueles que eles vitimizam.


A extrema-direita não está adormecida e o populismo faz o seu caminho.

11 julho 2019

A Saga de Selma Lagerlöf

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Cristina Carvalho


 


Ler é um dos grandes prazeres que tenho na vida. Quando estou de férias redescubro o que é devorar livros, passando os dias reclinada num cadeirão ou estendida na cama a ler.


Para isso também é preciso que haja livros que me prendam, o que é cada vez mais difícil. Ou porque eu própria estou já cansada dos temas, ou porque as personagens não me convencem, ou porque simplesmente não me cativam.


Tinha muita curiosidade de ler este livro de Cristina Carvalho - A Saga de Selma Lagerlöfuma escritora sueca, vencedora do prémio Nobel e a primeira mulher a ser eleita para a Academia Sueca, autora de (entre outros) A Maravilhosa Viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Mas estava longe de imaginar o quanto gostei do livro.


Cristina Carvalho dá voz a Selma Lagerlöf e conta-nos, de uma forma simples e imaginativa, a sua fantástica vida, o seu amor pela terra e casa de família, as histórias que ouvia contar, as lendas, os bruxos, as videntes, a Natureza, toda ela diversa e omnipresente, os bichos, o lago, as florestas, as aves, o seu defeito físico, as suas relações com outros escritores e com as suas amantes, o seu combate pelas causas feministas, etc. Parece ter sido um livro escrito de rompante, quase como se Selma Lagerlöf tivesse suspendido a morte e escolhesse Cristina Carvalho como depositária das suas memórias.


Gostei imenso.

09 julho 2019

Estoril - um romance de guerra

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Estoril


 


Dejan Tiago-Stankovic escreveu um livro sobre Lisboa na II Guerra Mundial, uma Lisboa centrada no Hotel Palácio, onde inúmeros refugiados da nata europeia, fugidos da Guerra e das perseguições aos Judeus, aí aguardavam viagem para outro local, ou o fim das hostilidades.


 


Baseado em factos reais, é uma narrativa fluida e muito interessante, por vezes comovente, dos laços que se estreitam entre as mais diversas pessoas nas mais estranhas circunstâncias. O labiríntico marulhar da espionagem é também central no desenrolar dos acontecimentos.


 


Um livro surpreendente, que mistura Saint-Exupéry com Ian Fleming, jogadores de xadrez e espiões sérvios. Vale a pena ler e ouvir outras opiniões.

Na estrada

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Pablo Picasso


 


Há sentimentos que ficam pendentes, emoções embrulhadas em esquecimento, em prioritários matizes de vida a continuar, como se tivessem desaparecido. Mas basta um segundo de desatenção, uma fenda na muralha entretanto erguida e defendida, para que se instalem e avolumem sem perdão.


 


Na lista telefónica do telemóvel, que avançadas tecnologias nos colocam à disposição e à altura dos olhos, aparece o número de quem já não está. De repente a sua voz enche o carro e eu fico sem perceber se o tempo recuou ou se a realidade regressou por um momento, tudo eterno e ritual, como a batalha contra o tempo, que sempre nos vence.

06 julho 2019

Do levantar das pedras

Estamos perante um fenómeno de aparecimento de lacraus que resolveram sair dos buracos onde se escondiam. O cada vez maior número de pessoas que deixam de ter vergonha de assumir as suas ideias xenófobas e racistas, a arrogância da superioridade a que se guindam sem ninguém saber porquê, os privilégios que sentem como um direito, as tão famosas elites que se auto-proclamam meritórias sem se saber qual o mérito que as distingue.


 


Sou acérrima defensora da liberdade de expressão de pensamento sob todas as formas. E acho que ela é por demais importante precisamente quando se lêem posições e opiniões que nos são abjectas. Como é  caso do artigo de opinião de Fátima Bonifácio.


 


Não sei se o que expõe configura um crime de ódio, não tenho conhecimentos jurídicos para me pronunciar. Mas parece-me que a direcção editorial do Público, na sequência desta declaração, se deve informar e actuar em conformidade. Por muito que me custe, prefiro ler artigos destes e saber o que nos falta ainda fazer para combater quem os escreve. Mas nunca devemos esquecer que os limites da liberdade são os que a lei impõe.

Chega de Saudade


João Gilberto

Realidades

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José Manuel Castro Lopez


 


1.


Na verdade nem se importa


de se esconder dentro dos livros


de se fechar entre as palavras


para que não ouça nem fale


sem que os dedos da sua prisão


se libertem.


 


2.


A sua voz tornou-se grave e arranhada


como se as rugas se estendessem pela garganta


e o ar que expira fosse muitos tons abaixo


da verdadeira necessidade de respirar.


 


3.


E ainda não sabe de nada


como se vivesse através do mundo


sem que os olhos desenhassem a realidade.

04 julho 2019

Manter a compostura

É muito difícil manter a compostura ao ouvir tanto disparate e tanta manipulação da parte de Catarina Martins, onde se diz que as PPP enviam os casos complicados para os públicos, que manipulam indicadores, que roubam os dirigentes aos públicos, que não tiveram cortes no tempo da Troika, etc.


Ou Catarina Martins não faz a mínima ideia do que está a dizer, o que é grave, ou sabe e mente, o que é pior.


Já agora, os hospitais em regime de PPP são hospitais PÚBLICOS, geridos por privados. Todos os anos há uma contratualização com o Estado sobre os serviços que devem, podem e não podem oferecer, obrigações, etc., financiamento e penalizações caso as não cumpram. E a referenciação dos doentes para outros hospitais públicos dependem das valências que têm e podem assegurar, PPP ou outros.


Em relação às investigações existentes - e ainda bem - sobre a eventual falsificação de dados nas facturações e nos índices de case mix, convém não acreditar que apenas as PPP o podem fazer.


O problema é que ninguém quer saber a verdade - as pessoas só ouvem e acreditam no que querem: quem é a favor das PPP acha que são a panaceia para todos os males; quem é contra, acha que são culpadas de todas as atrocidades. Não vale a pena continuar a demonstrar que isto é tudo mentira.

Das coisas misteriosas

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Há, de facto, algumas coisas que ultrapassam a minha capacidade de entendimento.


A decisão, quanto a mim importante e meritória, de reutilizar manuais escolares, deve ter sido tomada por alguém que não fazia ideia de como são os ditos manuais agora, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade. Agora e há cerca de 30 anos, pois já eram assim quando os meus filhos andaram na escola.


A ideia peregrina de que se podiam reutilizar livros escritos pelos alunos, depois de apagados, obrigando e achando normal que os pais e os miúdos, no fim dos anos, apagassem os escritos ao longo do tempo escolar, só pode ter saído de mentes iluminadas que nunca apagaram qualquer manual.


Claro que reutilizar manuais faz sentido, para aqueles que não funcionam como fichas escolares. Se não se fazem livros onde não seja obrigatório preencher espaços em branco, levando as crianças a estimá-los para que possam servir para outras crianças, é um disparate sugerir a sua reutilização.

03 julho 2019

Da incongruência das avaliações

Não deixa de ser interessante que a mesma ERS que, segundo os inspirados tremendos títulos dos submersos pelo permanente caos no SNS, condenou o HVFX por internar doentes em refeitórios e casas de banho, classifique o mesmo HVFX com a classificação máxima de 3 estrelas em várias componentes, nomeadamente na vertente Adequação e Conforto das Instalações.


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SINAS - ERS


HVFX


É também interessantíssimo que os detractores da ignominiosa existência de PPP na saúde não tenham comentários a fazer sobre os resultados do SINAS na avaliação dos Hospitais.

Biografias

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O Poço e a Estrada


Isabel Rio Novo


 


Cada vez gosto mais de ler biografias, principalmente biografias de escritores.


 


Acho interessantíssimo conhecer a pessoa para além da capacidade de escrita, a forma como viveu, as suas circunstâncias e as do mundo que a rodeava, a família, o processo de criação, a sua ideologia política, se a tinha, a sua intervenção de cidadania, se é que a teve, as suas vitórias e derrotas, a maneira como lidava com a fama ou com o anonimato, enfim, a sua vivência e a sua humanidade.


 


Li a biografia de Agustina Bessa-Luís logo que foi publicada, até pelo fascínio que sempre me provocou. E não fiquei desiludida. Isabel Rio Novo consegue dar-nos a conhecer a mulher, a escritora, a irreverência e o conservantismo, a feminilidade, a alegria, o humor, a incrível capacidade de se distanciar de tudo e de olhar a sua vida como o adubo das suas personagens e dos seus aforismos.


 


Pelo contrário, a biografia de Sophia de Mello Breyner não me prendeu nem me devolveu uma pessoa. Penso que Isabel Nery ficou demasiado impregnada da imagem da poetisa e da poesia de Sophia, que se intimidou. Não fiquei a perceber como era a mulher, para além dos padrões e dos valores morais, da imensidão da vivência da obra poética, do amor à Grécia. A sua intervenção política, pelo contrário, parece-me bem espelhada.


 


E se calhar nada disto é importante e o meu gosto por conhecer a pessoa atrás da figura, da intelectual, da escritora, da poeta, é apenas a minha futilidade e curiosidade de voyeur. O que nos interessa, de facto, é a obra que deixaram, é a extraordinária capacidade de nos envolverem, ensinarem, divertirem e emocionarem.


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Sophia


Isabel Nery

Ou então


... à maneira de Dick Fosbury.

Confortabilíssimos colchões

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Quando comprarem um colchão não se esqueçam de medir a altura, pois podem ter que adquirir também um escadote...

02 julho 2019

Alguns factos verdadeiros para afirmações alternativas

A Ordem dos Médicos disponibiliza, online, estatísticas por especialidade - as mais recentes são de 2017.


Dessas estatísticas, realço apenas a especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, a propósito das notícias diárias de caos, falta de especialistas, urgências e maternidades a fecharem, etc.


Convém não esquecer que os médicos especialistas podem deixar de fazer urgências nocturnas a partir dos 50 anos - na especialidade de Ginecologia / Obstetrícia há 74% de médicos com mais de 50 anos. Mas a partir dos 55 anos, podem também deixar de fazer urgências diurnas - nesta mesma especialidade 61% dos médicos têm mais de 55 anos e 32% têm mais de 65 anos (a idade da reforma é por volta dos 67 anos).


Ou seja, o problema das urgências em Ginecologia / Obstetrícia tem principalmente a ver com o envelhecimento dos médicos.


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Por outro lado, e lendo o Relatório Social do Ministério da Saúde e do Serviço Nacional de Saúde (o último disponível é também de 2017):



  • pág. 24 - A carga horária predominante em todos os grupos profissionais é, com exceção do pessoal médico, as 35 horas semanais (53,9%), o que decorre da entrada em vigor da Lei n.º18/2016, de 20 de junho, que alterou o período normal de trabalho (PNT) em 2016. No caso do pessoal médico, mercê do respetivo enquadramento legal, predomina o período normal de trabalho de 40 horas semanais.

  • pág. 30 - A taxa média de retenção global dos médicos recém-especialistas que concluíram o internato médico no ano de 2017, foi até à data, na ordem dos 84%. Evidencia-se as especialidades com o maior número de recém-especialistas ativos nas entidades como a Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna, Anestesiologia, Cirurgia Geral e Ginecologia/Obstetrícia, apresentando estas especialidades taxas de retenção global entre os 83% e os 91%.


Ou seja, ao contrário do que muitos comentadores e opinadores comentam em todos os media, o problema da falta de médicos nada tem a ver com a redução das 40 para as 35 horas semanais, pois os médicos mantêm as 40h/ semana.


E em relação ao facto de haver muitos médicos a serem seduzidos pelos Hospitais Privados, isso não é globalmente verdade e, no caso da especialidade de Ginecologia / Obstetrícia, não o é especificamente.


 


Resumindo - há falta de médicos sim, porque eles não existem e não se formam de um dia para o outro.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...