17 março 2018

Guacamole

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Sempre achei a palavra guacamole muito divertida – parece um coaxar de uma rã qualquer, até é feito com abacate que é tão verde como esse batráquio. Além disso dá-me a sensação de que não se pode pronunciar guacamole sem gaguejar.


 


Vem tudo isto a propósito da sacada de abacates que, de vez em quando, alguém que se preocupa comigo e me mima muito, me dá para ver se me transformo numa sílfide saudável, o que é bastante difícil, se não mesmo impossível. Mas a esperança é sempre a última a morrer. Hoje dei conta de que os abacates tinham amadurecido e resolvi arriscar um guacamole. Depois de pesquisar receitas, decidi-me a fazer assim:


 


Peguei em 2 abacates e esmaguei-os com um garfo, dentro de uma tigela de vidro, regando com um pouco de sumo de lima, para não oxidarem; cortei 2 tomates médios, nem muito verdes nem muito maduros, descasquei-os, retirei as sementes e cortei-os em pedacinhos pequeninos. Fiz o mesmo com meia cebola (era grande) e esmaguei um enorme dente de alho. Ainda cortei grosseiramente um molhinho de coentros, misturei tudo com a pasta de abacate, reguei com mais um pouco de sumo (o equivalente a meia lima) e temperei com sal (grosso) e um pouco de pimenta. No fim resolvi usar a varinha mágica para ficar tudo um puré.


 


Apesar dos olhos duvidosos com que os comensais cá de casa olharam para mim e para o meu cozinhado, comeram-no bastante bem, depois de o provarem, a medo. Foi um êxito, portanto.


 


E já agora, é de coisas simples que precisamos. Para ouvir uma cantora mexicana já desaparecida - Chavela Vargas - cantando Las simples cosas (penso que a canção é originária da Argentina).


 



 


 


Uno se despide


Insensiblemente de pequeñas cosas


Lo mismo que un árbol


Que en tiempo de otoño se queda sin hojas


Al fin la tristeza es la muerte lenta de las simples cosas


Esas cosas simples que quedan doliendo en el corazón


Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amo la vida


Y entonces comprende como están de ausentes las cosas queridas


Por eso muchacha no partas ahora soñando el regreso


Que el amor es simple y a las cosas simples las devora el tiempo


Demorate a ti, en la luz solar de este medio día


Donde encontraras con el pan al sol la mesa tendida


Por eso muchacha no partas ahora soñando el regreso


Que el amor es simple y a las cosas simples las devora el tiempo


Uno vuelve siempre a los viejos sitios donde amo la vida

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