30 novembro 2015

Dia novo

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Lena Rivo


 


Saboreio o dia como o couro


de uns sapatos velhos


o conforto meigo


da pele macia da manhã


que estreia o ar


e o cheiro da chuva.


 


Aliso as rugas


com a cascata do banho


e preparo a alma enxuta


para a próxima luta.

27 novembro 2015

Reaparecem

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Aitor Renteria


 


Tenho perdido palavras


petrificadas no desalento.


Cristais de silêncio reaparecem.


Cíclicas e renovadas as mãos


que se abrem e descobrem


a permanência da vida.

25 novembro 2015

Resumo

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Via Câmara Corporativa

Um fim de época

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Catorze dias depois da rejeição do governo de Passos Coelho e Portas, cinquenta e dois dias depois das eleições, Cavaco Silva finalmente marcou a data de posse do governo de António Costa, não se coibindo de atropelar as regras da boa convivência Institucional, agendando a cerimónia para a mesma hora do início da sessão plenária na Assembleia da República.


 


Não é bonito de se ver, este fim de época, independentemente do que se opine sobre a reviravolta política a que temos assistido desde as últimas eleições. Cavaco Silva ficará na memória como um Presidente que nunca soube assumir a postura que a sua função lhe exigia, optando por um magistério que, objectivamente, favoreceu a sua família política, para não dizer que boicotou e conspirou contra o leque partidário à esquerda. Este arrastar do tempo entre a queda do governo de Passos Coelho e a decisão de empossar o governo socialista foi inqualificável. Nada o justificava, nada esclareceu ou clarificou, nada resolveu.


 


Quarenta anos depois do 25 de Novembro de 1975, altura em que a democracia foi reposta em Portugal resistindo ao golpismo radical do PCP e dos movimentos extremistas de esquerda, António Costa, Jerónimo de Sousa e Catarina Martins conseguiram concordar em que era melhor unirem esforços para que a direita não governasse. E este acordo mínimo, mesmo que de curta duração, é já um feito assinalável e foi suficiente para que todos nos espantássemos com a marcha dos acontecimentos.


 


Estou céptica, mas desejo muito que este seja um governo de viragem, um governo que demonstre que é possível fazer melhor sem empobrecer ainda mais os cidadãos. Que é possível sentir que o centro e o objecto da governação sejam o bem-estar das pessoas.


 


O governo precisará de muita sorte, muito engenho e muita arte. E nós também.

15 novembro 2015

Resistências

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Tiago Taron


 



Paris en colère


Maurice Vidalin & Maurice Jarre & Mireille Mathieu


 


Que l'on touche à la liberté
Et Paris se met en colère
Et Paris commence à gronder
Et le lendemain, c'est la guerre
Paris se réveille
Et il ouvre ses prisons
Paris a la fièvre
Il la soigne à sa façon
Il faut voir les pavés sauter
Quand Paris se met en colère
Faut les voir, ces fusils rouillés
Qui clignent de l'œil aux fenêtres
Sur les barricades
Qui jaillissent dans les rues
Chacun sa grenade
Son couteau ou ses mains nues
La vie, la mort ne comptent plus
On a gagné, on a perdu
Mais on pourra se présenter là-haut
Une fleur au chapeau
On veut être libres
À n'importe quel prix
On veut vivre, vivre, vivre
Vivre libre à Paris
Attention, ça va toujours loin
Quand Paris se met en colère
Quand Paris sonne le tocsin
Ça s'entend au bout de la terre
Et le monde tremble
Quand Paris est en danger
Et le monde chante
Quand Paris s'est libéré
C'est la fête à la liberté
Et Paris n'est plus en colère
Et Paris peut aller danser
Il a retrouvé la lumière
Après la tempête
Après la peur et le froid
Paris est en fête
Et Paris pleure de joie

13 novembro 2015

Paris

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O horror do terrorismo dentro das portas da nossa casa europeia, em Paris, símbolo da liberdade. Que o medo não possa fazer vergar a democracia e a sociedade livre.

10 novembro 2015

Cata-vento

Sinto-me um autêntico cata-vento, com distúrbio bipolar.


 


As minhas opiniões variam como as voltas da montanha russa, um carrossel de prós e contras, de achismos e opiniões de tudo e o seu contrário, em ritmos circadianos. Não há pílula que me devolva a estabilidade dos bons princípios.

Do começo das dificuldades

O governo de Passos Coelho e Paulo Portas caiu. Aguardamos a decisão de Cavaco Silva.


 


António Costa assumiu um risco enorme apenas ultrapassado pela responsabilidade do seu governo em nos demonstrar que há outra maneira de governar. Não será de rosas mas de muitos espinhos e cardos os caminhos que irá percorrer, tomando por certo que irá ser Primeiro-ministro.


 


Ser-lhe-á pedido o possível e o impossível, ser-lhe-ão apontados todos os franzir de sobrolhos dos seus aliados à esquerda, suportará o peso de todas as desilusões que, fatalmente, iremos sentir. Se esta coligação não se aguentar, o PS e os partidos à sua esquerda serão submergidos durante algum tempo.


 


Os cidadãos pedem a este próximo governo que os defenda e os honre com o sentido de missão e de serviço público, que lhes devolva o sentido da decência e da dignidade que tanta falta faz a quem já perdeu tanto, que lhes mostre que há esperança num futuro melhor.

09 novembro 2015

Confissão

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Por muito que tente ser fria, realista, distante, pragmática e que observe os meus princípios do alto da sua pureza, confesso a minha secreta e imensa satisfação pelas palavras de Carlos César na Assembleia da República, pelo júbilo de uma nova esperança, pelo limiar da possibilidade de haver outra forma de governar.


 


À falta de argumentos em relação à total e estrita observância dos preceitos democráticos e da Constituição, a nova ordem é atacar o próprio Parlamento, denegrindo o papel dos deputados, insultando-os e tentando demonstrar que é um antro de ente corrupta e preguiçosa. O que mais me incomoda é a adopção deste mesmo tipo de comentários por pessoas que me habituei a admirar, como António Barreto. Feios, porcos e maus, estes deputados de esquerda que tiveram o topete de se concertar para assumirem uma alternativa de governo.


 


O espírito dos inquisidores desperta infelizmente também nas alas mais fundamentalistas do PS. É só observar o bulling a que estão sujeitos aqueles que não estão de alma e coração com esta solução governativa.


 


Vale a pena atentar bem no que disse o líder parlamentar do PS: (...) o Parlamento é um espaço de representação cívica e não um campo de batalha. De convergências e de controvérsia, mas marcado pela concidadania (...) quando os políticos divergem não se devem tornar inimigos (...).

08 novembro 2015

Um político a sério

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Mesmo parecendo contraditório com o que expus no post anterior, devo dizer que António Costa tem demonstrado ser um verdadeiro e hábil político. A forma como transformou uma derrota em vitória é inegável e é a razão porque tantos de nós o desejamos como Primeiro-ministro.


 


O que estamos a viver, com reservas ou sem elas, é bem o espelho de uma reviravolta histórica na nossa vida democrática. E devo ampliar a minha admiração a Catarina Martins e a Jerónimo de Sousa que, mesmo com todas as cautelas e cepticismos, souberam abrir uma hipótese de entendimento, impensável no próprio dia das eleições.


 


Espero que a Europa e os ditos "mercados" saibam respeitar a democracia em Portugal, com os seus tempos e as suas especificidades. Abre-se uma esperança de verdadeira mudança que pode alastrar a outros países. É do êxito dessa mudança que a direita tem medo.


 


Uma nota para o artigo de António Barreto de hoje, no DN, um homem que parece ter desistido da sua posição esclarecida e moderada. A síndroma de Medina Carreira é, infelizmente, contagiosa.

Clarificações

As alterações políticas a que assistimos desde 4 de Outubro fazem com que me sinta em grande confusão ideológica, pois queria muito uma alteração governativa com a inexorável derrota da política destes últimos 4 anos, e senti-me espantada e esperançosa com a hipótese de poder realizar este desejo.


 


Mas é bom que nos recentremos e nos distanciemos desses desejos e vontades, para que o realismo e o pragmatismo imperem:



  1. António Costa foi eleito Secretário Geral do PS, em substituição de António José Seguro porque, com ele, o PS teria assegurada uma estrondoso vitória eleitoral.

  2. António Costa apresentou-se a eleições como candidato a Primeiro-ministro, ambicionando uma maioria absoluta para governar. Sempre defendeu entendimentos com os partidos à sua esquerda e afirmou por diversas vezes a quase impossibilidade de acordos com a direita.

  3. António Costa perdeu as eleições por uma margem bastante clara.


 


Nada disto impede nem retira legitimidade democrática à alternativa de um governo com apoio parlamentar dos partidos à esquerda do PS. Mas a legitimidade política de António Costa para liderar esta solução é fraca, tenho que o admitir.


 


António Costa não procurou o reforço da sua legitimidade política propondo um congresso extraordinário e perguntando a opinião dos militantes e simpatizantes do PS - os mesmos que o elegeram para candidato a Primeiro-ministro. Por isso, por muito que me agrade a hipótese de um governo de esquerda, por muito que repita a mim própria que nestas eleições se escolhem deputados e não primeiro-ministros, por muito que eu saiba que a soma dos deputados de esquerda é superior à soma dos deputados de direita, não deixo de pensar que esta solução precisa de ser sufragada pelos cidadãos.


 


Sendo assim, acho que Cavaco Silva deverá dar posse a António Costa e que o próximo (ou próxima) Presidente da República deverá convocar eleições antecipadas de forma a clarificar qual a solução governativa que os cidadãos querem: uma coligação de direita, uma coligação de esquerda ou um governo minoritário com apoios parlamentares à medida das necessidades.


 


Na verdade não me sinto confortável com um governo liderado por um PS que, até há bem poucas semanas, declarava, e com razão, que a única forma de garantir um governo de esquerda era tendo uma maioria absoluta; e também com partidos que, até há bem poucas semanas, juravam que o PS era semelhante à direita.


 


Os pragmatismos podem ser invocados em todas as circunstâncias e podem ser argumento para opiniões simétricas e contrárias. O PCP mudou e abriu esta brecha - o povo deve confirmar que é esta a sua opção, com António Costa à frente de uma coligação de governo ou parlamentar.


 


Por muito que rejubile com um governo liderado pelo PS toda eu clamo por um governo com estes partidos e com ideias a ganharem eleições.


 


Nota: acabo de ouvir Jerónimo de Sousa dizer que o PCP aprova o acordo com o PS. Este é, de facto, um tempo histórico, seja o que for que vá acontecer daqui para a frente. O próximo acto será protagonizado pelo Presidente Cavaco Silva.

A hora da verdade (2)

No seguimento do post anterior, se se confirmar a rejeição em bloco do governo de Passos Coelho no Parlamento, não é certo que Cavaco Silva emposse António Costa.


 


O Presidente pode manter o governo em funções de gestão, se considerar que, embora exista um acordo para a legislatura com o BE, o PCP e o PEV, este não assegura a estabilidade para um governo de 4 anos. Neste caso o Presidente condicionará a actuação do seu sucessor, obrigando-o a convocar eleições imediatamente após a sua posse. Por outro lado a coligação de esquerda poderá ganhar votos com a eventual vitimização pela situação criada.


 


Mas se o Presidente decidir aceitar as garantias desse (ainda inexistente) acordo entre os 4 partidos, será o PAF que se vitimizará e tudo fará para pressionar o próximo Presidente a convocar eleições antecipadas. Toda a campanha presidencial será à volta deste tema. Os candidatos serão obrigados a pronunciar-se sobre a sua opção, caso ganhem as eleições. E o tempo do PS no governo será muito escasso para que, de alguma forma, consiga provar que é, de facto, uma alternativa ao pensamento único da direita.


 


Seja qual for a sua decisão, Cavaco Silva será criticado por cerca de metade da população. Por sua inteira responsabilidade.

A hora da verdade (1)

À hora em que escrevo este post ainda não há um acordo de compromisso para a legislatura assinado com o PCP. Ou seja, ainda não é certo que António Costa tenha uma proposta alternativa a apresentar ao Presidente Cavaco Silva, honrando a sua promessa de só rejeitar o governo da coligação PSD/ CDS se obtiver um documento escrito em que os partidos de esquerda asseguram a estabilidade governativa do PS no Parlamento.


 


Se o PCP não assinar o acordo, veremos se o PS mantém a sua decisão e se, depois de toda esta reviravolta, o governo de Passos Coelho não acabará por passar na Assembleia da República. Neste cenário o PCP será acusado de inviabilizar o governo de esquerda e será altamente penalizado numas próximas eleições. Pelo contrário, o PS e o BE capitalizarão e reforçarão o seu eleitorado e será óbvio, como o foi até 4 de Outubro, que para eleger um governo de esquerda o voto no PCP é um desperdício.


 


Se o PCP assinar o acordo, Cavaco Silva terá nas suas mãos a decisão que, qualquer que seja, desagradará a cerca de metade da população.

06 novembro 2015

Das democracias amputadas

O que se tem ouvido e lido sobre o resultado das eleições de 4 de Outubro e da consequente formação de governo é indicativo da subalternização da política e da deriva antidemocrática dos últimos anos.


 


Ao arrepio dos resultados eleitorais, as mais variadas vozes vindas de sectores empresariais e políticos, que se instalaram na sociedade e têm usufruído da ideologia dominante desde a crise de 2008, avisam os incautos sobre a inevitabilidade do caos caso se encontre uma alternativa de governo com apoio parlamentar da ala esquerda da Assembleia da República, ou decretando que a única atitude legítima e democrática do PS é viabilizar e aceitar as propostas e os acordos que a direita lhe propuser.


 


Se podermos pensar com o mínimo de distância, não compreendemos a causa da obrigação do PS em negociar apenas à direita como decreto resultante de ter perdido as eleições legislativas, como segundo partido mais votado. Independentemente do que possamos pensar sobre a viabilidade da solução governativa com o apoio parlamentar do BE e do PCP, o que se estranharia seria a prioridade dada pelo PS às negociações com o PAF, depois das declarações de António Costa relativas à negação do conceito dos partidos do arco da governação e de tudo o que o PS e a coligação de direita disseram durante a campanha. Será que os representantes eleitos estão impedidos de escolher com quem podem ou não fazer entendimentos, protocolos e alianças?


 


E quanto à divulgação dos entendimentos, do programa do eventual governo socialista e dos seus compromissos, a que propósito é que se exige conhecimento deles antes de estarem finalizados? Quando é que foram disponibilizados os compromissos entre o PSD e o CDS após as eleições de 2011? E será que desses compromissos constava a aprovação de todos os Orçamentos de Estado da legislatura?


 


Mantenho as minhas reservas e o meu cepticismo em relação à solução preconizada pelo PS. Penso que é uma manobra de alto risco, principalmente para o próprio PS. Considero no entanto que a campanha mediática a que temos assistido, liderada pelos pseudo jornalistas comentadores e afins, obedientemente mandatados pela coligação PSD/ CDS, mostra bem o conceito que têm de democracia - só são aceitáveis e só se aceitam governos de direita. As opções dos cidadãos resumem-se a não terem opção.


 


Uma nota final para a forma lamentável e indigna como muitos se têm referido a Francisco Assis, um homem frontal e que assume as suas opiniões. É muito triste ler os comentários que num estilo absolutamente troglodita, pululam no facebook.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...