O que se tem ouvido e lido sobre o resultado das eleições de 4 de Outubro e da consequente formação de governo é indicativo da subalternização da política e da deriva antidemocrática dos últimos anos.
Ao arrepio dos resultados eleitorais, as mais variadas vozes vindas de sectores empresariais e políticos, que se instalaram na sociedade e têm usufruído da ideologia dominante desde a crise de 2008, avisam os incautos sobre a inevitabilidade do caos caso se encontre uma alternativa de governo com apoio parlamentar da ala esquerda da Assembleia da República, ou decretando que a única atitude legítima e democrática do PS é viabilizar e aceitar as propostas e os acordos que a direita lhe propuser.
Se podermos pensar com o mínimo de distância, não compreendemos a causa da obrigação do PS em negociar apenas à direita como decreto resultante de ter perdido as eleições legislativas, como segundo partido mais votado. Independentemente do que possamos pensar sobre a viabilidade da solução governativa com o apoio parlamentar do BE e do PCP, o que se estranharia seria a prioridade dada pelo PS às negociações com o PAF, depois das declarações de António Costa relativas à negação do conceito dos partidos do arco da governação e de tudo o que o PS e a coligação de direita disseram durante a campanha. Será que os representantes eleitos estão impedidos de escolher com quem podem ou não fazer entendimentos, protocolos e alianças?
E quanto à divulgação dos entendimentos, do programa do eventual governo socialista e dos seus compromissos, a que propósito é que se exige conhecimento deles antes de estarem finalizados? Quando é que foram disponibilizados os compromissos entre o PSD e o CDS após as eleições de 2011? E será que desses compromissos constava a aprovação de todos os Orçamentos de Estado da legislatura?
Mantenho as minhas reservas e o meu cepticismo em relação à solução preconizada pelo PS. Penso que é uma manobra de alto risco, principalmente para o próprio PS. Considero no entanto que a campanha mediática a que temos assistido, liderada pelos pseudo jornalistas comentadores e afins, obedientemente mandatados pela coligação PSD/ CDS, mostra bem o conceito que têm de democracia - só são aceitáveis e só se aceitam governos de direita. As opções dos cidadãos resumem-se a não terem opção.
Uma nota final para a forma lamentável e indigna como muitos se têm referido a Francisco Assis, um homem frontal e que assume as suas opiniões. É muito triste ler os comentários que num estilo absolutamente troglodita, pululam no facebook.
Não me parece que o Francisco Assis esteja a ser frontal.
ResponderEliminarNesta altura, sinceramente, utilizaria outras palavras muito menos simpáticas.