30 abril 2015

Do desnorte governativo

Esta maioria que nos governa está de cabeça perdida. Não só ficou atarantada com o documento do PS como, para desviar as atenções e contra-atacar, resolveu desavergonhadamente usar os serviços do Estado numa tentativa atabalhoada de lançar a confusão. Desgraçadamente apenas de confundiu a ela própria, dando um protagonismo de Programa de Governo/ Orçamento de Estado ao referido documento, colocando-se na posição da oposição (à oposição) e aceitando, tacitamente, que o PS assumirá o poder.


 


A seguir vem mais uma apressada comunicação importante - a formalização da coligação PSD/CDS para as próximas legislativas (por coincidência a 25 de Abril).


 


Mas estão com azar. Finalmente o PS está a acordar e a marcar a agenda política. Não com disparates ou grandes e eloquentes frases vazias, mas com propriedade, seriedade e sentido de humor. Já está disponível a resposta às 29 perguntas da oposição. Venham mais perguntas, mais esclarecimentos. Agora já não é possível abrandar.


 


É essencial que o PS se reafirme como a única alternativa à direita, se demarque dos atropelos ao Estado de Direito nunca cedendo no que diz respeito aos direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, seja firme na defesa do SNS, da Segurança Social e da Educação. É essencial que o poder seja utilizado para servir os cidadãos.

26 abril 2015

Um dia como os outros (156)

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 (...) É interessante abordar o problema pelo avesso, começando não pela crise do Mediterrâneo mas pelas contradições dos europeus sobre os imigrantes. “Se fecharem as portas à imigração, pagarão um preço económico”, adverte Jean-Christophe Dumont, especialista de migrações na (Organização para a Coooperação e Desenvolvimento Económico) OCDE. A Europa envelhece a ritmo vertiginoso. Um exemplo: sem mudança dos fluxos migratórios, a Alemanha, primeira potência económica da região e com a mais baixa taxa de natalidade, poderá ver a sua população cair de 82 milhões para 74,7 milhões até 2050, previne o Eurostat. Veria, consequentemente, diminuir o seu potencial de crescimento.


Com a entrada na reforma da geração do baby boom a população europeia com mais de 65 anos vai rapidamente aumentar, enquanto o número dos menores de 15 anos diminuirá cerca de 15% até 2060, prevê o Eurostat. O que está em jogo é o nível de vida dos europeus, o seu bem-estar e a sustentabilidade das prestações sociais.


Um estudo do International Longevity Centre (Londres) avisava em 2013 que a Europa precisará de “pelo menos mais 11 milhões de imigrantes até 2020” para garantir o pagamento das pensões aos seus reformados. Não basta subir a idade da reforma. Passar-se-á rapidamente da proporção de quatro activos por pensionista para dois por um. São dados que todos conhecem. Mas um dos mais banais argumentos contra o incremento da imigração é a concorrência que os imigrantes fariam aos nacionais no campo das prestações sociais.


“A velha Europa tem necessidade de cérebros e de braços”, titula o Libre Belgique. Mas que contam os números da demografia perante os discursos anti-imigração de Marine Le Pen, do holandês Geert Wilders, do britânico Nigel Farage, do partido Democratas da Suécia ou do movimento alemão Pegida — que protesta contra a “islamização da Europa” e a chegada de refugiados sírios que, por acaso, são em grande número cristãos?


“O medo da imigração espalha-se na Europa” foi o título de um programa de uma televisão francesa em Janeiro passado. Resumia: “Barcos em perdição, vindos da Turquia, da Síria ou da Líbia, manifestações na Suécia ou na Alemanha, polémicas em França e na Grã-Bretanha, a imigração apresenta-se na Europa como o sujeito político do ano 2015.” Faltavam os naufrágios de Abril.


Qual é a consequência política? Os dirigentes europeus estão reféns do medo criado pela extrema-direita e dos sentimentos xenófobos que se enraízam nas suas populações e a que, até agora, não têm sabido dar resposta. (...)


(...)  Há outra dimensão, um problema da Europa consigo mesma: aproveitar ou desperdiçar a tragédia de Abril para refazer a política de imigração, defender a sua imagem, confirmar o seu estatuto internacional, dominar os seus demónios.


Preveniu, em Janeiro, a analista italiana Marta Dassù: “Enquanto a sociedade europeia se abre ao mundo, ganham terreno movimentos xenófobos e de ‘campanário’ que sopram sobre o fogo do medo e do ódio. (...) Se perdermos o grande desafio do Mediterrâneo os populismos vencerão na Europa. O futuro [europeu] depende em grande medida da nossa capacidade de resolver a questão do Mediterrâneo.”


 


Jorge Almeida Fernandes

25 abril 2015

Da manipulação informativa

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A nova estratégia mediática da direita é tentar convencer os incautos que votar no PS ou no PSD/CDS é a mesma coisa. O Expresso de hoje mostra bem como a informação pode ser manipulada:


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Da casa da democracia

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Mário Soares, Manuel Alegre e a Associação 25 de Abril prestaram um mau serviço à credibilização do Parlamento como Casa da Democracia ao recusarem-se a estar presentes na cerimónia solene de hoje.


 


Independentemente do que possamos pensar deste governo e deste Presidente, eles foram o resultado do voto livre e universal, resultado da vivência democrática que hoje comemoramos. É com grande tristeza que os vejo, mais uma vez, confundir luta partidária com liberdade e democracia.

Da democracia que construimos

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25 de Abril de 1975


Eleições para a Assembleia Constituinte


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Da revolução actual (2)

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 (Na continuação da conversa):


- Então onde almoçaram?


- Fomos ao Porcão*


- O Porcão está aberto? Mas isso é muito fascista, estar aberto no 25 de Abril...


- ... está a dar de comer aos revolucionários... (isto não disse, mas pensei)


 


(* nome revolucionariamente terno com que se trata a cantina cá de casa)

Da revolução actual (1)

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 Ao deparar-me com um dos comensais cá de casa, ainda agora:


- Então?! Não foi à manifestação do 25 de Abril?!?!


- Não. Tenho que trabalhar...


- Mas isso é de direita reaccionária e fascista...


- ... nos dias que correm trabalhar é revolucionário!

24 abril 2015

Afinal há alternativas

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Desde que foi apresentado o estudo Uma década para Portugal que recomeçou a discussão política. Finalmente!


 


Há propostas, há alternativas, há ideias. Vamos lê-las, ouvi-las, discuti-las, compará-las com a velha ordem exausta e depauperada, vamos reacender a esperança.


 


O Parlamento foi bem o cenário do arrepio que alastra por esta maioria que nos governa. A nova Troika tem os dias contados. Resta ao PS tudo fazer por uma maioria absoluta de forma a poder concretizar um programa credível em que nos possamos rever e aglutinar.

Amanhã

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41 anos de Liberdade


 



1ª senha 


 



 2ª senha

21 abril 2015

Um dia como os outros (155)

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 (...) Mas o que foi apresentado por Mário Centeno tem uma enorme vantagem: é claro e é diferente.(...)


(...) Os economistas caucionados pelo PS não propõem apenas acelerar o fim da austeridade, propõem acabar com a política que a troika impôs a Portugal e que o governo de Passos Coelho acolheu, por nela acreditar. (...)


(...) A diferença entre estas duas políticas é, diria Vítor Gaspar, enorme. Com o PSD, o Estado "encolhe". Com o PS, o Estado vai gastar mais do que hoje mas vai também ter mais receitas porque o PIB cresce mais.


Embora se comprometa com metas de dívida e défice orçamental, António Costa acaba de perder a passadeira vermelha para entrar em quatro cidades: Berlim, Bruxelas, Frankfurt e Washington. A troika deve estar aos murros na parede depois de ouvir isto. (...)


(...) Mas hoje já podemos analisar isto: o PS e o PSD defendem o contrário um do outro. O "não há alternativa" já não existe para os eleitores. E isso coloca a discussão política num nível completamente diferente. 


Onde o PSD defende cofres cheios, o PS propõe bolsos cheios.


 


Pedro Santos Guerreiro


Uma Década para Portugal

20 abril 2015

Da hegemonia mediática da direita

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Dados retirados da PORDATA e da EUROSONDAGEM


 


A propósito da publicitação dos resultados da Eurosondagem publicados no último fim de semana, é muito interessante verificar os títulos dos jornais e televisões, realçando a subida do PSD e a estagnação do PS nas intenções de voto dos portugueses.


 


Mas se observarmos os gráficos mais acima e os compararmos com os da sondagem, podemos verificar que a direita (PSD+CDS) nunca teve uma percentagem tão baixa em eleições legislativas: em 1975, em pleno PREC, a direita conseguiu 36,6% dos votos - mais 1,9% que na dita sondagem; e em 2005, na altura em que o PS conseguiu maioria absoluta, PSD e CDS somaram 37,1% dos votos - mais 2,4% que na referida sondagem.


 


Ou seja, nunca a direita teve tão pouca expressão eleitoral com a que tem agora. O espantoso é que não ouvi nem li em lado nenhum os dados apresentados desta forma (ou de outra semelhante) nem ouvi qualquer jornalista perguntar aos diferentes comentadores (que, por acaso, pertencem quase todos ao espectro político da maioria governamental) como podem explicar que, em Portugal, nunca desde o 25 de Abril a direita represente tão pouco da sociedade portuguesa, ao contrário do que parece, pelas barragens e manipulações mediáticas a que assistimos diariamente.


 


Tal como na altura do PREC, só que de sinal contrário.

18 abril 2015

Come Healing


Leonard Cohen


 


O gather up the brokenness
And bring it to me now
The fragrance of those promises
You never dared to vow

The splinters that you carry
The cross you left behind
Come healing of the body
Come healing of the mind

And let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

Behold the gates of mercy
In arbitrary space
And none of us deserving
The cruelty or the grace

O solitude of longing
Where love has been confined
Come healing of the body
Come healing of the mind

O see the darkness yielding
That tore the light apart
Come healing of the reason
Come healing of the heart

O troubled dust concealing
An undivided love
The Heart beneath is teaching
To the broken Heart above

O let the heavens falter
And let the earth proclaim:
Come healing of the Altar
Come healing of the Name

O longing of the branches
To lift the little bud
O longing of the arteries
To purify the blood

And let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

O let the heavens hear it
The penitential hymn
Come healing of the spirit
Come healing of the limb

Das provocações da direita às reacções da esquerda

O debate lançado pelo Observador sobre a necessidade de uma nova Constituição deve interessar a todos. Aos que concordam e pensam ser necessário redigir uma Constituição e aos que não concordam e pensam ser necessário apenas ir revendo a Constituição existente.


 


De uma forma ou de outra ninguém deve ficar indiferente e recusar o debate. A esquerda não pode transformar o tema constitucional num tabu, como se se tratasse de um texto sagrado e clamando por blasfémia de cada vez que se fala - habitualmente a direita e com intuitos obviamente ideológicos - em fazer uma nova Constituição.


 


O que eu gostaria de ver era a esquerda a explicar porque não quer um novo texto Constitucional, o que pretende manter e o que pretende rever, quando, como e porquê. Se o debate está enviesado à direita a esquerda tem obrigação de o redireccionar.


 


A Constituição tem quase 40 anos e o mundo mudou. Não me causa qualquer espanto a defesa de uma nova Constituição. Penso mesmo que os partidos deveriam ser transparentes e explicarem o que querem mudar ou manter na Constituição, ficando assim com um mandato para a revisão, alteração ou mesmo para se eleger uma nova Assembleia Constituinte. O que me preocupa é perceber que da parte da esquerda há pânico em vez de ideias e de firmeza.


 


A este propósito, vale a pena ler este excelente texto de Domingos Farinho.

Da tolerância democrática

Não deixa de ser surpreendente que alguém se candidate a Presidente da República, uma das Instituições da nossa democracia, e tenha tanto desrespeito e desprezo por outra Instituição da nossa democracia. Aliás se não existisse um regime democrático (e Republicano) essa figura não teria oportunidade de poder candidatar-se sequer.

Da hipocrisia pornográfica

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 Mariano Gago


 


São quase pornográficas as declarações que ouvimos de Passos Coelho e de Nuno Crato, na hora em que vestem o luto e afivelam rostos de circunstância e pesar, elogiando o trabalho de um homem que dedicou muito da sua vida a construir tudo aquilo que os dois se apressaram a destruir.

17 abril 2015

Do voto de confiança

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Apesar dos erros que estão, na minha opinião, a ser cometidos pelo PS - política de alianças, estratégia presidencial, falha na liderança da agenda política, apesar das sondagens não demonstrarem a tão ansiada subida de intenções de voto, apesar de me indignar com as incapacidades da oposição, não me restam nenhumas dúvidas quanto à infinita diferença entre esta direcção do PS e a anterior.


 


António Costa tem tudo para ser um excelente Primeiro-ministro: cultura política, diplomacia, honestidade, frontalidade e bom-humor, experiência governativa e coragem para enfrentar adversidades. O PS, mais devagar do que eu gostaria, é certo, tem centrado a sua acção de forma hierarquizada em relação às prioridades que definiu, com bastante habilidade e realismo. É um alívio olhar para António Costa e para os seus colegas e perceber que podemos confiar neles.

Dos erros (ex) Presidenciais

Se Ramalho Eanes apoiar a candidatura de Sampaio da Nóvoa para as próximas eleições presidenciais, o PS perde a possibilidade de apresentar, de forma explícita ou não, qualquer outro candidato da área do centro-esquerda que possa ampliar a base de apoio e protagonizar uma verdadeira mudança de ciclo político no País.


 


Como está cada vez mais à vista, o PS foi ultrapassado pelos acontecimentos e não consegue arrancar com alma e coragem, deixando a iniciativa nas mãos das forças políticas mais ou menos marginais à esquerda e nas mãos da direita, com Marcelo Rebelo de Sousa em grande actividade dando gás a esta candidatura.


 


Considero-a (mais) um erro estratégico da esquerda, que se perde nos entrincheiramentos monolíticos e reage a tudo como actos provocatórios, sem que lhe ocorra, àquela histórica esquerda revolucionária, criativa e desestabilizadora, ter alternativas e imaginação. Em vez do descabelamento e das juras de amor eterno ao Texto Constitucional, recusando (por blasfema) a hipótese de discutir a possibilidade de se escrever uma nova Constituição, deveria preocupar-se em avançar com propostas que renovassem a democracia e obrigassem a direita ao desconforto.


 


Infelizmente estamos a assistir ao contrário. Por isso parece-me um erro também de Ramalho Eanes adiantar-se neste apoio, arrumando por mais 10 anos a questão presidencial.

16 abril 2015

Terra seca

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Dry Land


John R Walker


Chamaram-lhe tempo de cerejas


ao vasto encontro da bonomia


ao azul chamamento do mar.


 


Mas dos frutos as mãos já se desarmam


desapetecidos pela secura do olhar


e do tempo já a vida se demora


esquecida do que falta semear.

Dos totalitarismos esclavagistas

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 Laurence Valère


Anse Cafard Slave Memorial


 


Seremos todos altos, fortes, saudáveis e moralmente puros, com inúmeras virtudes públicas (vícios só os privados).


Governo quer proibir tabaco em todos os locais públicos fechados


Proibição de qualquer tipo de álcool a menores vai avançar


 


E será tudo a favor da Nação, todo o esforço e o suor dos nossos rostos brilharão para o esplendor nacional, de olhos postos no chão e humilde chapéu na mão, facebook para distrair e sol para desdeprimir - Portugal no seu melhor.


Empresas apoiadas pelo Estado pagam 505 euros a engenheiros e professores

Da exaustão como arma política

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Erwin Jules de Vries


 


Há muitas formas de alienação, umas privadas e auto sustentadas, outras públicas e utilizadas como arma política. Muitas vezes ambas se confundem e se alimentam. A religião e o futebol são as mais conhecidas e citadas. Mas uma das mais eficazes é o trabalho insano, os horários desumanos e a exaustão completa dos poucos cidadãos que conseguem trabalho e, por isso, deixam de reivindicar qualquer capacidade de protesto.


 


A falta de tempo e de disposição mental para pensar, para ter outra vida que não a que lhe é exigida pelas empresas, individuais ou colectivas, amesquinha, aplana e apaga a criatividade, a vontade e a auto estima, deixando apenas o instinto de sobrevivência e a intolerância absoluta por qualquer movimento que estimule e contenha dinamismo que, por sua vez, aumenta a exaustão.


 


Não tenhamos dúvidas – a concepção do trabalho e das relações laborais desta maioria que nos governa, em Portugal e na Europa, é aquela que reduz a capacidade crítica e que aumenta a subserviência dos cidadãos. É toda uma ideologia subjacente à retórica da economia e do moralismo bacoco, ultrapassado e obsceno que nos inunda.

04 abril 2015

Das referências

A diferença entre o despojamento, a generosidade e a integridade de Ramalho Eanes e os de outros candidatos, é que o primeiro não precisou de se adjectivar nem de proclamar os seus créditos de honestidade e seriedade, as suas qualidades de servidor público e amante da Pátria - isso foi a imagem com que o País ficou dele pela sua atitude a pela sua forma de fazer política.


 


A ambição em ser Presidente da República é legítima e pode ser a de qualquer um de nós que se sinta capaz e com vontade de exercer o cargo. A menção de Ramalho Eanes, porque é uma referência em Portugal, tem o perigo de ser interpretado como uma manobra de marketing algo desastrada e, parece-me, sem qualquer efeito nos cidadãos. Além disso, Eanes foi Presidente numa altura específica e especial, como esta agora também especial e específica é, não valendo a pena forçarem-se paralelos para empolgar os incréus.


 


A moralidade e a idoneidade fazem (ou não) parte de cada um e é com as suas características que cada candidato deve apresentar-se ao eleitorado, não com aquelas que pensa que serão mais aceitáveis. O carisma tem-se, não se pede emprestado.


 


Independentemente de não me rever nas candidaturas de Henrique Neto e de Sampaio da Nóvoa, ambos merecem o nosso respeito por terem clarificado as suas intenções e por se disponibilizarem para a corrida à Presidência. A democracia faz-se exactamente com alternativas e com coragem política. Aguardemos que outras personalidades sintam também esse apelo de cidadania, seja qual for o seu espaço político. É mais que tempo de se delinerarem as propostas para o novo ciclo político. Quanto mais cedo, melhor.

03 abril 2015

Raízes


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 Mary Ellen


1.


O nosso amor é terreno


sobrevive aos desarrumos aos enxovalhos


ao desaprumo às curvas da desilusão.


 


O nosso amor é sereno


carente de afagos de encostos


adormecidos nas almofadas da paixão.


 


O nosso amor é divino


confortável e demente destino


de raízes permanentes em contradição.


 


 


2.


A cor breve da manhã uma melodia


sem sentido um toque sem aviso


um olhar cheio de rosas o abismo


de uma página em espera a melancolia


da terra sedenta tudo me sabe a sal.


 


Como as indizíveis horas


em que calo


o amor que te tenho


e me embala.

Manoel de Oliveira

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 Manoel de Oliveira


 


Correndo o risco de ser proscrita pelos amantes do cinema, nunca fui apreciadora da obra de Manoel de Oliveira. Com excepção do iniciático Aniki Bóbó, os poucos que tentei ver, posteriormente, foram desilusões tremendas e afastaram-me dos seus filmes. Lembro-me de, num documentário sobre Agustina Bessa Luís ter percebido que ela discutia sempre com Manoel de Oliveira a propósito das adaptações que fazia dos seus livros, o que me fez solidarizar-me de imediato com ela.


 


Mas Manoel de Oliveira é reconhecido mundialmente pelos seus pares, tem uma obra centenária, que atravessa os séculos XX e XXI e a própria hstória do cinema, viveu muito e produziu muito, foi admirado por realizadores e actores com quem trabalhou, levou o nome de Portugal pelos vários festivais de cinema por esse mundo fora. São-lhe por isso devidas as homenagens que se devem às grandes figuras da cultura (portuguesa).

Do próximo Presidente da República (4)

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 António Sampaio da Nóvoa


 


Citando Eduardo Pitta, a Esquerda prepara-se com afinco para perder as Presidenciais de 2016.


 


Não estão em causa as qualidades de Sampaio da Nóvoa mas sim a capacidade de envolver e motivar à participação cívica nas eleições, para empolgar e fazer renascer a esperança dos cidadãos, para conseguir retirar a cada um de nós o melhor que temos para dar, enquanto membros de uma sociedade que está exausta e deslaçada.


 


Se for esta a candidatura do PS, considero-a um erro que terá proporções de arrastamento para uma escassa vitória nas legislativas, como já defendi, e reduzirá, em vez de aumentar, o espaço político necessário a uma maioria absoluta.


 


Não é aos partidos que compete a escolha de um candidato presidencial mas nenhum candidato com ambições de vitória avançará sem a certeza de um apoio partidário. Sampaio da Nóvoa, se aparecer rodeado por Mário Soares, como vem noticiado, reduz muitíssimo a margem para o aparecimento de outro candidato que possa englobar o PS e uma multidão de pessoas que votaram nas primárias e esperam que António Costa apresente a estratégia ganhadora para as legislativas e para as Presidenciais. Infelizmente, quanto mais tempo passa mais longínqua me parece essa possibilidade.


 


O PS precisa de realismo e coragem, não se socorrendo das bandeiras da intelectualidade para se afirmar de esquerda. Nada disso arrebata nos dias de hoje, pois tudo é feito de forma massificada e histriónica, com pouca substância e muita forma repetitiva e massacrante, o que cansa de imediato porque não significa nada.


 


Reafirmar valores e enfrentar o politicamente correcto é essencial para desmontar o totalitarismo emergente dos big brothers fiscais, da mediocridade reinante, das listas de pedófilos e de contribuintes VIPs, das causas fracturantes e dos comentadores econométricos, da notável falta de rigor e honestidade intelectual, da devassa da privacidade e atropelo aos direitos, liberdades e garantias em nome do moralismo abjecto e incapacitante.


 


É urgente que apareçam candidatos que tenham credibilidade, que tenham carisma, à esquerda, à direita, ao centro, em qualquer localização espacial. Estamos todos sedentos de gente séria, de gente da política, de gente que tenha vergonha e que não nos envergonhe.

Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...