17 janeiro 2015

Dos significantes e do significado

jesuiescharlie.JPG


A afirmação Je suis Charlie não significa que se goste ou se concorde com o conteúdo dos cartoons, que se compreenda a ofensa de quem se sente provocado – são provocantes e ofendem.


 


Mas não é isso que está em causa – ser-se Charlie é o grito de revolta perante a inqualificável e inaceitável aceitação, mesmo que politicamente correcta, de que se não devem publicar esses cartoons.


 


É grave e significativo que se tentem de alguma forma justificar as reacções às ditas provocações – quais são aceitáveis e inaceitáveis, tanto as provocações como as reacções? Há pessoas que têm responsabilidades acrescidas e o Papa é uma delas. Nada, mesmo nada pode justificar o terrorismo.

6 comentários:

  1. Nada justifica o terrorismo,venha ele de onde vier!

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  2. JRodrigues15:28

    Interessante esta tentativa de delimitar este novo conceito de "ser charlie". Duvido é que quem adere ao slogan corresponda a um estereótipo, mas adiante.

    Eu não sei se todas as pessoas que tentam compreender a questão das provocações estarão necessariamente a justifica-las. A tão falada tirada Papal, pode querer apenas dizer isto: num mundo em que a racionalidade ( ou o humor ) não é um absoluto universal padronizado, pode ser avisado não estranhar que alguns tenham reacções diversas do que seria o ideal de outros. Essa compreensão poderia levar os adultos a comportamentos mais avisados que aqueles que se encontram normalmente na arrogância da adolescência, a não provocar de forma gratuita e a procurar fórmulas inteligentes de gerir situações que, goste-se ou não, são mais complexas do que alguns parecem dispostos a admitir. Pensar assim não me parece nem uma justificação para actos terroristas nem um apelo à violência. Pelo contrário, parece-me uma atitude de elementar bom-senso para a gestão do quotidiano dentro de qualquer sociedade, seja qual fôr a utopia do momento. Mas também não sei se foi isto que o Papa pretendeu dizer.

    JR

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  3. "Em 2008, a direcção do jornal demitiu Maurice Sinet , ou Siné , autor de um ‘cartoon' considerado anti-semita. Siné hoje com 86 anos, classificou de "oportunista" o filho do então presidente Sarkozy por se converter ao judaísmo antes de casar com uma rica herdeira judia. "Vai longe na vida, este rapazola", lia-se no ‘cartoon' Pró-palestiano e de esquerda, Siné rejeitou qualquer pedido de desculpa, aliás, disse mesmo que preferia cortar os próprios testículos. O director do jornal, Philippe Val , acabou por despedir o cartonista , uma decisão apoiada pelo próprio governo e pelo Congresso Judaico da Europa.
    O ‘caso Siné fez ainda correr muita tinta e críticas a Val , por em nome da liberdade de expressão ter republicado os ‘cartoons' dinamarqueses sobre o profeta Maomé mas ter traçado uma linha vermelha no humor sobre judeus. Siné recorreu aos tribunais e, em 2010, o Charlie Hebdo foi condenado e obrigado a pagar uma indemnização de 90 mil euros." http :/ economico.sapo.pt /noticias charlie-hebdo-despediu cartonista por-antisemitismo_209597.html )

    Nessa altura não vi nem ouvi nenhuma "virgem ofendida" a manifestar a sua repulsa pelo acto. Porquê? Não estaria em causa a liberdade de expressão, ou quando se caricatura o judaísmo é anti-semitismo?

    Beijinho

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  4. Olá, Lino. Não me lembro desse acontecimento, nessa altura. Obviamente que foi um atentado à liberdade de expressão, tanto que os tribunais condenaram o jornal a pagar uma indemnização pelo despedimento. Mas isso não altera em nada o que disse no post.

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  5. O Papa não pretendeu dizer nada, disse. Que era normal que quem fosse provocado respondesse (especificamente dando um murro se se sentisse ofendido) e que não se podia provocar as convicções religiosas dos outros. É uma justificação do injustificável. Como aliás outras que se vão ouvindo e lendo por aí.

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  6. Bom, quanto ao que é sugerido num comentário mais acima, uma leitura, necessariamente superficial, de uma (http://www.tvi24.iol.pt/multimedia/oratvi/multimedia/imagem/id/54ad798a0cf2d74de67504ac/400), duas (http://www.bnr.nl/incoming/291260-1209/charlie-hebdo.jpg/ALTERNATES/i/Charlie+Hebdo.jpg), três (http://voiceofamericatv.com/wp-content/uploads/2015/01/CHARLIE-HEBDO-2.jpg) capas do Charlie Hebdo dificilmente suportará as acusações de parcialidade pró-judaica do jornal que são sugeridas pelo comentário. Objectivamente, talvez o possamos acusar de uma certa parcialidade religiosa por não criticar budistas ou hinduístas... Mas constata-se o judaísmo a ser criticado no jornal. O caso Siné foi algo mais complicado do que a simplicidade da descrição feita - mesmo aquele jornal tem que ter uma hierarquia, hierarquia a que Siné desobedeceu - e veio a ser resolvido judicialmente.

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