A crise e o caos nas urgências hospitalares enchem diariamente as páginas dos jornais, como se fossem uma novidade. Pois não são. Todos os anos essa mesma crise repete-se.
Qual é então a novidade e/ ou objectivo destas notícias? Em primeiro lugar não se percebe a insistência no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), obviamente e já há muitos anos subdimensionado para a população que serve. Em segundo lugar, se em cada ano as dificuldades são maiores, isso resulta apenas da cada vez maior redução de recursos que existe no SNS, humanos e técnicos, o que era espectável perante a política e desinvestimento acelerado nos serviços públicos, neste caso de saúde, e pela desagregação e desmantelamento dos equipamentos hospitalares que tem sido o apanágio deste governo.
Ainda há pouco Judite Sousa e Marcelo Rebelo de Sousa teceram considerações sobre o elevadíssimo montante que a ACSS ou a ARSLVT ou o governo estariam dispostos a pagar para que os agiotas dos médicos se dispusessem a acudir às populações. Repentinamente já se podem contratar 10 médicos, quando durante anos não houve autorização para substituir os que foram saindo dos quadros dos serviços.
A verdade é que a hemorragia de quadros de Portugal para o resto do mundo está a ter as repercussões que se previram. E mais terão. Além dos baixos salários que o estado pratica, cada vez há menos condições para que se mantenham os serviços com um mínimo de qualidade. Como há uns dias uma reportagem do Público demonstrava, há médicos de 54 anos a desistirem de lutar em Portugal.
Este é o retrato do país que nos deixa esta especial governação – envelhecido, triste e desesperançado, com o número de beneficiários do subsídio de desemprego a diminuir, não porque haja mais emprego, mas porque o desemprego de longa duração retira até o direito aos apoios cada vez mais escassos.
Acabaram-se as festas – a realidade voltou. E ela é a mesma de 2014.
Milhões de portugueses poderão indignar-se com a imoralidade dos honorários que estão a ser pedidos pelos médicos mas Judite Sousa será uma das raras pessoas que se sabe não ter moral alguma para o fazer: Com a reputação – nunca desmentida – de ganhar um ordenado superior a 24.000 € por mês (http://www.atelevisao.com/geral/saiba-quanto-ganham-as-principais-estrelas-da-televisao-nacional/), aquilo que ela ganhará à hora (100/120 €) é mais do dobro dos valores que tanto a fizeram indignar-se. Tomar-se-á ela numa conta tão supimpa?
ResponderEliminarEstas notícias, para além de no serem rigorosas nem sequer verdadeiras (quanto aos montantes pagos e às razões de tais pagamentos e formas de contratação) são feitas com um propósito político definido. Os jornalistas nunca se lembram de questionar aquilo que assumem como um direito de actividade indispensável e de responsabilidade - esquecem-se sempre do mérito, como aliás todos se esquecem nas restantes profissões. Porque responsabilidade e risco há em muitíssimas, nomeadamente nas de saúde, de defesa e, como ontem ficou bem patente, também para os artistas. É muito fácil ser populista.
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