31 maio 2014

Cortina de fumo

 


As primeiras notícias eram animadoras e, confesso, tirei interiormente o chapéu a António José Seguro.


 


Mas já se percebeu que é tudo uma cortina de fumo - primárias abertas? Sem alteraçõa de estatutos? Estatutos alterados sem congresso? E tudo para quando? E onde estavam tão interessantes medidas que só agora viram a luz do dia? E a reforma eleitoral retirada da cartola, com a populista defesa de redução do número de deputados?


 


Espero bem que António Costa consiga angariar as assinaturas necessárias para a convocação de um congresso extraordinário.


 

30 maio 2014

Das causas perdidas

  



 


António José Seguro resolveu votar a favor da moção de censura do PCP que considera todos os governos, desde 1975, reaccionários, de direita revanchista, igualando o PS apo PSD e ao CDS.


 


António José Seguro decide não estar presente no debate da moção de censura porque considera ser um frete ao governo.


 


Valha-nos Santo Ambrósio, Santo Expedito ou São Judas Tadeu, ou os três ao mesmo tempo!


 

29 maio 2014

Don´t stop me now

 



Queen


 


Tonight I'm gonna have myself a real good time
I feel alive and the world I'll turn it inside out - yeah
And floating around in ecstasy
So don't stop me now don't stop me
'Cause I'm having a good time having a good time

I'm a shooting star leaping through the sky
Like a tiger defying the laws of gravity
I'm a racing car passing by like Lady Godiva
I'm gonna go go go
There's no stopping me

I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball
Don't stop me now
If you wanna have a good time just give me a call
Don't stop me now ('Cause I'm having a good time)
Don't stop me now (Yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all

Yeah, I'm a rocket ship on my way to Mars
On a collision course
I am a satellite I'm out of control
I am a sex machine ready to reload
Like an atom bomb about to
Oh oh oh oh oh explode

I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic woman of you

Don't stop me don't stop me
Don't stop me hey hey hey
Don't stop me don't stop me
Ooh ooh ooh, I like it
Don't stop me don't stop me
Have a good time good time
Don't stop me don't stop me ah
Oh yeah
Alright

Oh, I'm burnin' through the sky yeah
Two hundred degrees
That's why they call me Mister Fahrenheit
I'm trav'ling at the speed of light
I wanna make a supersonic man out of you

Don't stop me now I'm having such a good time
I'm having a ball
Don't stop me now
If you wanna have a good time (wooh)
Just give me a call (alright)
Don't stop me now ('cause I'm having a good time - yeah yeah)
Don't stop me now (yes I'm havin' a good time)
I don't want to stop at all
La da da da daah
Da da da haa
Ha da da ha ha haaa
Ha da daa ha da da aaa
Ooh ooh ooh


 

Ganhar e perder o país

 


Não me interessa se António Costa é casado, divorciado, pai de 20 filhos ou de nenhum, abstémio ou boémio, se é simpático para os vizinhos ou se recicla o lixo. Interessa-me que tenha ideias para o país, que saiba o que quer fazer enquanto governante e que consiga arranjar consensos com os companheiros políticos democráticos, para um governo que possa dar esperança a todos os cidadãos.


 


O sebastianismo existente na hipótese António Costa é um facto. Que ele já deveria ter avançado há mais tempo, também. O que é inquestionável, no entanto, é que depois das últimas eleições se tornou óbvio que esta liderança do PS não corresponde aos anseios dos portugueses e vai perdendo cada vez mais adeptos. Esta conclusão deveria ter sido assumida por António José Seguro na própria noite das eleições.


 


Não vale a pena estarmos a procurar razões morais ou imorais, de vingança ou de sede de poder. Querer o poder não é necessariamente negativo. O poder legítimo e democrático é importante para que se possam implementar as políticas em que se acredita. 


 


Ninguém nega a legitimidade de António José Seguro como Secretário-Geral. O problema é que, fora do partido, os portugueses não lhe reconhecem estatura para liderar o país. E se o poder que António José Seguro quer, legitimamente, for para o exercer em prol do bem comum, deveria perceber que é tempo de dar hipótese a outro ou outros de fazerem melhor.


 


Não sou militante do PS, não conheço António José Seguro nem António Costa, não espero qualquer pagamento nem temo retaliações. Já votei em mais de uma força partidária mas reconheço, no PS, o partido que poderá aglutinar a esquerda democrática para governar o país. Se o PS se limitar a ser um aparelho com regras que perpetuem clientelas, é a própria democracia que está em causa.


 


E não esqueço que a direita que nos governa teve uma estrondosa e merecida derrota. E não esqueço que deveria ter sido ainda maior. E principalmente não me esqueço que, sem alternativa credível à esquerda, a direita que nos governa poderá ganhar as próximas eleições.


 


Se António Costa não ganhar o partido, também não ganhará o país. Mas António José Seguro já perdeu o país, mesmo que continue a ganhar o partido.


 

27 maio 2014

Ainda é tempo

 



 


António Costa levantou-se. Finalmente! É preciso que, rapidamente, a estrutura partidária se convença de que, deste modo, está a afastar-se cada vez mais da realidade.


 


António José Seguro não tem alternativa senão convocar eleições dentro do partido. Se o não fizer, as próximas legislativas poderão estar irremediavelmente perdidas para o PS. Não há estatutos que lhe salvem a imagem, caso se esconda atrás deles para fugir à provocação de António Costa.


 


Alguma coisa tem que mudar. É indispensável que todos olhemos para o futuro próximo e tentemos perceber como se irá formar um governo. O PCP, para não variar, já veio avisar que o problema são as políticas. Mais uma razão para que o PS tenha obrigatoriamente de mobilizar o voto da população. Mais uma razão para partidos, como o LIVRE, englobarem a esquerda do PS e protagonizarem acordos para a legitimação de um governo de esquerda em coligação.


 


António Costa foi corajoso. Que António José Seguro mostre coragem e aceite o desafio.


 

26 maio 2014

Para continuar LIVRE

 


Para quem começou há tão pouco tempo, o LIVRE teve um bom resultado. Pode ser que nas próximas eleições cresça e tome o lugar de um partido responsável e credível, canalizando os votos à esquerda do PS, necessários para se poder tentar uma coligação de governo.


 

Um exemplo a seguir

 


PSOE convoca Congresso Extraordinário para eleger nova direção


 



 

Brancos e nulos

 



 


Alguém me disse uma coisa em que ainda não tinha reparado: a percentagem dos votos brancos e nulos foi idêntica à percentagem do Marinho Pinto - 7,47%.


 

Ainda há tempo

 



 


António José Seguro está em fuga para a frente, entrincheirado com os seus indefectíveis, cego e surdo aos eleitores. Há sondagens em relação às próximas legislativas que ainda são mais desastrosas do que as eleições de ontem.


 


Até quando vai o PS esperar para mudar de liderança. Aqueles que são mais lúcidos têm a responsabilidade dessa lucidez e, já que António José Seguro não percebe que tem que se ir embora, é bom que alguém lhe faça entender que este resultado não tem nada a ver com o governo anterior à crise nem com Sócrates, antes ou depois. Este resultado é o que se poderia esperar de quem não teve nem tem ideias para o país, de quem não tem capacidade de mobilizar as pessoas, de quem não tem alternativas. É confrangedor ouvir as suas entrevistas, no táxi, a dizer que se dá bem com os vizinhos, como há pouco vi na SIC-N.


 


Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes. Não me interessa que sejam mais ou menos delicodoces, que peçam desculpa ou com licença, que sejam gordos ou magros. Interessa-me que governem, que imaginem, que sonhem e que concretizem.


 


Há ainda tempo para a mudança - mas tem que começar dentro do PS.


 



 

25 maio 2014

Vitórias e derrotas

 



 


 


Não houve surpresas, nem em Portugal nem na Europa.


 


A abstenção foi gigante, como era de prever, por razões nossas e europeias. A derrota da Aliança Portugal, apesar de expressiva, soube-me a pouco. A vitória do PS foi uma estrondosa derrota. O PS, depois de 3 anos de uma governação que empobreceu o país, que mentiu de forma desavergonhada, que tem desmantelado o Estado, os serviços públicos e a segurança social, que aumentou as desigualdades sociais, não consegue uma diferença superior a 4%. É, de facto, muito mau.


 


É altura de, no PS, se tirarem as devidas conclusões - com esta liderança há a possibilidade de o PS perder, inclusivamente, as próximas eleições legislativas.


 


O LIVRE não conseguiu eleger Rui Tavares, infelizmente. Gostaria muito que o tivesse conseguido.


 


O BE está a esfarelar-se, o que é uma boa notícia.


 


O PCP e o Marinho Pinto foram os grandes vencedores da noite. É, de facto, um artefacto do artesanato português a existência e a pujança de um partido tão anquilosado como o PCP. Marinho Pinto é um fenómeno populista, como acontece nestes períodos de grande crise das instituições.


 


Em França ganhou a extrema-direita, se bem que concordo com Sócrates - houve uma penalização dos partidos que contribuíram para esta Europa, como se percebe pela vitória do partido de extrema esquerda na Grécia.


 


Aguardemos as repercussões dos resultados eleitorais. Espero sinceramente que tenham algum efeito, nomeadamente a substituição da liderança do PS.


 



 

E será que...

 



 


 


.... já toda a gente votou?


 


 


 

24 maio 2014

Em reflexão

 



Quino


 


 

Dos hinos (3)

 



 Vasco Palmeirim


 


 


É só picanha


Se assim a moça (??)


E só lasanha


E oiça


E faça


E vai decidir


Lasanha


 

Dos hinos (2)

 



 Tony Britten


 


 


Ce sont les meilleures équipes
Sie sind die allerbesten Mannschaften
The main event!


 


Die Meister
Die Besten



Les Grandes Équipes
The Champions!


Une grande réunion
Eine große sportliche Veranstaltung



The main event!


Ils sont les meilleurs
Sie sind die Besten
These are the champions!


 


Die Meister
Die Besten
Les Grandes Équipes
The Champions!


 


Die Meister
Die Besten
Les Grandes Équipes
The Champions! 


 

Dos hinos (1)

 



 Händel


 


 


Zadok the Priest, and Nathan the Prophet anointed Solomon King.


And all the people rejoiced, and said:


God save the King! Long live the King!


May the King live for ever,


Amen, Allelujah.


 

23 maio 2014

Antes da reflexão

 



 


Antes da reflexão agendada para o dia de amanhã, antes do dia da agendada votação para o Parlamento Europeu, aquele grupo de países que são iguais mas que há uns que são mais iguais que outros, antes de não se poder dizer em quem se vota, antes de ser irreversível e definitiva a nossa decisão, antes de colocar a tal cruzinha, solene e aplicadamente, como sempre nos dias de celebração democrática, vou declarar a minha intenção:


 


Voto livremente no LIVRE.


 


Voto contra este governo e a favor de uma Europa diferente.


 


Acham um disparate? Pois muito bem, votem então noutro partido, mas votem. Votar é preciso.


 

21 maio 2014

Votar - sempre, sempre - votar

 



 


É preciso votar. Nas eleições europeias, nas legislativas, nas autárquicas, nas presidenciais, sempre. Não podemos deixar que os outros decidam por nós. A responsabilidade é nossa - de escolher ou de nos demitirmos de ter voz.


 


Se não concordamos com as posições dos partidos, podemos ir votar em branco. Se estamos tão zangados, podemos votar nulo, como voto de protesto. Se gostamos do governo, votamos nele. Se não gostamos do governo, votamos em qualquer dos outros partidos, contra o governo.


 


Não votar não afirma nem nega, apenas omite. A própria pessoa, o direito e o dever.


 


Posto isto, tenho pensado madura e persistentemente em quem votar nestas eleições. Não são eleições legislativas, pois não, mas terá que haver uma leitura nacional do resultado eleitoral, até porque este governo não se afirmou na Europa como representante de um País soberano nem lutou por regras diferentes. A oposição, mais precisamente o PS, não soube nem é capaz de mostrar o que poderia ter sido diferente, o que será diferente. Com este tipo de liderança, pobre, mole, vazia, sem chama nem vontade, António José Seguro está à espera que a crise e a incrível desfaçatez da maioria governamental lhe coloquem o poder nas mãos.


 


O PCP (CDU) e o BE, para além de terem sido objectivamente cúmplices desta maioria, rivalizam com a Aliança Portugal no conservadorismo e reaccionarismo.


 


Dos novos partidos, resta o LIVRE como hipótese, para o meu voto. Espero que os partidos do governo tenham uma estrondosa derrota, mas o PS merece uma derrota não menos estrondosa. António José Seguro tem que ser rapidamente substituído, e o eleitorado é quem tem que lho dizer. Porque se isso não acontece, teremos António José Seguro como Primeiro-Ministro em 2015, se é que consegue ganhar as eleições.


 


Continuarei a pensar maduramente no assunto, até ao momento do voto. Mas seja aonde for, no que for, ou sem ser, uma coisa é certa:


 


No Domingo irei votar!


 

Premio Príncipe de Asturias de Comunicación y Humanidades 2014

 



 


Faz 50 anos


Quino tem 81


Parabéns aos dois


E obrigada!


 

19 maio 2014

Unsere Mütter, unsere Väter (Nossas mães, nossos pais)

 



 


Esta série de 2013 foi mais uma oferta de Natal. É a história de 5 amigos e o que lhes acontece durante a guerra. É uma visão alemã da 2ª Guerra Mundial, o que, pelo menos para mim, é uma novidade. Centra-se predominantemente na frente russa, onde alguns dos protagonistas prestam serviço. Crua, seca, bem filmada, mostra como somos verdadeiramente iguais, independentemente da língua que falamos ou do país em que nascemos. As dores e as alegrias, o horror e o poder, tudo igual em qualquer lado do mundo, com qualquer ser humano.


 



 

17 maio 2014

The Bletchley Circle

 



 


E para continuar em modo de celebração, nada melhor que um excelente thriller, à boa moda inglesa - The Bletchley Circle. Quatro mulheres que trabalharam na descodificação dos códigos de comunicação alemães, durante a II Guerra Mundial, encontram-se 7 anos depois para descobrirem um serial killer.


 


Britânica, com o rigor, a maravilhosa interpretação e a sobriedade das séries inglesas, foram 3 episódios que souberam a muito pouco. Para além disso, fiquei a saber o que era o Bletchley Park e como trabalharam tantos homens e mulheres a quem o mundo ficou a dever a vitória da liberdade e da democracia.


 



 

A nós

 



Picasso


 


Alguém de quem eu gosto muito, e que nunca se esquece de algumas datas especiais, disse-me ontem que já tenho mais anos de casada do que de solteira.


 


Já são muitos os anos, de facto. E mesmo sem a pompa e a circunstância dos votos matrimoniais ritualizados perante um qualquer ser divino, vamos renovando o carinho e o amor mesmo sem querermos, diariamente, com as mãos que se encostam, com as cumplicidades dos dias claros e a sabedoria dos dias escuros, com a privacidade e a intimidade de quem se gosta e se vai conhecendo, num mundo de partilha e de fragmentos de felicidade.


 


Ontem lá fomos degustar o menu de 5 sabores da Tasca da Esquina, reboludos burgueses de meia idade, que ainda se não cansaram da mútua companhia. Bom vinho, farófias e mousse de chocolate, uma mesa pequena e elegante, numa sala pequena e recheada de turistas. Noite amena e de primavera, como são aquelas em que brindamos a nós.


 

Chuva

 



 


Tiago Taron


 


 


Olho para os anos que passei em constante aprendizagem, mudança e determinação, em todos os que comigo partilharam tanto bons como maus momentos, todos intensamente vividos, em gargalhadas, irritações, desesperos e emoções, abraços e gelo, cumplicidade e carinhos de quem está sempre disponível para servir.


 


Ciclos que se abrem e fecham fazem da minha vida um carrossel permanente. Às vezes nem sei o que me leva para os caminhos que percorro, mas tenho tido a sorte, a felicidade e o privilégio de amar e ser amada, que é mesmo o melhor de tudo. Obrigada pela confiança, entrega, exigência e persistente desafio, que preencheram cada momento e o tornaram especial e único, como só os tesouros o são.


 





Chuva


Mariza


Jorge Fernando


 

11 maio 2014

Indestrutíveis

 



Philippe Guillerm


Friendship


 


Lembro dias abertos de asas


olhando cumes de impossíveis.


Lembro dias em que fomos casas


conforto de mundos invisíveis.


 


Por isso nos dias de gelo e brasas


seremos abraços indestrutíveis.


 

Do descaramento

 



 


Há que se espantar sempre com o descaramento de certas personagens. Eduardo Catroga é uma delas. Vale a pena ouvir esta entrevista, em que se gaba de ter sido convidado por Passos Coelho para a pasta das Finanças, que recusou, e depois da maravilhosa negociação do memorando, que ele transformou em fantástico, critica a política do governo.


 


Como ele diz, o cavalo do poder é uma pileca que se apresta a ser cavalgado apenas por alguns, ciclicamente os mesmos.


 


Outros desavergonhados desdizem-se semanas, meses ou anos após os mais solenes compromissos - não aumentar impostos, pedirem desculpa aos portugueses, condenarem certas políticas e agora virem a abraçá-las sem se penalizarem. Enfim, tantos são os exemplos que arrepia.


 


E são estas as pessoas e as formações que as elegem e que se apresentam, sempre, como se nada de bizarro se passasse, como se de nada fossem responsáveis.


 


As sondagens mantém o resultado do PSD e CDS quase idêntico ao do PS. António José Seguro merece uma derrota tão estrondosa como Passos Coelho ou Paulo Portas. Entretanto outros partidos não existem para os media.


 



 

04 maio 2014

Dia da Mãe

 



 


 


Dia após dia entre as curvas da vida


embalo a mão no teu ombro


adoço a voz e a alma.


Quando me canso do mundo


repouso no espaço que me dás.


 


Partilhamos simples banalidades


gestos em que não nos dizemos


importantes solenes dispensáveis obrigatórios


nesta amálgama quotidiana que se passa


entre o branco dos cabelos nas rugas


deste tempo de nada em que tudo se encontra


e se desfaz.

01 maio 2014

Das reuniões familiares

 



 London, Ontário, Canadá


 

Das percepções políticas

Quarenta anos depois dos dias 25 de Abril e 1º de Maio de todos os encantos e saudades, temos que mudar. Não com um golpe de estado - vivemos numa democracia - mas a partir de dentro.


 


Tenho votado sempre no PS porque, apesar de todos os problemas e discordâncias, é o partido que mais se aproxima da minha forma de estar. Mas o PS, tal como os outros partidos que se iniciaram e/ou cresceram durante estes 40 anos - PSD, CDS e BE, para não falar de um partido com história anterior, de antanho e conservador, PCP - não dão mostras de perceberem o quanto é preciso renovação, desde a escolha dos líderes à auscultação dos anseios da população, das medidas inovadoras e credíveis ao ganho de confiança dos eleitores e, mais importante ainda, à existencia de uma visão para o País, dentro de um quadro europeu que se discuta por todos os estados-membros, sem menorizações nem condescendências.


 


Tenho assistido com algum cepticismo ao emergir de algumas associações/ partidos políticos. Mas a verdade é que estou cada vez mais convencida de que a constituição de novos agrupamentos políticos, dentro do quadro constitucional de pluripartidarismo, pode ser o começo de uma reforma do sistema político, pode ser o início da reconciliação dos cidadãos com a política e com os políticos. Pessoas que arriscam a defesa das suas ideias procurando construir, para além da crítica sistemática ao sistema, merecem-me o maior respeito.


 


É possível que a votação em agrupamentos e partidos que, pelo menos para já, terão pouca representação parlamentar, abra ainda mais a dificuldade de formar governos estáveis em coligações. Por outro lado pode ser que, com novos protagonistas, seja possível alargar plataformas de entendimento numa determinada área política para assumir o poder. E pode ser a única forma de conseguir que os eleitores votem, alargando o leque de escolhas.


 


As próximas eleições para o Parlamento Europeu estão a ser instrumentalizadas pelos chamados partidos do arco da governação, levando os eleitores a escolherem consoante estão ou não de acordo com a política deste governo. É claro que essa é uma vertente importante da eleição, mas os problemas de Portugal não são apenas nacionais, são também europeus. Ou seja, estas eleições europeias deveriam ter um enfoque particular na nossa posição face à Europa, tendo um plano para a Europa que queremos que exista, ou para o divórcio europeu, mais ou menos litigioso.


 


Já aqui disse várias vezes que a nossa integração nesta Europa deve ser equacionada, passando pelo manutenção ou saída do euro, significando isso o que significar. As escolhas que fizemos não podem ser eternas e nem devem ser irreversíveis. Penso o mesmo em relação a novas Constituições. Devem discutir-se todas as ideias, sem que nenhuma delas se transforme em tabu.


 


Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença.


 


Outra dimensão importante a reter no resultado das próximas eleições é a opinião em relação à oposição. Será que estes partidos de oposição, com grande preponderância para o PS, merecem o nosso vosso? Terá o PS capacidade, liderança e ideias para defender os valores que apregoa? Os outros partidos - PCP/CDU e BE - foram e são cúmplices da direita, sempre que é o apoio ao PS foi e é necessário. São tão ou mais conservadores que o PSD/CDS, mesmo a coberto de grandes, alternativas e revolucionárias declarações de esquerdismo.


 


Na maior parte dos casos votamos em líderes partidários, muito mais que em programas políticos. Os líderes dos partidos habituais perderam toda a credibilidade, mas também não vejo grande carisma em Rui Tavares, por muito que me seja simpático.


 


Enfim, embora a minha razão me indique o voto no PS, cada vez me sinto mais afastada desse partido e, depois de fazer o EUvox 2014, fiquei espantada com a dimensão desse afastamento. Será que mudo o meu voto?


 



 


 



 



 


Nova morada - do Sapo para o Blogger

Resilience Paula Crown O Sapo vai deixar de ser uma plataforma de alojamento de blogs. Tudo acaba. Os blogs estão em agonia e só mesmo algu...