07 julho 2013

Da impossível aliança à esquerda

 



 


Se houver eleições antecipadas, do que duvido imenso, pelo menos para já, os eleitores vão ver-se numa situação aflitiva para decidir em que partido votar. É isso o que demonstram as sondagens que têm sido feitas, dando conta da enorme percentagem de indecisos e de abstenções.


 


A tão almejada maioria de esquerda, que aritmeticamente é possível, será sempre impossível politicamente, enquanto forem estes os protagonistas das lideranças. Tal como ouvimos ontem na manifestação que pedia a demissão do governo, o BE e o PCP estão disponíveis para alianças se e só se for para romper com o memorando da Troika.


 


O PS negociou o memorando de entendimento, mesmo que tenha sido um memorando diferente do que foi posto em prática. O PS tem que honrar os compromissos do país, mesmo que renegociando o memorando, os juros, as metas e/ou o tempo para as alcançar. Portanto, onde está a possibilidade de alianças de esquerda para formação de governo?


 


Como sempre e para seu (nosso) infortúnio, o PS está condenado a estar sozinho. E com António José Seguro é impensável uma maioria absoluta. Este é outro dos bloqueios políticos no nosso país.


 

4 comentários:

  1. E se trocássemos a palavra "romper" pela palavra "rever", já seria viável? Não deixemos que as palavras bloqueiem o caminho quando se trata de prosseguir os mais legítimos interesses de um país.

    Onde está a possibilidade de alianças de esquerda para formação de governo? Na vontade. Ou a Sofia só vê a possibilidade de continuar este caminho e aliar-se com Paulo Portas?

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    Respostas
    1. António M P, as palavras são muito importantes. Rever, renegociar é muito diferente de romper. Mas as declarações do BE e do PCP não são equívocas quanto a esse assunto, honra lhes seja feita.
      Quanto ao CDS, se dúvidas houvesse, demonstrou (mais uma vez) ser um parceiro em quem se não pode confiar, para além de ser responsável, com o PSD, pelo pior governo de que há memória.

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    2. "Rasgar", como sabe, é uma metáfora. É por isso que eu desvalorizo a palavra neste contexto. Acredito mais no esforço de entendimento que o PS terá (teria) de protagonizar. Palavras, como sabe, é o que conta menos na prática política.

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  2. ACÁCIO LIMA16:15

    COMENTÁRIO AO POST "DA IMPOSSÍVEL ALIANÇA À ESQUERDA"

    Este post, e o anterior, suscitam-me algumas considerações.

    01- O PPD e o PP, depois dos desmandos da designação de Maria Luís Albuquerque, para Ministra das Finanças, e depois da correlacionada demissão de Paulo Portas, forjam um entente que se apressam a dizer que trás “novas políticas” que rotulam de “muito significativas”.

    Ou seja querem governar com um outro programa, que não foi sufragado nas urnas.

    Estamos assim, na total subversão das Regras Democráticas de um Estado de Direito.

    E, será, tal, que estará em jogo na postura que o PR Cavaco Silva terá de assumir nos próximos dias.
    Cessou a possibilidade de omissão e parece difícil, muito mais difícil, o reforço do arrimo a Passos Coelho, ora vestido de Paulo Portas, neste combate em que “foi às cordas”.

    02- O que temos é uma Crise Política Múltipla:

    - com um pólo no Governo

    - com um pólo na Presidência da República

    - com um pólo terceiro, nas lideranças dos Partidos Políticos, PPD_PS_PP_PCP_BLO-CO, ex BLOCO.

    Todos eles sem uma Estratégia que faça face às consequências das Mutações económicas, financeiras, sociais e de poder político, operadas na última década.

    03- A Divisão de Águas, na sociedade portuguesa, neste momento, surge, claramente na realização ou não de eleições legislativas, já.

    04- A Autora deste blogue têm-se mostrado “muito séptica” sobre a capacidade de “Bem Governar” de um Governo saído dessas eleições. Eu não estou séptico pois estou convicto que Seguro continua sem ter urdido a Estratégia que acima referi.

    05- Começou Ele, A. J. Seguro, por amalgamar, por não diferenciar, o Memorando Inicial, com os sucessivos Memorandos, já com assinatura de Passos Coelho, esses sim, implementados.

    Esta postura de Seguro não difere da falta de rigor, sobre esta matéria, de Francisco Louçã e de Jerónimo de Sousa. Todos eles, como referi, sem uma Estratégia que faça face às Mutações havidas.

    06- Dou por adquirido que, no pós eleições o Governo terá de singrar com os quatro seguintes ancoras:

    - suprir o deficit de Qualificações
    - corrigir os Desequilíbrios Financeiros
    - atenuar substancialmente as Desigualdades de Rendimento
    - lidar bem com os custos de contexto excessivos

    Este Programa Mínimo, exige um amplo consenso, uma capacidade de mobilização exigindo uma sábia Liderança, que ainda não foi mostrada, por Seguro.

    Parecendo, mesmo, que nem Louçã nem Jerónimo de Sousa o subscreveriam, presos ao “rasgar” e não à “negociação até às entranhas”.

    Este meu comentário vai claramente no mesmo sentido do da Autora e também responde aos seus críticos, por vezes desabridos.

    Cavaco Silva tem escassos dias para se decidir na avaliação da correlação de forças na direita portuguesa:

    - ou opta por eleições na perspetiva de “a direita não perder tudo”

    - ou opta por continuar a destruição do Estado Providência e o enfraquecimento do Estado de Direito.
    Estado Providência que era o alvo dos Neoliberais aliados aos Conservadores.

    Bom Fim de Tarde.
    Boa Semana.
    Agradeço à Autora estes seus dois post, lúcidos e oportunos

    ACÁCIO LIMA

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