Porta de uma padaria em Sabrosa (01/03/2012)
O meu nome, próprio e de família, da mãe e do pai. Aos 10 anos não pensamos nisso, aos 20 anos queremos ser nós, se possível nascidos de geração espontânea, sem peso de ecos, mesmo que por boas razões, aos 30 e 40 enchemos o nome com a vida, aos 50 sentimos o nome como continuidade.
De mãe e de pai nascemos, mas hoje ocupo-me do pai. Daquele pai ao serviço da Pátria e do Exército, que fez do serviço público a sua vida. Daquele pai com um nome que incomodava a minha independência, no nome que pesava quando me chamavam para os exames, do nome que granjeava admiração e respeito na altura em que eu me considerava filha de Deus e do Diabo. Daquele pai de quem tantas vezes discordei e muitas vezes ainda discordo. Daquele pai que me habituei a olhar com os valores que me ensinou desde que nasci. Daquele pai reto, convicto e brilhante, que falava de livros, países, História, filosofia, política. Daquele pai determinado e que não se acomodava ao poder, aos conhecimentos adquiridos, até à serenidade de uma velhice sem sobressaltos.
Hoje ocupo-me do pai que nasceu em Vilela do Douro, que foi hoje homenageado por Sabrosa. Daquele pai cujo percurso desfilou perante a assembleia, recitada por amigos e familiares, daquele pai que me doou algumas das caraterísticas que, por vezes, me transtornam a vida como transtornaram a dele, mas que nos fazem olhar a direito para o espelho sem corar.
Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me de me sentir orgulhosa e emocionada por ter estado presente na homenagem que lhe foi feita. Não gosto de congratulações por empréstimo nem de me colar ao que não foi, por mim, atingido ou elaborado. Mas hoje chorei de contentamento pela emoção do meu pai. Hoje falo do importantíssimo papel que ele, tal como outros como ele, tiveram na nossa História coletiva, na implementação da nossa democracia. Imagino o empolgamento, a responsabilidade, a coragem, a determinação, as dúvidas, as certezas, a disciplina e a estatura moral que ele, tal como outros como ele, viveram, tiveram.
Não gosto de falar do meu pai. Mas hoje ocupo-me também de agradecer o seu exemplo, mais do que tudo o que ele me poderia dar. Hoje sou mesmo a filha do meu pai.
Parabéns, Sofia pelo texto. Obrigado ao pai.
ResponderEliminarBelíssimo texto, este, de uma filha de seu pai.
ResponderEliminarGostei muito do texto...de uma grande filha a um grande
ResponderEliminarpai !
Se a Filha se sente "orgulhosa" e "emocionada", o Pai também terá boas razões par se sentir orgulhoso e até emocionado, com a Filha que tem.
ResponderEliminarBoa Tarde.
Cordias e Afáveis Saudações de Muito Apreço de
ACÁCIO LIMA
Uma bela dedicatória! Parabéns aos dois!
ResponderEliminarBeijinhos
Sofia,
ResponderEliminarParabéns ao teu pai, que eu ouço sempre com prazer. Neste país de ingratos é bom saber que ainda se reconhece o valor das pessoas.
Fico feliz pelos dois.
Grande bj
Faço minhas as tuas palavras e partilho a tua emoção...
ResponderEliminar[Lindo, lindo, lindo o teu texto...]
Somos umas sentimentais, mas antes assim ;)
Beijinhos :**
Tão lindo. Uma belíssima homenagem de uma lindíssima filha.
ResponderEliminarChorei.
Beijos.
Adivinha-se através deste texto inolvidável quem teria substituído com vantagem o general Ramalho Eanes na apresentação do homenageado...
ResponderEliminarnão escrevi este comentário,nem entendo como tal pode ter acontecido.estranho,não e´?
EliminarÉ evidente que quem prefere intervir nestes comentários por detrás de um pseudónimo tão vulgar quanto a designação inglesa da cor-de-rosa não pode ter a pretensão de o deter – ao pseudónimo – em exclusivo, como se de uma marca registada se tratasse.
EliminarJá aqui comentei por diversas vezes neste blogue usando de cada vez como pseudónimos de cores diferentes – red , yellow , green , brown . Neste caso, escolhi o cor-de-rosa para me identificar e, quando o fiz, ainda ninguém usara essa mesma designação na caixa de comentários.
Se algum leitor se confundiu, apresento-lhe as minhas desculpas. Fica-me o consolo de pensar que, quem o fez, é bem capaz de ter pensado que desta vez o comentador havia feito um comentário com propriedade, pertinência e, porque não?, espírito de humor…
Velho "urso"tendencialmente solitário(e nestas e parecidas reuniões sentindo-se "erro de casting",e uma que outra vez,como contei em "vistodesirius",intercalando a minha "gaffezinha"...),prescindi do almoço oficial,para assistir apenas à sessão de homenagem.Felizmente que nos encontrámos de manhã(com direito a foto...)porque,à tarde,já sentado no auditório,percebi que,por
ResponderEliminarrazões fisicas,"jus da idade",tinha de fazer a viagem de regresso.E ainda deu para encontrar o 3ºelemento da "colheita"de 36,da qual sou o do meio.
Mas a "gaffezinha": Fã do "Defender o Quadrado",atrevi-me a perguntar ao seu Pai : "Esta é "a"Sofia"?Mas,vendo bem,nem terá sido "gaffe",mas admiração...Releve-se-me...
"Não gosta de falar do seu Pai". Mas eu gostei que tivesse falado, e de que maneira, de uma pessoa com quem, ainda que discordando por vezes, aprendi sempre muito.
ResponderEliminarBelo texto, Sofia.
ResponderEliminarAproveito para lhe dizer que leio e ouço sempre as análises do general Loureiro dos Santos com muito interesse. Expõe com muita clareza, perspectiva e dá pistas para compreensão de conflitos e situações complexas no panorama internacional. A ideia que fica é que junta ao saber adquirido ao longo da carreira uma permanente actualização. Pena é que as suas intervenções na televisão se tenham tornado raras.
Sempre que há posts muito pessoais,raramente leio e comento. Estou mesmo encanitada com o sucedido!
ResponderEliminarVou aconselhar-me para que ninguém tome o meu lugar...sem pedir licença!
EliminarEu sou uma cidadã muito normal ...e gosto!
O que detesto é pretenciosismo,mau gosto,insolência.
"Cor de rosa" está em desuso, é foleira,fora de moda?
Quem diria...
Vou mudar para "poeta!"
Desculpem-me o desabafo mas, andando o Gaspar à procura de novos pretextos para nos ir aos bolsos, porque é que a obtusidade não paga imposto?...
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