14 outubro 2011

Democracia verdadeira

 


 


Queremos uma Democracia participativa, onde as pessoas possam intervir activa e efectivamente nas decisões. Uma Democracia em que o exercício dos cargos públicos seja baseado na integridade e defesa do interesse e bem-estar comuns.


 


O que é, para este movimento ou plataforma, uma democracia participativa? A participação é feita de que modo? Através de acampamentos, manifestações e voto de braço no ar? Através de referendos?


 


Qual ou quais as medidas que vão garantir a integridade de quem vai exercer os cargos públicos? Há algum exame médico, um exame de integridade moral para os que se propuserem? Como se elegem ou nomeiam os respetivos júris?


 


Os poderes estabelecidos atuam em benefício de uns poucos, ignorando a vontade da grande maioria e sem se importarem com o custo humano ou ecológico que tenhamos que pagar. Há que pôr fim a esta situação intolerável.


 


Como se mede a vontade da grande maioria do povo? É por eleições? Vão passar a ser obrigatórias? Como se separam os poderes estabelecidos dos que o não são? O que são ou quais são os poderes estabelecidos?


 


Unidos em uma só voz, faremos saber aos políticos e às elites financeiras que eles servem, que agora somos nós, o povo, que decidirá o nosso futuro. Não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros que não nos representam


 


Os políticos são pessoas diferentes das outras? A encarnação do mal? São, por definição, aqueles que querem reprimir os seus concidadãos e espezinhá-los? Não somos nós, através do voto livre, que decidimos o nosso futuro? Então como o vamos fazer?


 


 


Na verdade, uma das coisas que mais me assusta é o crescer destes movimentos populistas, que se travestem de gente inocente, séria, sem qualquer agenda política, que usam expressões como democracia verdadeira, somos nós, o povo, que decidirá o nosso futuro e faremos saber aos políticos. A democracia alimenta-se da participação dos cidadãos e tem regras para assegurar a liberdade e a capacidade de gerar representantes e grupos executivos. Se queremos participar devemos fazê-lo votando, criando grupos, associações e partidos políticos, promovendo as discussões em fóruns de opinião, nas escolas, nas empresas, em casa. Devemos ter a responsabilidade de não nos escondermos atrás de uma mole de frases feitas, que significam exatamente nada. A não ser sementes de violência e de movimentos extremistas e ditatoriais.


 


Ouvem-se as mais inacreditáveis ideias, ditas de forma inflamada, como a criminalização das opções e escolhas políticas. A procura de bodes expiatórios e a fulanização do ódio são péssimas notícias para as democracias.


 


Estamos revoltados, tristes, ansiosos, desesperados. Mas esta foi a escolha que, como País, fizemos há menos de 6 meses. Onde estavam todos estes indignados no dia das eleições legislativas de 2009? E nas de 5 de Junho deste ano? E nas presidenciais? Porque não se arriscam estas pessoas indignadas a responsabilizarem-se por formar um ou vários partidos políticos, para concorrerem a eleições, tentando que o povo ouça, perceba e aceite as suas ideias? Isso é que é a democracia verdadeira, o debate de ideias e a escolha informada. Para além do respeito por essas escolhas.


 


Queremos manifestar-nos, gritar a nossa frustração, o nosso desespero. Ainda bem que o podemos fazer e que o fazemos. Mas isso não pode nunca substituir aquilo que o voto escolheu.

1 comentário:

  1. Jose Sanches02:08

    Sim, sim, sim, sim, é só o que me apetece dizer, gritar, sei lá, a isto que escreveu.
    Também estou indignado, lixado, zangado, etc com o que nos está a acontecer.
    Mas estes discursos populistas básicos são o caldo de que as ditaduras se alimentam.
    Obrigado pela sua análise, Sofia.
    Felizmente ainda há gente com bom senso.

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