A propósito de algumas das medidas anunciadas pelo Ministério da Saúde, é importante que Paulo Macedo esclareça a forma como vai fazer os cortes nas despesas hospitalares.
Os recursos humanos podem ser redundantes nalgumas áreas de alguns hospitais e serem absolutamente diminutos, mesmo insuficientes, noutras áreas e noutros hospitais.
É essencial que se perceba, em cada Hospital, porque se contratam médicos, enfermeiros, técnicos, auxiliares e administrativos, porque se pagam horas extraordinárias. Há serviços que sem essas horas e sem esses contratos deixam de cumprir os requisitos mínimos de qualidade para atenderem e tratarem doentes. Como há outros serviços que se deveriam fundir. Mas uma fusão significa um espaço único para um grupo de pessoas, ao contrário de algumas fusões feitas num passado recente que mantém os vários serviços, levando os médicos a correr a cidade de hospital para hospital, o que redunda no contrário do pretendido.
Estas reorganizações devem basear-se em avaliações rigorosas, caso a caso, sob pena de se inviabilizarem cuidados essenciais aos doentes do SNS.
COMENTÁRIO AOS POSTS DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS--- "AVALIAÇÃO RIGOROSA", "UM DIA COMO OS OUTROS (93) E "SUSTENTABILIDADE DO SNS"
ResponderEliminar1ª Parte
Não me foi possível, em tempo oportuno, inserir comentários aos posts que iam sendo editados. Perdeu-se o “meu” detalhe, mas opto agora por remeter um comentário mais amplo e global.
01- A questão de uma apreciação da actuação do actual Ministro da Saúde, P. Macedo, parece desejável, mas não poderá deixar de ser entrelaçada, com uma apreciação mais geral. A do actual Governo, que ele integra.
Governo do PPD e PP, “orientado” pelo conservador, Cavaco Silva.
02- Não conheço os textos recentes, dimanados do Ministério da Saúde, sobre as medidas a que os posts fazem referência. Mas li o que a Imprensa Escrita noticiou sobre o assunto.
Imprensa que sempre se furta a detectar o relevante, numa precária hierarquização das parcelas que notícia.
Mas tomei boa nota do referido nos posts, e também nos links, em particular o da entrevista do ex- Ministro Correia de Campos.
Posts e Entrevista que constituem, para mim, um bom Referencial, a ter em conta.
03- Do meu ponto de vista, impôe-se ainda averiguar, entre outras questões, as seguintes, para um cabal pronunciamento:
a)- As medidas adoptadas, nomeadamente as referentes aos Meios Complementares de Diagnóstico, condicionam ou não, directa ou indirectamente, a autonomia de actuação do Clínico?
b)- As medidas adoptadas, condicionam ou não, directa ou indirectamente, a exclusividade de prescrição medicamentosa, dos Clínicos?
c)- As medidas adoptadas combatem ou não, directa ou indirectamente, a “automedicação”?
d)- As medidas adoptadas, nomeadamente as que substituem a Sub Contratação de Exames Complementares de Diagnóstico por uma sua execução no seio do SNS, baseiam-se ou não numa criteriosa avaliação da disponibilidade da extensão e qualificação das infraestruturas, materiais e humanas, existentes, num claro acréscimo de produtividade?
e)- As medidas adoptadas são ou não compatíveis com a orientação global do actual Governo, cerceador de muitas Prestações Sociais, enfranquecendo o Estado Providência?
04- Estou convicto, e parece-me em consonância com a Autora dos posts, que as medidas adoptadas melhoram a Sustentabilidade do SNS.
Não destoam da orientação adoptada por Correia de Campos.
Orientação essa tropedeada por Alegre, por Arnault e por Seguro.
FIM DA 1ª PARTE
Boa Tarde.
Cordiais e Afáveis Saudações
ACÁCIO LIMA
COMENTÁRIO AOS POSTS DE SOFIA LOUREIRO DOS SANTOS--- "AVALIAÇÃO RIGOROSA", "UM DIA COMO OS OUTROS (93) E "SUSTENTABILIDADE DO SNS"
ResponderEliminar2ª PARTE
01- Mas uma avaliação do desempenho de um Ministro, passa, ainda, pelo crivo da inventariação das Omissões.
Anoto as seguintes:
F)- Parece haver Omissão no que se refere ao ingresso nos Cursos de Medicina, regida pela corporativa regra do “numerus clausus”, apadrinhada pelos corporativos Sindicatos e pela corporativa Ordem dos Médicos.
G)- Parece haver Omissão no prosseguimento da racionalização da Rede de várias Valências Clinicas.
H)- Parece haver Omissão na reformulação das regras e controlo das Baixas Clínicas, onde o papel dos Médicos é mandante, e com escasso controlo.
I)- Parece haver Omissão na avaliação do desvio entre Embalagens Prescritas de Medicamentos e Embalagens “Aviadas “, pelos Consumidores de Serviços Clínicos. Questão que se tem de ligar à Avaliação de Desempenho, como poderei explicar.
M)- Parece haver Omissão no Sistema de Controlo de Horários e de Presenças.
N)- Parece haver Omissão na questão do INEM, cujo acesso tem o “relais” da Polícia.
O)- Parece haver Omissão no consentir que algumas instituições envolvidas na Prática de Cuidades de Saúde, vivam à margem das regras gerais zelando pela Saúde Pública, caso das IPSS, num claro indício de pouco Poder Político, do Ministro Macedo.
P)- Parece haver Omissão na questão do número de Consumidores de Cuidados de Saúde afetados a cada “Médico de Família”, de facto Médico Assistente. É que, uma ponderação da idade média do lote afecto a cada Clínico deveria entrar numa ponderação, flexibilizando a quantidade afeta a cada Clínico.
Q)- Parece haver Omissão no re-estudo das Comparticipações dos Medicamentos, um complexo problema de fronteira, entre a Prestação Social e a Gestão.
02- Parece interessante o forçar da formalização da Prescrição Medicamentosa, usando a via electrónica, suportada por uma Base de Dados, alicerçada no “Princípio Activo”, embora a dita Base de Dados tenha de ser complementada com outros parametros, em alguns casos pendentes de Especicações ligadas à Galénica de Produção.
Entende-se mal o contra vapor de muitos Clínicos.
Atalho de foice, refiro a questão da inscrição do Preço nas Embalagens de Medicamentos.
Uma questão bizantina, pois o Preço inscrito, só serviria, se houvesse o exercício de uma Escolha. O que não é o caso. O Consumidor de Medicamentos, só pde escolher entre: “Aviar”a Receita ou “Não Aviar” a Receita.
Não é ele que escolhe o farmaco, é só o Médico que opta por este ou aquele Medicamento.
03- A questão da “Central de Compras”dos Hospitais, era algo que já existia. Foi mudado, e bem, na optica da Gestão, a sua Estrutura e Vocações.
04- O “ajuste” ou “desajuste” no Tarifário das Horas das Horas Suplementares dos Médicos, é simples. Ou havia desvio face à regra geral de Pagamento aos Trabalhadores de Horas Suplementares, ou passou a haver desvio.
Problema de “Máquina de Calcular”, a tal que o Ministro Crato odeia, e esperamos que o Ministro Macedo adore!!!!!!!!!
05- Deixo para outra ocasião, as “Parcerias Público/ Privado. Aí as coisas “fiam fino”. Fiam “muito fino”!!|!
É que existe uma condicionante nas Disponibilidades Financeiras, do Estado, muito pendentes do nível dos Excedentes Gerados na Actividade Económica. Da Produtividade e da Competividade.
06- Continuo, sim, preocupado, com a intenção do Governo, de indexar as “Taxas Moderadoras”- grifado, pois são Taxas de Utilização de Serviços, indexão aos “Rendimentos” , na via da “Estrelinha Nazi”diferenciadora. Mas há algo a fazer no controlo das Isenções.
Boa Tarde.
Cordiais e Afáveis Saudações
ACÁCIO LIMA