17 maio 2011

Imprensa acrítica

 


A propósito do post que escrevi sobre a comparação entre os juros cobrados pelo FMI e pela União Europeia, fui alertada pelo comentador Jaime Santos que a diferença se deve a uma forma diferente de calcular os juros. Vale a pena ler o artigo que ele sugere.


 


É pena que estes assuntos não sejam tratados pelos comentadores e jornalistas económicos, obviamente com honrosas excepções. Tal como a campanha eleitoral, que se faz de grandes acusações e de conferências de imprensa para rebater as acusações e acusar em sentido contrário, sem qualquer tentativa de esclarecer seja o que for e seja quem for.


 


Por outro lado a direita está, e com sucesso, a lançar a ideia de que o Presidente não deverá convidar Sócrates, mesmo que ele ganhe as eleições, caso se forme uma coligação entre o PSD e o CDS. Esta teoria é uma tentativa de assegurar uma subversão dos resultados eleitorais. Quem ganhar as eleições, PS ou PSD, deve formar governo. Se a solução que encontrar não assegurar uma parlamentar maioria estável, e como tanto o PS como o PSD como o CDS já se pronunciaram a favor de um governo maioritário, então sim, poderão tentar-se outras soluções dentro do quadro parlamentar.


 


Seria melhor que todos aguardassem pelo resultado das eleições. Se o objectivo era ouvir o povo talvez seja aconselhável que primeiro o deixem falar.


 


Nota: O artigo de Ricardo Reis, em português, no DE.



 

4 comentários:

  1. Ernestina Sentieiro19:52

    A hipótese que a Direita anda a lançar é a de com o PS vencedor, e havendo uma maioria PSD/CDS, o presidente nomear esta coligação de 2º / 3º partidos.
    É uma palermice, destinada só à campanha eleitoral. Ninguém leva isto a sério. É que a tarefa do próximo Governo será dificílima . O cenário: um primeiro-ministro inexperiente e hesitante, tendo como número dois um político mais hábil e ambicioso; na Oposição, todos os partidos de Esquerda, juntando o comando da rua com o conhecimento profundo dos dossiers... Alguém pensa que Cavaco (que neste cenário ficaria ainda muito mais fraco) cairia nesta esparrela?

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  2. Jaime Santos15:26

    Sofia, Mais uma coisa. Entretanto, o Ricardo Reis publicou um artigo no DE onde explica ainda em mais pormenor e de forma mais simples os pontos que referiu no Post . Há um link do Post para esse artigo, mas esta em adenda no fim. Se desejar poderá fazer um link directo daqui para a pagina do DE. E: http :/ economico.sapo.pt /noticias o-emprestimo-a-portugal-e-porque-e-que-325-55_118094.html . E sim, ele também considera que a UE nos deveria emprestar (a nos, a Grecia e a Irlanda) com juros abaixo do FMI, depois de feitas as devidas conversões , porque esta taxa de juro só e comportável com um crescimento do PIB acima dos 3%, algo que aconteceu pela ultima vez em 2000. Portanto, os juros do FMI e do FEE são ambos altos demais, e deveríamos lutar por juros mais baixos
    junto do FEE , já que com o FMI aparentemente não há nada a fazer. Só e necessário não confundir coisas e perceber que o problema esta nas regras do FMI que o FEE também usa, e não num qualquer desejo da Europa do Norte de punir os irresponsáveis dos PIIGS . Cumprimentos.

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  3. O PS deve mudar de sigla. Deve mudar o seu nome para PL(Partido Leproso). No espectro político todos o evitam e rejeitam. Os partidos à sua esquerda porque se acantonaram como partidos de protesto e são incapazes de se comprometer com qualquer acção governativa. Os partidos à sua direita proclamaram que nunca governarão com o PS independentemente de ganhar ou perder. Se a votação do PS ou PL e dos seus eleitores não "aquenta nem arrefenta"e está ostracizado à partida, não sei porque vai disputar eleições. E se os partidos à direita ganharem, mas não tiverem uma maioria absoluta como vão conseguir impor as duras medidas acordadas com a troika? E como vai o Presidente da República que ajudou a criar esta situação para beneficiar a direita resolver o eventual imbróglio? Aguardam-se desenvolvimentos desta forma sui-generis de democracia.



    .MG



    PS Na crise de 1983 Mário Soares após ter ganho as eleições foi obrigado a chamar o FMI para evitar a bancarrota provocada pelo governo da AD(PSD,CDS,PM). E não tendo maioria fez uma aliança com o PSD para bem do país. E isto faz todaa diferença entre um estadista e politiqueiros.

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