Confesso que leio pouco a revista da Ordem dos Médicos (ROM). Também não tenho estado muito atenta a algumas polémicas que se vão desenrolando na blogosfera. Aliás tenho sentido um cansaço imenso, quase uma náusea, de toda esta actualidade que nos apavora, de cada vez que ligamos o rádio ou vemos televisão.
Mas ontem a curiosidade (e a apreensão) venceram e fui ler com cuidado o artigo de opinião assinado por William H. Clode O sentido do sexo, publicado na edição de Janeiro da ROM. É um artigo de opinião dividido em 3 partes, datadas de 14 de Novembro de 2008, 8 de Setembro de 2009 e 1 de Dezembro de 2009. Nestes 3 textos o autor desenvolve a ideia de que o sexo é um sexto sentido, tal como o da visão, discorrendo sobre as alterações genéticas que levam ao daltonismo e comparando a homossexualidade com uma alteração genética, ainda não identificada nem estudada. Descreve também a consequência dessa eventual alteração genética, que correspondem a um comportamento típico, repugnante e com pouca higiene, fazendo parte desse comportamento desviante a utilização da boca e do ânus como órgãos sexuais.
Confesso, mais uma vez, que a discussão sobre a liberdade de opinião e o cabimento deste artigo numa revista da Ordem dos Médicos, por muito generalista que ela seja, me soa a exercício masturbatório de pseudointelectuais desempregados. Este artigo é um tal aglomerado de disparates que só o facto da ROM o ter aceite para publicação é inacreditável, quanto mais a defesa da sua publicação em nome da liberdade de opinião.
A minha reacção está muito para além do espanto. Acho degradante e atentatório da credibilidade da ROM, para além da credibilidade da classe médica como um todo, o critério editorial da ROM e o facto do Bastonário da OM achar normal a publicação deste artigo.
Nem mais.
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