07 janeiro 2011

Da necessidade de uma segunda volta nas presidenciais

 


 



 


A campanha para as presidenciais não tem nada a ver com opções políticas, ideologia, desígnios nacionais e motivação. Tem a ver com ataques de carácter, tal como a anterior campanha para as legislativas, em 2009. Quem se indignou perante as suspeições levantadas sobre Sócrates, a asfixia democrática, as inventadas escutas do governo ao Presidente, as alegadas manobras do PS e dos assessores, é quem, neste momento, se refastela com as acusações e insinuações sobre a falta de honestidade de Cavaco Silva. Pelo contrário, quem protagonizou a indigna campanha contra Sócrates, indigna-se agora pela negrura da campanha contra Cavaco Silva.


 


O que a mim mais me incomoda é o que a situação das acções compradas e vendidas por Cavaco Silva, o BPN e a SLN, demonstra, se precisas fossem mais provas, que a comunicação social está totalmente a soldo dos vários poderes, neste caso dos políticos. A independência da informação não existe. As histórias do Freeport apareceram precisamente antes das eleições legislativas. A história das acções do BPN foi repescada precisamente antes das eleições presidenciais, apesar de ter sido divulgada, pelo Expresso, após a saída de Dias Loureiro do Conselho de Estado.


 


O veto político do Presidente ao diploma para simplificação dos procedimentos de mudança de sexo e de nome próprio, apenas se entende como uma manobra eleitoralista, visando agradar ao eleitorado da direita, completamente incoerente depois de, o mesmo Presidente, ter promulgado a legalização do casamento entre indivíduos do mesmo sexo.


 


Cavaco Silva pode e deve ser avaliado pela sua actuação política enquanto Presidente da República. E foi, e é, um péssimo Presidente. A sua visão da sociedade, arcaica, machista, de cunho religioso, conservador, caritativo, a sua falta de distanciamento partidário, a sua hipocrisia e maquiavelismo, que não passam desapercebidos a ninguém, são razões para a absoluta necessidade de levar Cavaco Silva a uma segunda volta.


 


Os eleitores do PS que não se revêem na candidatura de Manuel Alegre, deverão olhar para os outros candidatos e votar, em Defensor de Moura, Fernando Nobre, Francisco Lopes ou José Manuel Coelho, mas votar, para que seja possível uma outra hipótese de escolha, uma segunda oportunidade para derrotar Cavaco Silva. Deverão ainda ponderar se é este o Presidente que estão dispostos a aceitar por mais cinco anos.


 

4 comentários:

  1. aires bustorff09:08

    Excelente, factual, verdadeiro em cada letra do seu conteúdo...

    Mas eu que não sou puro, quero perceber a expansão do universo politico cavaquista para os negocios

    em que muita coisa ha a esclarecer...

    no BPN estão encravados uns 4 membros do governo cavaquista e muitos outros membros da elite do PSD...

    E Cavacu é, no minimo, sibilino na sua participação, como, a que titulo, no meio destes 40 comparsas...

    e depois, tem a lata, a desvergonha, de se declarar mais honesto que nós todos, e acima dos portugueses...

    Isto tudo, acrescido q o pudor não impediu gentes do BPN de estarem na comissão de honra do dito Cavacu,

    e este de as aceitar...

    o que me leva a querer saber como tudo foi crescendo como uma hidra, desde aquela maldita rodagem de um carrinho novinho...

    abraço

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  2. Excelente post . Concordo plenamente com tudo o que escreve. Farei link . Bom fim-de-semana.

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  3. Gi Pinto11:14

    Plenamente de acordo com tudo o que está aqui escrito.
    Destaco o último parágrafo que é o que realmente é importante. É obrigatório que se vote para que depois não estejamos por aí a queixar-mo-nos que este político, (neste caso presidente) não presta. Temos que forçosamente obrigar a uma 2ª volta, para não termos este "homenzinho" outra vez presidente.

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  4. Anónimo12:15

    Completamente de acordo. O recente veto político é do mais tosco e primário que se possa imaginar, é não só uma manobra eleitoralista para agradar ao eleitorado da direita mais ultramontana, como também uma tentativa desesperada de criar nuvens de fumo que desviem as as atenções do caso BPN, é patético.

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