04 junho 2010

Fronteiras


 


Há uns dias li um livro que me deixou muito desconfortável. Não pelo que lá conta, que não é novidade, mas pela estranha semelhança que algumas características da sociedade retratada começa a ter com a nossa.


 


Miguel Pinto continua a história de Carlos Dominguez, um cirurgião cubano perseguido e preso pela polícia política do seu país por delito de opinião. A Fronteira mais Longínqua é protagonizada pelos informadores e desinformadores, espiões e contra-espiões, gente com medo e que suspeita do seu amigo, do seu parceiro, que não se sente seguro quando escreve, quando conversa, quando telefona. Carlos Dominguez só tem um desejo: fugir de Cuba. O livro lê-se de uma assentada, como se fosse de aventuras.


 


Em Portugal, no momento presente, começa a considerar-se normal falar em tom ameaçador dos emails que se trocaram, julgam-se e insultam-se pessoas pelo simples facto de defenderem o governo, o PS ou o Primeiro-ministro Sócrates, levantam-se suspeitas com base em conversas telefónicas, em algo que alguém comentou, que se ouviu na mesa do lado, em sms.


 


É vergonhoso como se tenta condicionar a livre expressão da opinião usando meios imorais, para depois invocar o interesse nacional, a honorabilidade, a defesa da honestidade e a denúncia dos corruptos.


 


Estamos a viver tempos perigosos. Não se olha a meios para atingir os fins. E os fins, mesmo que mascarados de nobreza de carácter, são apenas as razões dos que não sabem ou não são capazes de se respeitarem e de respeitarem a liberdade dos outros.

2 comentários:

  1. PINK10:10

    Os socialistas e os democratas em geral se nao tomam consciencia do que esta' em marcha podera' muito bem surgir uma ditadura encapotada.

    Nos media teremos Mario Crespo a encabeçar o movimento para a libertaçao da informaçao...quando ele "cospe" em tudo e todos que nao concordem com a linha editorial da estaçao...PSD-balsemao.

    Este fulano tem manifestado um gosto ESTRANHO pelos massacres em directo ,que doi .
    E ele sorrl, ele agradece, ele baba-se,quando concordam com ele...Nojento!
    Com os outros e' displicente qdo nao malcriado, coo aconteceu recentemente com Helena Roseta, que "abriu os olhos" Esperamos que a tempo.

    Muitos outros fazem o mesmo, mas nao tao aberrante e perigosamente.

    A questao da reforma angustia-o e cega-o.Redobrar a vigilancia impoe-se...


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  2. Em primeiro lugar deixaste-me curiosa quanto ao livro que tenho intenção de ler...

    Depois, não podia concordar mais com o que dizes em relação à forte pressão a que, hoje em dia, a liberdade de expressão está sujeita.

    Vive-se um fenómeno curioso. Antes de 74, tínhamos medo de falar contra o governo estabelecido, éramos comunas e outras coisas piores e sujeitos a situações bem desagradáveis (para usar um eufemismo).

    Hoje, aparentemente, o receio é estar de acordo com atitudes do governo...

    Mas, afinal, não estamos numa democracia? Posso gostar ou não, nem é isso que aqui ponho em causa. O que ponho em causa é o facto de não poder exercer a minha liberdade de expressão, seja ela em que sentido for , sem medo de represálias...

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